Tabuleiro e o Whisky
O bar do hotel Imperial estava quase vazio. Luz baixa, música de jazz ao fundo, taças tilintando aqui e ali. Lorenzo Mello entrou com a calma estudada de quem sabe o impacto que causa: terno impecável, gravata afrouxada, sorriso frio nos lábios.
Na mesa mais reservada, uma mulher já o esperava. Cabelos escuros caindo sobre os ombros, vestido justo, postura confiante. Um lenço delicado no pescoço identificava o contato “Pote de Ouro” que, enfim, tinha um rosto.
Thamires Santana.
Ele caminhou em sua direção, ela ergueu a taça de vinho ao vê-lo se aproximar, a expressão serena, mas os olhos atentos.
— Então você é quem está tão interessado em me ver. — disse, a voz aveludada, carregada de segurança. — Eu não costumo ceder a convites de estranhos.
Lorenzo sentou-se diante dela sem pressa, os olhos faiscando malícia.
— E, ainda assim, aqui está. — rebateu, sorrindo de canto. — Estranhos às vezes têm mais a oferecer do que os velhos conhecidos.
Thamires arqueou a sobrancelha, degustando o vinho com calma.
— Está confiante demais para quem nem sabe com quem está lidando.
Ele inclinou-se sobre a mesa, a voz baixa, sedutora:
— Ah, eu sei. Eu conheço o império Santana. Sei como vocês jogam. E, pelo brilho nos seus olhos, sei que você não está aqui apenas para beber.
Thamires manteve o sorriso calculado, mas o silêncio dela foi resposta suficiente.
Minutos depois, os dois subiam juntos no elevador, as portas se fechando como um pacto silencioso.
No quarto, a tensão era quase palpável. Thamires deixou a bolsa sobre a poltrona, Lorenzo tirou o paletó e jogou sobre a cadeira. Ela se virou de frente para ele, braços cruzados.
— Vamos cortar o jogo, Lorenzo. — disse, direta. — O que você quer de fato?
Ele se aproximou devagar, os olhos fixos nos dela.
— Quero saber o que você tem contra Eloise. — respondeu, firme. — O que ela te fez para merecer tanto ódio?
Thamires soltou uma risada curta, sem humor.
— Ela atravessou o meu caminho. — disse, fria. — E ninguém atravessa Thamires Santana impunemente.
Lorenzo sorriu, como quem acabava de ouvir a senha de um cofre.
— Então estamos em sintonia. — murmurou. — Porque eu sei exatamente como destruir Eloise.
Os olhos dela se estreitaram.
— E o que te faz pensar que eu confiaria em você?
Ele inclinou a cabeça, a voz carregada de veneno e desejo.
— Talvez o fato de eu ser o ex-noivo dela.
O choque rápido nos olhos de Thamires foi involuntário, mas Lorenzo captou.
— Conheço Eloise como a palma da minha mão. — continuou. — E você quer saber as fraquezas dela.
Ele deu um passo à frente, reduzindo a distância.
— Eu não quero dinheiro. — disse, a voz baixa, firme. — Já tenho de sobra. O que eu quero é poder. Quero respeito. E sei que, ao lado da família Santana, eu posso ter os dois.
Thamires caminhou em volta dele, como uma predadora avaliando a presa. Parou às suas costas e sussurrou perto do ouvido:
O celular vibrou sobre o balcão. Augusto demorou alguns segundos para atender.
— Fala. — respondeu com a voz rouca.
Do outro lado, a voz de Thiago soou séria, mas carregada de preocupação:
— Onde você está, cara?
— No bar do clube. — respondeu, passando a mão no rosto. — Não vou voltar para empresa… não consigo entrar e ver a cara da Melissa sem querer arrancar ela de lá com as próprias mãos.
Houve um silêncio breve. Thiago respirou fundo.
— Fica aí. Não faz besteira.
Thiago encerrou a ligação, mas os dedos não pararam até disparar a mensagem no grupo que mantinha com Thomas e Heitor:
“O cabeça dura precisa de apoio agora.”
A resposta não demorou.
Thomas foi o primeiro:
“Manda a localização. Estou a caminho.”
Logo depois, Heitor, curto e direto:
“Claro que está. Ele nunca aprende. Mas 20 minutos tô lá "
Thiago soltou o ar, como quem carregava o peso de manter todos de pé. Sabia que naquela noite Augusto Monteiro precisava de amigos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...