Entre Armadilhas e Esperança.
A noite no hospital havia sido longa. Eloise dormiu em intervalos curtos, sempre despertando ao menor som do bip constante das máquinas. Pela manhã, cansada mas determinada, voltou em casa apenas para se banhar e se preparar para mais um dia no novo emprego.
A luta começou diante do guarda-roupa. Quase tudo era formal demais — tailleurs, camisas engomadas, saias lápis que gritavam Monteiro Corp. Nada parecia combinar com o clima leve que conhecera no andar do marketing.
Do lado de fora, a manhã em Cidade Norte estava fresca, com nuvens densas escondendo o sol e uma brisa suave que lembrava os últimos suspiros do verão.
Eloise escolheu uma calça jeans de corte reto, azul-escura, combinada a uma blusa de tricô bege de mangas três-quartos, que caía solta no corpo. Nos pés, um par de scarpins baixos, vinho, que equilibravam conforto e sofisticação. Prendeu o cabelo em um coque simples, deixando alguns fios soltos ao redor do rosto.
“Discreta, mas ainda elegante.” — pensou, respirando fundo diante do espelho.
No trabalho, foi recebida pelos sorrisos calorosos das colegas. Patrícia apareceu logo cedo, equilibrando duas canecas.
— Trouxe café para você. — disse, colocando a caneca sobre a mesa de Eloise. — Vai precisar de energia, hoje promete.
— Obrigada, Pati. — Eloise sorriu, o coração aquecendo pelo gesto simples.
O ambiente seguia animado, com risadas e conversas cruzadas. Então a voz de Álvaro se destacou, chamando a atenção de todos. Ele estava no centro da sala, as mãos cruzadas nas costas e um sorriso tranquilo.
— Pessoal, preciso de alguns minutos. — disse em tom firme, mas amigável. O burburinho cessou. — Temos uma oportunidade grande pela frente. A marca Lux Design, referência em móveis de alto padrão, nos procurou. Eles querem um projeto criativo, algo que os diferencie no mercado.
Os olhares se entrecruzaram, o entusiasmo crescendo.
Álvaro continuou:
— Vocês vão receber um e-mail hoje com os detalhes. Cada um poderá escolher a linha de proposta que deseja desenvolver. Terão uma semana para criar, estruturar e entregar. Depois, nós — os chefes de setor — vamos analisar todas as ideias. A escolhida seguirá para a Lux Design, e quem liderar o projeto, além do reconhecimento, receberá um bônus generoso.
Fez uma pausa, olhando em volta, com um brilho de confiança no olhar.
— Quero que todos deem o melhor de si. Confio que daqui vai sair a ideia que vai marcar essa parceria. — finalizou, erguendo a mão como incentivo.
A sala se encheu de aplausos e murmúrios animados. O clima era de expectativa, mas também de união. Eloise respirou fundo, sentindo um calor diferente no peito: a sensação de estar finalmente num lugar que valorizava a criatividade, não apenas a obediência.
O resto do dia correu em um ritmo intenso, mas leve. As tarefas fluíram, os colegas riam, as ideias brotavam de cada mesa. Eloise sentia-se, aos poucos, parte daquele universo.
Às 17h, guardou seus pertences e se despediu dos colegas. O coração já pesado novamente pela preocupação com o pai. Pegou o metrô em direção ao hospital, a pasta apertada contra o peito.
O celular vibrou dentro da bolsa. Eloise atendeu de imediato, sem imaginar que a voz do outro lado traria mais perguntas do que respostas.
___
O ponteiro do relógio avançava devagar, mas a mente de Lorenzo Mello girava rápido demais.
No escritório amplo, o ar cheirava a couro e fumo, as cortinas semi-fechadas deixando apenas a luz fria da tarde atravessar o ambiente.
O investigador particular fechou a pasta e a empurrou sobre a mesa.
Apagou a cinza no cinzeiro de cristal e puxou o celular. O número de Nicole apareceu na tela.
— Nicole. — disse, a voz modulada em falsa suavidade quando ela atendeu. — Estava pensando… o que acha de fazermos um jantar na sua casa? Nós dois, seus pais, e os meus também.
Do outro lado, a surpresa foi clara.
— Um jantar amor? — Nicole riu, animada. — Vai ser incrível, Lorenzo! A mamãe vai adorar.
Um sorriso lento se desenhou no rosto dele.
Exatamente como planejava.
Enquanto Nicole se empolgava em contar detalhes, Lorenzo pensava consigo mesmo:
“Carla vai ficar encantada com minha mãe. A distração perfeita. Enquanto ela brilha, eu procuro. No celular… na casa… em algum canto, vou achar o que procuro.”
A ligação terminou, Nicole radiante.
Lorenzo, por sua vez, recostou-se na cadeira, tragando outra vez o cigarro.
O jogo estava armado.
E Carla, sem imaginar, seria a própria isca.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...