As peças escondidas
Eloise saiu da sala com as pernas trêmulas. A porta se fechou atrás dela, mas as palavras de Augusto ainda queimavam em sua mente como brasas.
Do lado de fora, Heitor estava encostado à parede, braços cruzados. O olhar dele caiu imediatamente sobre ela: os olhos vermelhos, o rosto molhado, a respiração descompassada.
Ele deu um passo à frente, o tom mais sério do que nunca:
— Eloise… — chamou baixinho. — Vai encontrar a Nathalia. Ela avisou que vocês vão almoçar juntas.
Ela tentou protestar, mas ele ergueu a mão.
— Não precisa voltar hoje. Tire a tarde de folga. Respira. Você merece, entende?
O peito dela arfou. Agradeceu apenas com um aceno, antes de seguir apressada pelo corredor.
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No banheiro da empresa, Eloise se apoiou na pia de mármore. O espelho a encarava sem piedade. Os olhos estavam vermelhos, já começando a inchar. Passou os dedos pelas pálpebras úmidas, mas não adiantou.
— Eu vou te arrancar do meu coração, Augusto Monteiro… — murmurou, a voz falhando. — Nem que eu precise me destruir junto.
Respirou fundo, encheu as mãos de água fria e jogou no rosto, tentando recompor a imagem de uma mulher que não queria se ver quebrada.
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No o corredor branco da clínica parecia mais frio que de costume. Eloise caminhava apressada, o coração acelerado pela ansiedade de ver o pai. Ela precisa do colo dele mesmo que sedado. Só o calor do pai nesse momento aqueceria deu coração em pedaços.
Mas, quando se aproximou da porta do quarto, parou. A pequena janelinha de vidro mostrava o interior: Cláudia estava lá dentro, sentada perto da cama, como se fizesse parte daquela rotina há anos.
O coração de Eloise bateu forte.
— O que dona Cláudia faz ali? — murmurou, encostando-se à parede.
As palavras dela voltaram como um eco: “Foi um favor pago”.
Eloise fechou os olhos, confusa.
— Então… o favor era para o meu pai? — sussurrou, engolindo seco. — Mas como? Eles se conhecem?
Um nó de desconfiança se formou em seu peito.
Antes que pudesse raciocinar, o toque alto do celular ecoou pelo corredor silencioso. Eloise levou um susto, apertando o aparelho contra o peito, o rosto queimando de nervosismo.
Olhou em volta, assustada com a ideia de Cláudia ouvir e sair do quarto. Sem pensar, correu até a outra ala da clínica, só então deslizando o dedo na tela para atender.
— Oi, Nathalia… — disse, sussurrando.
— Eloise? — a amiga respondeu, confusa. — Por que você tá falando baixo, louca?
Ela respirou fundo, tentando disfarçar.
— Sei lá… já estou indo.
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Seguiu pelo corredor, tentando recompor o semblante. Quando chegou ao refeitório, encontrou Nathalia em uma mesa perto da janela, ao lado de Emma.
Nathalia acenou, sorrindo.
— Amiga. A Emma queria saber como você estava, então chamei para almoçar com a gente . Espero que não tenha problema.
Eloise forçou um sorriso, aproximando-se.
— Claro que não, louca.
Emma levantou-se e a abraçou com carinho.
— Eu não aguento mais… — murmurou, a voz falhando. — Eu me entreguei inteira. E ele… me esmagou como se eu não fosse nada.
Nathalia fechou os olhos por um instante, tentando engolir a raiva. Depois apertou a mão da amiga com força, como quem jurava proteção.
— Você não é nada? — repetiu, indignada. — Você é tudo. Você é incrível, Eloise. Forte, corajosa, luz. Ele que foi um ogro cego, surdo, idiota. Nunca mais alguém vai fazer você acreditar no contrário.
Emma se aproximou ainda mais, envolvendo-a num abraço de lado.
— Chora, amiga. Chora tudo o que tiver pra chorar. Mas depois você levanta, porque você não está sozinha. Nós estamos aqui.
Eloise soluçou, os ombros tremendo, mas apertou as mãos delas como quem encontrava uma tábua de salvação.
— Eu não sei se consigo esquecer…
— Vai conseguir. — Nathalia respondeu, firme. — Porque eu e a Emma não vamos deixar você cair.
Emma completou com doçura:
— Você não perdeu nada. Ele é quem perdeu. E agora você tem a gente.
O choro veio mais forte, mas, pela primeira vez, parecia um choro de libertação.
Nathalia pegou um guardanapo e enxugou o rosto da amiga com cuidado, suspirando teatralmente:
— Pronto, acabou a sessão. E olha, eu sou psicóloga cara, tá? Pagamento é feito com bolo de chocolate.
Eloise riu entre lágrimas, Emma também caiu na gargalhada, e por alguns segundos a mesa se encheu de leveza.
Foi nesse clima que Emma, mordendo um pedaço de pão e tomando um gole de suco, deixou escapar:
— Amanhã tenho um jantar com o Thiago.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...