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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 128

A Fera Ferida.

O relógio da parede marcava quase dez horas quando Eloise ajeitou a pasta de relatórios na mesa. O dia corria surpreendentemente bem, e pela primeira vez em semanas ela conseguia respirar um pouco sem sentir o peso esmagando os ombros.

O celular vibrou ao lado do teclado.

Mensagem de Nathalia:

“O dia nem começou e eu já quero que acabe kkkkk. Almoço e clínica logo, vaca! 💕”

Eloise deixou escapar uma risada curta, balançando a cabeça.

— Essa menina… — murmurou, com um sorriso que, por alguns segundos, aliviou o coração.

Mal sabia que, naquele instante, um furacão avançava pelas ruas de Cidade Norte em sua direção.

O furacão tinha nome: Augusto Monteiro.

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Ele atravessou as portas de vidro da Lux Marketing sem anunciar-se, sem pedir permissão, sem sequer se importar com os olhares que o seguiam.

A camisa social estava aberta no colarinho, parte para fora da calça. O cabelo bagunçado denunciava as mãos nervosas que haviam passado por ali dezenas de vezes. E a mão direita, ainda marcada de sangue seco nos nós dos dedos, parecia uma bandeira vermelha do caos que carregava por dentro.

Funcionários se entreolharam, cochichando em vozes baixas:

— É o Monteiro…

— Meu Deus, o que aconteceu com ele?

— Olha a mão dele…

Ninguém ousou se aproximar. O peso da presença dele empurrava o ar para longe, como se cada passo fosse um aviso de que a calma da empresa estava prestes a ser destruída.

Ele atravessou a recepção sem olhar para os lados e apertou o botão do elevador com força. Os números foram subindo, mas sua respiração continuava acelerada, as veias saltadas no pescoço.

Quando as portas se abriram no último andar, a primeira pessoa que viu foi André, o secretário de Heitor. Um homem alto, elegante, sempre com um ar sério e discreto — a barreira que Heitor fazia questão de ter na presidência.

— Senhor Monteiro? — André ergueu as sobrancelhas, surpreso. — Precisa de agendamento, eu não…

Mas Augusto não respondeu. Nem sequer o olhou. Seguiu em passos longos, brutais, como se não houvesse portas capazes de segurá-lo.

— Senhor Monteiro, espere! — André ainda tentou interceptar, estendendo o braço.

Tarde demais.

Augusto empurrou a porta da sala de Heitor sem bater, sem pedir permissão. Ela se escancarou, batendo contra a parede com violência.

Um furacão havia acabado de atravessar.

Heitor ergueu os olhos do notebook, a expressão incrédula por um segundo antes de se levantar.

— Augusto?! — exclamou, a surpresa misturada a um instinto imediato de defesa. — O que diabos você está fazendo aqui?

O silêncio que seguiu parecia o prenúncio da tempestade que estava prestes a cair.

André ainda tentava se recompor do furacão que passara por ele segundos antes.

— Senhor Heitor, eu… eu não consegui impedir. — disse, nervoso, o olhar ainda fixo em Augusto como se fosse uma fera solta.

Heitor ergueu a mão, firme.

— Quero dizer que antes de você chegar perto dela, precisa da aprovação da Nathalia.

Augusto arregalou os olhos, a incredulidade se transformando em raiva.

— O quê?!

Heitor abriu um sorriso de canto, quase provocador.

— Isso mesmo. Nathalia. — respondeu, calmo. — Você já reparou, não? Ela e Eloise são inseparáveis. É a Nathalia quem a protege, quem a acalma, quem a faz rir no meio do caos. Se alguém pode dizer se é bom ou não você ver Eloise agora… é ela. Vou ligar para a Nathalia agora mesmo.

Augusto avançou um passo, a voz explodindo:

— Você enlouqueceu, Heitor? Você está usar isso pra se aproximar dela?

— Não estou usando nada. — retrucou, sem se abalar. — Só estou sendo prático. Eloise está frágil demais, e se você aparecer agora pode destruir o pouco que ela tem de equilíbrio.

Augusto gritou, o rosto em fúria:

— EU VOU VER A ELOISE DE QUALQUER JEITO! — o grito saiu rasgado, como se fosse arrancado de dentro dele. — Mesmo que eu tenha que atravessar esse prédio inteiro, ninguém vai me impedir!

Por um instante, ficou parado, ofegante, o corpo inteiro tremendo. Ele não parecia mais o CEO respeitado da Monteiro Corp, mas sim uma fera ferida, disposta a tudo para recuperar o que havia perdido.

Heitor permaneceu sereno, os olhos cravados nele, a voz firme como aço:

— Se Nathalia autorizar, sim.

O silêncio caiu como uma lâmina entre eles. Augusto respirava pesado, os punhos cerrados, enquanto Heitor permanecia firme, sério, e ao mesmo tempo preocupado.

Porque, por trás do deboche, a verdade era clara: ele não ia deixar ninguém, nem mesmo Augusto Monteiro, ferir Eloise de novo sem antes provar que merecia estar ao lado dela.

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