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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 14

Capítulo 14

A festa seguia envolta em luxo e risos contidos. Pessoas elegantes circulavam com taças de champanhe nas mãos, uns discutindo negócios com seriedade, outras contando casos curiosos e rindo alto para impressionar. Mas, em um canto mais discreto do salão — entre empresários ávidos por conexões e bajuladores sorridentes demais —, Lorenzo Mello se destacava em silêncio. Segurava sua taça de espumante como quem já acreditava ter conquistado metade do que ambicionava. Seu olhar percorria o ambiente com atenção calculada, buscando rostos influentes, nomes de peso... contratos.

A noite era sua chance de se infiltrar naquele mundo. Ali, entre homens de ternos sob medida e mulheres com joias cintilantes, ele acreditava que poderia enfim firmar seu nome. O nome da empresa. A escalada para o topo. O que ele queria era simples: poder.

Ao lado dele, Nicole rodava a taça sem graça, vestida num modelo chamativo demais para a ocasião. Confundia excesso com sofisticação, cafuné com elegância. O vestido justo, o brilho exagerado e o decote gritavam para serem notados.

— É hoje, Nicole. Hoje que tudo muda — Lorenzo sussurrou, ajustando a postura. — Se eu fechar com um dos patrocinadores da Monteiro ou com qualquer um desses tubarões... a gente sobe.

— Você merece, amor. Você é muito melhor que aqueles engravatados metidos. — disse, lançando um olhar enviesado para o centro do salão.

E então, ela congelou.

— Espera... aquilo é...?

Lorenzo seguiu o olhar dela e o mundo pareceu vacilar por um instante.

Augusto Monteiro.

Ao lado dele... Eloise.

Com um vestido que poderia ter sido costurado no próprio corpo, colar cintilando rubis sob a luz dourada, e um olhar altivo, ainda que tenso.

O coração de Lorenzo bateu mais forte. Nicole apertou seu braço, surpresa.

— Prima Eloise?! — murmurou, entre o choque e o ressentimento.

Do outro lado, Eloise também os havia visto. O sorriso discreto no rosto desfez-se no instante em que os olhos encontraram os de Lorenzo.

Ela inclinou levemente a cabeça para Augusto e murmurou com um nó na garganta:

— O que eles estão fazendo aqui?

Augusto percebeu a mudança nela na mesma hora. Viu nos olhos dela o desconforto, a dor ainda não cicatrizada — e odiou aquilo. Odiou Lorenzo. Odiou aquele sentimento em Eloise que não era mais orgulho, nem força... era mágoa.

— Eu não sei — respondeu ele, a voz baixa e firme. — Mas se quiser, mando retirá-los.

Ela mal teve tempo de processar. O casal já se aproximava.

Nicole, com aquele sorriso que misturava doçura fingida e veneno bem calculado, foi a primeira a falar:

— Oi, prima! Que surpresa boa te ver aqui! — a voz era suave, mas o tom era carregado de malícia. Como quem dissesse: Você não pertence a este lugar.

Eloise engoliu seco. O sangue parecia ferver, mas ela manteve a postura. Não cederia.

Augusto, ao lado, captou cada nuance daquilo. E naquele instante, entendeu. Não era só um ex. Era humilhação. Era história mal contada, ferida mal curada. Algo dentro dele se acendeu — um instinto silencioso de proteger.

Lorenzo estendeu a mão para Augusto, o sorriso artificial e o olhar bajulador. Estendeu a mão na direção de Augusto como quem esperava uma oportunidade de ouro.

— Senhor Monteiro… que honra. Sou Lorenzo Mello. Já nos vimos naquele restaurante, lembra?

Augusto apenas olhou para a mão estendida. Depois, para o rosto dele.

Não disse nada.

Não moveu um músculo.

— Vamos.

E sem dizer mais nada, ele a conduziu para a varanda, rompendo a multidão, enquanto o passado de Eloise ficava para trás... ao menos por aquela noite.

O ar fresco da varanda bateu no rosto de Eloise como um alívio momentâneo, mas não era suficiente. O peito dela ainda doía, e por mais que tentasse manter a pose, o caos dentro dela era um vendaval prestes a romper.

Ela apoiou as duas mãos na mureta de vidro, fechando os olhos por um segundo. A cidade brilhava abaixo, indiferente ao colapso silencioso que ela travava ali em cima.

Augusto ficou em silêncio por um momento, próximo, mas sem tocá-la. Observava cada movimento, cada respiração contida, como quem esperava a tempestade.

— Você falou que eu era sua namorada. — Ela cuspiu as palavras como se ardessem na garganta. A voz era baixa, mas carregada. — Minha namorada, Augusto! Na frente da Nicole. Na frente do... dele.

Ele manteve o olhar fixo nela, mas não respondeu.

— Como eu explico isso pro meu pai? — continuou, girando para encará-lo com olhos faiscando, a respiração entrecortada. — Me diz, como eu vou olhar nos olhos dele e explicar que virei um peão no seu joguinho com a sua ex?

A dor, o orgulho, a confusão — tudo saía embolado, cru. E por um instante, Augusto percebeu que não sabia o que fazer com aquilo. Não estava preparado para a Eloise real, machucada, exposta.

— Você mentiu, Augusto. Usou meu nome... a minha imagem... sem nem me avisar! Você me colocou no meio do seu jogo, e nem sequer perguntou se eu queria jogar.

Ela passou a mão pelo rosto, nervosa. Quase chorou. Quase. Mas não ia dar esse gostinho a ninguém.

— Meu pai vai achar que eu sou... — a voz falhou. — Que eu sou o que a Nicole disse. Uma interesseira. Uma mulher fácil.

Silêncio.

Augusto se aproximou, mas ainda sem tocá-la. Pela primeira vez, o homem que dominava impérios não sabia como consertar o que quebrara com uma única palavra.

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