Mais Fera do que Homem.
O som seco da porta batendo contra a parede fez Augusto erguer os olhos do notebook, o cenho franzido pela interrupção brusca.
— Thiago… — começou, irritado. — Isso é jeito de entrar na minha sala?
Mas a frase morreu no ar quando a figura de Thomas atravessou a porta atrás dele. O investigador fechou a porta com calma, os olhos firmes, e o ambiente ficou carregado de uma tensão que até Augusto reconheceu de imediato.
Ele se levantou devagar, ajeitando o paletó, como quem se preparava para ouvir algo pesado.
— Se você veio junto com ele… então não é bobagem. — murmurou, a voz grave.
Thomas caminhou até a mesa e colocou o pendrive sobre o tampo de vidro, com um gesto firme.
— Augusto, eu disse que traria a verdade. — falou, encarando-o de frente. — E aqui está. Mas preciso que entenda: o que você vai ver é apenas a ponta do iceberg.
O silêncio que seguiu parecia ecoar mais alto que qualquer palavra. Augusto estendeu a mão devagar, os dedos fortes fechando sobre o pequeno dispositivo como se ele pesasse toneladas.
Conectou ao notebook.
A tela iluminou-se, carregando o vídeo. Augusto sentou-se novamente, o corpo rígido, e apertou o play.
Primeiro, Eloise. Aparecia sozinha, tomando um café, gestos calmos e distraídos, antes de sair da sala. Depois, alguns segundos em branco. Então logo depois, o verdadeiro registro surgia: uma mulher loira, postura rígida, cabelo liso caindo sobre os ombros, gestos tensos.
A sequência avançou. O vice-presidente da empresa Navarro Tech apareceu, sentou-se diante dela. Ela riu de algo que ele disse, depois puxou uma pasta e a deslizou para ele como quem entregava uma bomba.
Augusto se inclinou para frente, os olhos fixos na tela. A loira entregava a pasta. Dante Figueiredo recebia, satisfeito. O reflexo na vidraça atrás confirmava cada detalhe.
A respiração de Augusto falhou por um instante.
— Não… — murmurou, a voz grave e arranhada.
O rosto da mulher estava claro, nítido.
Cabelo loiro, reto, postura rígida, o sorriso frio.
Melissa Silva.
A recepcionista que ele via todos os dias.
O silêncio foi quebrado apenas pelo som abafado do notebook. Thiago observava Augusto com os braços cruzados, e Thomas mantinha o semblante duro, mas satisfeito por finalmente expor a verdade.
O impacto, no entanto, caía inteiro sobre Augusto.
Ele fechou os punhos, sentindo o sangue ferver.
Traído de novo. Mas dessa vez, não por Eloise.
— Maldita… — rosnou, a fúria se misturando ao peso da culpa que agora lhe esmagava o peito.
Porque em cada segundo daquele vídeo, a lembrança dos olhos de Eloise voltava, feridos, clamando por confiança que ele nunca lhe deu.
O vídeo ainda piscava no monitor, congelado na imagem de Melissa rindo e entregando a pasta a Dante Figueiredo.
O silêncio após a revelação foi curto demais.
Augusto Monteiro se levantou como um furacão. Os olhos, antes frios, agora ardiam com uma fúria descontrolada.
Num movimento abrupto, ele socou a mesa com tanta força que os papéis espalharam-se pelo chão, voando como folhas secas.
— PORRA! — gritou, a voz reverberando como trovão. — QUE MERDA, AUGUSTO!
— PORRA! QUE MERDA, AUGUSTO! — rugiu, e depois repetiu, mais baixo, como se falasse consigo mesmo, envergonhado.
___
O grito ecoou pelos corredores, atravessando as paredes grossas da presidência. Do lado de fora, Melissa sobressaltou-se na recepção, o coração disparando. O medo percorreu seu corpo.
“Acho que Thamires estava certa… eu preciso desaparecer”, pensou, o suor frio escorrendo pela nuca.
__
Dentro da sala, a tempestade não cessava. Augusto girou de repente e esmurrava a parede atrás da mesa. Uma, duas, três vezes. O impacto seco reverberava no gesso, até que seus nós dos dedos começaram a sangrar, escorrendo vermelho vivo pela mão cerrada.
Thiago e Thomas avançaram juntos, segurando-o pelos braços.
— Basta! — disse Thiago, firme, a voz mais alta que de costume.
— Eu preciso ver ela. — Augusto passou a mão pelos cabelos, suado, o peito arfando. — Ela precisa saber que estou arrependido. Mesmo que me odeie… eu preciso ver ela.
Thiago respirou fundo, encarando o amigo.
— Eu torço por vocês, Augusto. — disse, sincero. — Mas acho que não é o momento.
Augusto ergueu os olhos, injetados de desespero. Thiago então completou, hesitante, mas firme:
— Sou seu amigo. E por isso vou ser honesto: Eloise está trabalhando… na empresa do Heitor.
As palavras atingiram Augusto como lâminas.
O ciúme subiu feito fogo, queimando cada parte dele. O coração batia descompassado, a mente em guerra.
“Ela está trabalhando. Só isso. Trabalhando apenas…”
“Claro, Heitor não seria capaz… ele disse que a via como uma irmã mais nova…”
Mas a dúvida, sempre ela, se infiltrava como veneno.
Ele não disse mais nada. Apenas pegou o paletó com brutalidade e saiu da sala como um furacão.
Os corredores da Monteiro Corp tremeram com o som de seus passos apressados. O olhar verde, agora vermelho de raiva e lágrimas contidas, faiscava como brasas prestes a explodir. O suor descia pela testa, os músculos do maxilar estavam travados, e sua mão sangrava em gotas vermelhas que manchavam o chão de mármore a cada passo.
Funcionários desviavam o olhar, chocados, mas ninguém ousou pará-lo.
Ele parecia mais fera do que homem.
Augusto não se importava com nada. Não com o sangue, não com os olhares, não com o império que podia desmoronar a qualquer momento.
Só havia uma coisa em sua mente: ver Eloise.
Aquela que ele havia jurado ser a mulher da sua vida — e que, no primeiro desafio, ele não teve coragem de acreditar nela.
A vida tinha dessas hipocrisias ou ironias cruéis. E, para Augusto Monteiro, essa era a mais amarga de todas.
Ele não era mais o CEO respeitado, era uma fera ferida, disposta a tudo para recuperar o que perdeu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...