A verdade no Reflexo.
A sexta-feira amanheceu clara em Cidade Norte. O céu azul límpido contrastava com o ar frio que cortava a pele, típico do final de setembro. O outono europeu começava a se impor: o sol brilhava, mas não aquecia de verdade. O vento trazia folhas secas pelas calçadas, espalhando-as em redemoinhos dourados.
Eloise se espreguiçou no sofá-cama da Nathalia, ajeitando o cabelo preso em um coque improvisado. Um bom banho, depois já estava vestida para o trabalho, usando uma calça preta skinny, uma blusa de tricô bege emprestada da amiga e um casaco leve para enfrentar a manhã fria.
Na cozinha, o cheiro de café fresco preenchia o ar. Nathalia já estava à mesa, mordendo uma torrada enquanto folheava distraidamente uma revista.
— Dormiu bem? — perguntou, com a boca cheia.
Eloise sorriu de canto, sentando-se diante dela.
— Bem melhor do que imaginava. Obrigada por ontem, Nathalia… eu precisava disso.
Nathalia empurrou a caneca de café na direção dela.
— É pra isso que servem as amigas. E falando nisso, qual é o plano de hoje?
Os olhos de Eloise brilharam em expectativa.
— No horário de almoço vou visitar meu pai na clínica. Não vejo a hora de vê-lo.
— Ótimo. — disse Nathalia, animada. — A clínica é perto da empresa, né? Então fechou: a gente se encontra lá. Depois podemos almoçar na lanchonete do lado. Juro, Eloise, parece restaurante, tem até prato do dia. Nada de comida de hospital.
Eloise riu, sentindo o coração aquecer um pouco.
— Obrigada, Nathalia. Eu precisava muito de uma amiga como você.
A outra ergueu a sobrancelha com um sorriso maroto.
— E tem mesmo. Pode contar comigo, vaca.
As duas se levantaram juntas, rindo, e se despediram com um beijo na bochecha.
— Até logo, vaca! — disseram ao mesmo tempo, rindo mais ainda.
Cada uma seguiu seu caminho até a empresa, o frio da manhã cortando o rosto, mas o humor leve ajudando a suavizar.
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Pouco depois de chegar ao prédio da Lux Marketing, Eloise ajeitava os documentos sobre a mesa quando o celular vibrou. O número era desconhecido. Ela atendeu, hesitante:
— Alô?
Do outro lado, a voz masculina soou com um tom envergonhado:
— Oi, Eloise… desculpa ligar assim. É o Lucas.
Ela piscou, surpresa.
— Lucas? Como conseguiu meu número?
— Ah… pedi pra Emma. — respondeu rápido, quase tropeçando nas palavras. — Espero que não se importe.
Eloise hesitou, mas manteve a educação:
— Não, tudo bem.
Ele respirou fundo, tentando manter o tom casual.
— Eu estou trabalhando no vídeo… sabe, na análise que falei. Mas não foi por isso que liguei. Queria só saber como você estava depois de ontem.
Ela se ajeitou na cadeira, sem saber ao certo o que pensar.
— Estou bem. Obrigada por perguntar.
— Que bom. — disse ele, a voz baixa. — Então… é isso. Não quero atrapalhar no trabalho.
— Tudo bem. — respondeu, antes de encerrar a ligação.
— Merda…
Cada detalhe a denunciava: o jeito de segurar o envelope, o reflexo do vidro mostrando o corte reto do cabelo, a pressa disfarçada em cada movimento.
Thomas fechou o notebook de repente, o estalo ecoando pela sala. Pegou o celular no bolso e discou com pressa.
— Thiago. — disse assim que a ligação foi atendida, a voz grave e urgente. — Preciso te ver agora.
Do outro lado, um silêncio carregado de surpresa antecedeu a resposta:
— Pode vir à empresa, cara.
— Estou a caminho.
Thomas desligou, os olhos fixos no pendrive ainda conectado.
Ele sabia: o tabuleiro acabara de mudar.
E aquela revelação, embora trouxesse esperança para Eloise, poderia custar muito caro a todos que ousassem tocar nessa verdade.
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O apartamento cheirava a perfume adocicado quando Melissa fechou a gaveta com força. O espelho diante dela refletia a expressão carregada de raiva e determinação.
— Aquela ordinária acha que vai se ver livre de mim tão fácil… — murmurou, a voz impregnada de veneno. — Mal sabe que eu não caio nas suas armadilhas, Thamires.
Pegou o blazer rosa, vestiu com gestos firmes, como se cada botão fosse parte de uma armadura. A calça rosa marcava a silhueta, e a blusa branca por baixo realçava a falsa doçura que ela sabia exibir quando queria enganar. Melissa era especialista nisso: esconder veneno atrás de um sorriso.
Com os saltos firmes, atravessou o hall do prédio e entrou no elevador. Encostou-se ao espelho dourado e se observou com atenção. Os olhos verdes faiscavam, o batom em tom suave contrastava com a fúria que guardava.
— Se você foi capaz de se apaixonar por Eloise… — disse para o próprio reflexo, um sorriso frio nascendo. — Aquela sem sal, apagada… então logo, logo, você vai estar nas minhas mãos.
O elevador parou, e Melissa ergueu o queixo. A máscara de recepcionista eficiente, rápida e sempre solícita, já estava pronta para ser usada. Mas por dentro, cada passo em direção à Monteiro Corp era um lembrete do que ela queria: poder, vingança e a chance de se tornar muito mais que a mulher atrás do balcão.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...