A Fera Ferida.
O relógio da parede marcava quase dez horas quando Eloise ajeitou a pasta de relatórios na mesa. O dia corria surpreendentemente bem, e pela primeira vez em semanas ela conseguia respirar um pouco sem sentir o peso esmagando os ombros.
O celular vibrou ao lado do teclado.
Mensagem de Nathalia:
“O dia nem começou e eu já quero que acabe kkkkk. Almoço e clínica logo, vaca! 💕”
Eloise deixou escapar uma risada curta, balançando a cabeça.
— Essa menina… — murmurou, com um sorriso que, por alguns segundos, aliviou o coração.
Mal sabia que, naquele instante, um furacão avançava pelas ruas de Cidade Norte em sua direção.
O furacão tinha nome: Augusto Monteiro.
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Ele atravessou as portas de vidro da Lux Marketing sem anunciar-se, sem pedir permissão, sem sequer se importar com os olhares que o seguiam.
A camisa social estava aberta no colarinho, parte para fora da calça. O cabelo bagunçado denunciava as mãos nervosas que haviam passado por ali dezenas de vezes. E a mão direita, ainda marcada de sangue seco nos nós dos dedos, parecia uma bandeira vermelha do caos que carregava por dentro.
Funcionários se entreolharam, cochichando em vozes baixas:
— É o Monteiro…
— Meu Deus, o que aconteceu com ele?
— Olha a mão dele…
Ninguém ousou se aproximar. O peso da presença dele empurrava o ar para longe, como se cada passo fosse um aviso de que a calma da empresa estava prestes a ser destruída.
Ele atravessou a recepção sem olhar para os lados e apertou o botão do elevador com força. Os números foram subindo, mas sua respiração continuava acelerada, as veias saltadas no pescoço.
Quando as portas se abriram no último andar, a primeira pessoa que viu foi André, o secretário de Heitor. Um homem alto, elegante, sempre com um ar sério e discreto — a barreira que Heitor fazia questão de ter na presidência.
— Senhor Monteiro? — André ergueu as sobrancelhas, surpreso. — Precisa de agendamento, eu não…
Mas Augusto não respondeu. Nem sequer o olhou. Seguiu em passos longos, brutais, como se não houvesse portas capazes de segurá-lo.
— Senhor Monteiro, espere! — André ainda tentou interceptar, estendendo o braço.
Tarde demais.
Augusto empurrou a porta da sala de Heitor sem bater, sem pedir permissão. Ela se escancarou, batendo contra a parede com violência.
Um furacão havia acabado de atravessar.
Heitor ergueu os olhos do notebook, a expressão incrédula por um segundo antes de se levantar.
— Augusto?! — exclamou, a surpresa misturada a um instinto imediato de defesa. — O que diabos você está fazendo aqui?
O silêncio que seguiu parecia o prenúncio da tempestade que estava prestes a cair.
André ainda tentava se recompor do furacão que passara por ele segundos antes.
— Senhor Heitor, eu… eu não consegui impedir. — disse, nervoso, o olhar ainda fixo em Augusto como se fosse uma fera solta.
Heitor ergueu a mão, firme.
— Quero dizer que antes de você chegar perto dela, precisa da aprovação da Nathalia.
Augusto arregalou os olhos, a incredulidade se transformando em raiva.
— O quê?!
Heitor abriu um sorriso de canto, quase provocador.
— Isso mesmo. Nathalia. — respondeu, calmo. — Você já reparou, não? Ela e Eloise são inseparáveis. É a Nathalia quem a protege, quem a acalma, quem a faz rir no meio do caos. Se alguém pode dizer se é bom ou não você ver Eloise agora… é ela. Vou ligar para a Nathalia agora mesmo.
Augusto avançou um passo, a voz explodindo:
— Você enlouqueceu, Heitor? Você está usar isso pra se aproximar dela?
— Não estou usando nada. — retrucou, sem se abalar. — Só estou sendo prático. Eloise está frágil demais, e se você aparecer agora pode destruir o pouco que ela tem de equilíbrio.
Augusto gritou, o rosto em fúria:
— EU VOU VER A ELOISE DE QUALQUER JEITO! — o grito saiu rasgado, como se fosse arrancado de dentro dele. — Mesmo que eu tenha que atravessar esse prédio inteiro, ninguém vai me impedir!
Por um instante, ficou parado, ofegante, o corpo inteiro tremendo. Ele não parecia mais o CEO respeitado da Monteiro Corp, mas sim uma fera ferida, disposta a tudo para recuperar o que havia perdido.
Heitor permaneceu sereno, os olhos cravados nele, a voz firme como aço:
— Se Nathalia autorizar, sim.
O silêncio caiu como uma lâmina entre eles. Augusto respirava pesado, os punhos cerrados, enquanto Heitor permanecia firme, sério, e ao mesmo tempo preocupado.
Porque, por trás do deboche, a verdade era clara: ele não ia deixar ninguém, nem mesmo Augusto Monteiro, ferir Eloise de novo sem antes provar que merecia estar ao lado dela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...