Promessa no Caos
O corredor do hospital cheirava a antisséptico, como sempre. Nathalia equilibrava a bolsa em um ombro e a marmita na outra mão. Já era rotineiro ir ao hospital levar o caldo quente que tio Carlos, apelido carinhosamente que pai da Eloise recebeu. Sempre com a missão de tentar fazer a amiga sorrir, mesmo que por instantes.
Mas, naquela tarde, algo estava diferente. Nathalia saiu da empresa direto para o hospital.
— Boa tarde, vim visitar o senhor Carlos Nogueira. — disse com o sorriso educado de sempre.
A recepcionista levantou os olhos, surpresa.
— Senhorita… não temos nenhum paciente com esse nome registrado.
Nathalia piscou, confusa.
— Deve haver algum engano. Eu venho aqui todos os dias, no quarto 312.
A atendente digitou mais algumas vezes no computador, depois ergueu o rosto firme.
— O senhor Carlos foi transferido logo após a cirurgia, já não está aqui, está no hospital Saint Claire.
O coração de Nathalia falhou uma batida.
— Transferido? Tem um mal entendido, Eu.... estive aqui ontem. Ele estava no quarto, entubado… — insistiu, a voz falhando.
A funcionária endureceu o semblante.
— Senhorita, não temos mais informações. Preciso pedir que se retire, por favor.
Nathalia sentiu o sangue gelar.
— Não, espere… — tentou, mas a mulher já fazia um sinal.
Dois seguranças se aproximaram, discretos, mas a mensagem era clara: não insistir.
O estômago dela se revirou. Apertou a marmita contra o peito como se fosse um escudo e recuou, atônita.
Do lado de fora, as mãos tremiam quando tirou o celular da bolsa. Discou no automático.
— Eloise?
A voz cansada da amiga veio do outro lado.
— Nathalia, o que foi? Onde você está?
— No hospital. — respondeu, a respiração acelerada. — E você?
— Estou a caminho, como sempre. Por quê? O que aconteceu?
Nathalia engoliu em seco.
— Eloise… e seu pai?
O silêncio do outro lado pesou.
— No hospital, claro. — Eloise soou assustada. — Nathalia, você está me deixando nervosa. O que aconteceu com meu pai?
As palavras saíram quase num sussurro, como se carregassem veneno:
— Amiga, não me deixaram entrar. Disseram que ele foi transferido… depois da cirurgia.
Enquanto falava, Nathalia ajeitou o crachá que ainda estava pendurado em seu pescoço. A frase simplesmente morreu na garganta.
Os olhos dela travaram no detalhe impresso em destaque: Monteiro Corp.
Um choque percorreu seu corpo como um raio.
— Não… não pode ser… — murmurou, quase sem voz.
Do outro lado da linha, Eloise chamava aflita:
— Nathalia? Nathalia, fala comigo! O que aconteceu?
Mas a mente de Nathalia já corria em disparada. As peças se encaixavam rápido demais.
Ela apertou o crachá com força, como se fosse a prova que precisava.
— Senhorita, consta aqui no sistema que a filha dele autorizou a transferência logo após a cirurgia. Para o Hospital Saint Claire.
Eloise deu um passo para trás, o rosto branco como papel.
— Transferido? — a voz saiu em um fio, antes de explodir em lágrimas. — Como se a filha… sou eu!
A funcionária ficou sem reação, confusa.
Eloise tremia, agarrando a bancada de informações, o choro sufocado pela angústia.
Lucas não conseguiu ficar parado. Aproximou-se devagar, a voz baixa, firme, como quem segurava uma corda para alguém à beira do abismo.
— Eloise… calma. Eu sei que é difícil, mas você precisa respirar. Se perder o controle, vai ser mais difícil encontrar o seu pai.
Ela ergueu os olhos marejados para ele, desesperada.
— O meu pai é tudo para mim… se acontecer alguma coisa… eu não vou suportar!
— Eu entendo. — respondeu com suavidade. — E é justamente por isso que você precisa pensar com a razão. Eu vi a Nathalia aqui, pouco antes de você chegar. Se ela estava aqui, é porque sabia que seu pai estava nesse hospital, certo?
Eloise assentiu entre soluços.
— Sim… sim, ela falou alguma coisa, mas eu estava tão nervosa que não entendi.
As mãos dela tremiam enquanto pegava o celular, tentando ligar.
Lucas observou o movimento, atento, mas quando ela apertou os botões, a tela apagou.
— Não… não, agora não… — Eloise murmurou, chorando mais forte. — Está descarregado!
Lucas colocou a mão sobre o ombro dela, firme, mas com cuidado.
— Então vamos fazer o seguinte: você se acalma e pensa. A gente vai encontrar o seu pai. Juntos. Eu prometo.
O olhar dela vacilou entre o medo e a confiança. A presença dele fez Eloise não se sentia completamente sozinha.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...