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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 117

Nas Somnras da Dúvida

A noite caiu sobre Cidade Norte, tingindo o céu de um azul profundo salpicado de luzes artificiais. O fim de setembro trazia um clima indeciso, oscilando entre o frio cortante e o calor abafado. Pelas ruas, gente confusa se dividia entre casacos leves e mangas curtas, como se até o tempo não soubesse escolher entre verão e inverno.

Quando Lorenzo empurrou a porta da mansão, foi recebido pela voz melodiosa de Márcia Mello.

— Filho. — disse, erguendo-se do sofá, impecável em um vestido de seda clara que realçava ainda mais a beleza madura.

Ele a olhou de cima a baixo, um sorriso maroto surgindo no rosto.

— Minha nossa… cada vez mais difícil acreditar que você é minha mãe. — brincou, aproximando-se para beijá-la no rosto.

Márcia riu, balançando a cabeça como quem estava acostumada com os elogios extravagantes do filho. Lorenzo sempre fora o seu orgulho, o filho de ouro, criado para ser o melhor — ou pelo menos, acreditar que era.

— Vou me banhar. — avisou, já subindo as escadas. — E em alguns minutos descemos para irmos.

Márcia observou-o desaparecer pelo corredor com aquele brilho de devoção nos olhos.

___

Nathalia ficou parada na calçada, o vento frio batendo contra o rosto. Os dedos ainda apertavam o crachá como se fosse uma arma.

O coração disparado. A cabeça não parava de girar. As palavras da recepcionista ecoavam sem sentido: “o paciente já foi transferido após a cirurgia”.

Ela parou, respirou fundo com o celular na mão, procurou o nome de quem saberia resolver a situação. Thiago.

A chamada completou, e logo a voz grave dele surgiu do outro lado:

— Nathalia?

— Thiago… tem algo errado. — disse, tentando controlar o nervosismo. — Estão armando alguma coisa. Estão fazendo parecer que o seu Carlos já fez a cirurgia, mas ontem eu estava com ele, está debilitando, cheio de aparelhos.

Houve um silêncio pesado do outro lado.

— Onde você está? — perguntou Thiago, firme.

— No hospital. — respondeu sem hesitar, olhando em volta, como se alguém pudesse estar ouvindo.

A voz dele veio carregada de urgência:

— Fica aí. Estou a caminho. Chegando, você me explica tudo em detalhes.

Ela apertou o celular contra o ouvido, fechando os olhos.

— Thiago, isso não pode ser coincidência.

— Não é. — disse ele, sem titubear. — Você pode ser a resposta que estávamos esperando.

A ligação terminou, mas a tensão continuava latejando no peito de Nathalia.

Eloise segurou o copo, mas a água tremia junto com as mãos dela. Ainda assim, deu um gole curto, tentando recuperar o ar.

Lucas se ajoelhou a frente dela apoiando os antebraços sobre os joelhos dela.

— Escuta. — disse, olhando direto para ela. — Eu estou aqui, Eloise.

Os olhos dela marejaram ainda mais, mas havia ali um fio de alívio em meio ao caos.

— Tenho o número da Emma. — continuou ele, com calma calculada. — Vou ligar para ela e pedir o contato da Nathalia. Você pode usar meu celular para falar direto com a sua amiga.

Eloise pareceu entender, mas por alguns segundos apenas ficou olhando para ele, como se buscasse confirmar se podia confiar. Lucas manteve o olhar firme, tranquilo, como quem oferecia chão para alguém em queda livre.

Ele pegou o celular do bolso e procurou o número com rapidez. Do outro lado da linha, aguardou até ouvir a voz de Emma atender.

— Emma? É o Lucas. Preciso de um favor… o contato da Nathalia.

Enquanto falava, Lucas pousou a mão sobre a de Eloise, que ainda tremia sobre o colo. O gesto foi inesperado, mas carregava calma.

— Vai dar tudo certo. — murmurou, num tom sereno.

Eloise não respondeu, mas não afastou a mão. Apenas fechou os olhos por um instante, como se absorvesse aquele fio de apoio.

Naquele corredor frio e impessoal de hospital, onde cada notícia parecia um golpe, Lucas se tornava a única voz de estabilidade que ela tinha.

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