Capítulo 13 — O jantar em meio ao caos
Os flashes começaram antes mesmo que o carro parasse completamente diante do tapete vermelho.
Fotógrafos aguardavam ansiosos na entrada principal do luxuoso Hotel Monteiro, iluminado por holofotes e movimentado por convidados da elite. O jantar beneficente do patriarca José Monteiro não era apenas um evento social — era um tabuleiro político disfarçado de gala.
A porta do carro se abriu lentamente. Primeiro, surgiu Augusto Monteiro, impecável em seu terno escuro sob medida, olhar frio e expressão calculadamente entediada. Assim que desceu, os flashes se intensificaram.
Eloise surgiu logo em seguida.
Por um segundo, tudo pareceu silenciar.
O vestido preto, elegante e ousado, com um ombro à mostra e a fenda precisa, colava-se ao seu corpo como se tivesse sido costurado ali, peça por peça. O colar de rubis reluzia sob as luzes da entrada, destacando seu colo, sua presença, sua força silenciosa.
Ela saiu com segurança, mesmo sentindo o coração acelerar com os flashes e sussurros dos curiosos.
Augusto se aproximou e, para surpresa dela, estendeu a mão. Um gesto simples — mas cheio de significado. Ela hesitou por um segundo, depois aceitou. Juntos, atravessaram o tapete, como se sempre pertencessem àquele lugar.
Dentro do elevador, enquanto subiam para a cobertura, um silêncio denso se instalou.
Eloise, em meio ao som suave do elevador subindo, sentia o calor da mão dele ainda ressoando na sua. Os dois estavam sozinhos no espaço espelhado, refletindo uma imagem de casal poderoso — mesmo que, na prática, estivessem mergulhados em um teatro cuidadosamente encenado.
Os olhos de Augusto estavam fixos na frente, mas seu maxilar estava tenso. Eloise notava. Sabia que algo viria.
Quando o elevador chegou ao último andar, as portas se abriram para um salão grandioso, decorado em tons de dourado, branco e cristal. O ambiente exalava luxo e influência. Pessoas bem vestidas circulavam com taças nas mãos, sorrisos frios e olhares avaliativos.
Todos se viraram para eles.
E foi nesse instante que Augusto segurou novamente a mão de Eloise — desta vez com firmeza. Ela o olhou de relance, confusa.
— O que significa isso? — sussurrou, entre os dentes, mantendo o sorriso discreto.
Ele não respondeu. Apenas a guiou em direção ao centro do salão, como se aquela fosse sua rainha recém-coroada.
Foi então que uma mulher alta, ruiva, de vestido vermelho justo e sorriso malicioso, surgiu em seu caminho.
Os olhos verdes de Augusto se fixaram nela. Eloise sentiu algo mudar em sua postura. Tensão. Rancor.
Os olhos de Augusto e a ruiva se cruzaram, Eloise sentiu algo diferente — como se uma corrente de tensão atravessasse o espaço entre os dois. Não havia saudade, mas havia algo. Ferida mal cicatrizada, talvez. Raiva contida. Desprezo. E ainda assim… havia intensidade.
Eloise apertou discretamente a mão de Augusto, sentindo uma irritação subir por sua garganta. Uma vontade de afastar aquela mulher dali. De proteger o território — espera... território?
Ela desviou o olhar por um segundo, confusa com o próprio pensamento. Aquilo era... ciúme?
Não. Não podia ser.
Engoliu seco, tentando recuperar o controle de si mesma.
— Boa noite, Augusto — disse a mulher ruiva, com a voz melodiosa e carregada de malícia. — Há quanto tempo...
— Essa é...? — começou a ruiva, lançando um olhar sugestivo a Eloise.
Mas Augusto a cortou com frieza calculada:
— Eloise Nogueira, minha namorada.
Silêncio.
Eloise arregalou os olhos, mas foi rápida. O teatro precisava seguir. Com elegância ensaiada, tocou de leve a mão de Augusto e deixou um sorriso contido aparecer nos lábios. Fingiu naturalidade — mas por dentro, o caos rugia.
A ruiva manteve o sorriso, mas os olhos estavam carregados de veneno.
— Thamires Santana — disse ela, estendendo a mão a Eloise. — Ex-noiva de Augusto.
O aperto de mãos foi leve, mas cheio de eletricidade. Um embate silencioso.
— Muito prazer — respondeu Eloise com gentileza. Mas seu olhar estava firme. Inquebrável. Ela então virou-se ligeiramente para Augusto e sorriu, propositalmente carinhosa. Um toque provocador, só para ver o leve estremecer na expressão de Thamires.
— Eloise Nogueira — respondeu ela, com a voz firme, apertando a mão dele com educação, sem desviar o olhar.
Ele repetiu o nome em voz baixa, como se revirasse arquivos mentais.
— Nogueira... Nogueira... Não me recordo de nenhuma família com esse sobrenome. Qual o ramo dos negócios da sua família, minha jovem?
A pergunta, travestida de interesse, carregava o veneno da avaliação social. Eloise quase respondeu, mas foi interrompida.
— Não importa — disse Augusto, sua voz cortando o ar como aço. Todos ao redor silenciaram, percebendo a tensão.
José Monteiro levantou as sobrancelhas, surpreso com a firmeza do filho.
— Não importa qual é o sobrenome dela — continuou Augusto, sem piscar. — Nem qual o ramo da família. Eu decido quem está ao meu lado. Eu escolho. E escolhi ela.
Ele então passou o braço com naturalidade pela cintura de Eloise, trazendo-a levemente para mais perto.
— Uma mulher com força, coragem e garra. Isso me basta.
José permaneceu alguns segundos em silêncio. O sorriso educado não se desfez, mas seu olhar endureceu.
— Sempre tão impulsivo... — disse, quase como se falasse para si mesmo.
— Ou talvez, apenas livre para fazer as próprias escolhas — retrucou Augusto, seco.
O pai apenas assentiu com a cabeça, sem rebater. Olhou uma última vez para Eloise, como se tentasse encontrar algo que lhe escapava, e então se afastou para cumprimentar outros convidados.
Eloise, que mantinha a postura ereta, com o coração ainda acelerado, virou o rosto levemente para Augusto.
— Isso foi necessário?
— Com ele? Sempre é. — respondeu ele, sem olhar para ela.
Mas no fundo… aquele impulso havia vindo de outro lugar. De um orgulho inflado. De um desejo silencioso de proteger o que ele começava, aos poucos, a considerar seu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...