O Peso do Amor
O bar reservado do clube de sócios estava quase vazio, iluminado apenas pelas luzes âmbar refletindo nos copos de whisky. Augusto ocupava a ponta da mesa, o olhar perdido, já meio bêbado, afundado na própria culpa.
Pouco depois, Thiago, Thomas e Heitor chegaram juntos. Heitor, sempre debochado, levou também André, seu assistente, e já entrou rindo da situação:
— Ele brigou com a noiva, tá sofrendo… achei que beber ia ajudar.
Augusto ergueu os olhos pesados para os amigos. A bebida escorria fácil, mas a dor em seu peito continuava latejando. Não demorou para o assunto recair sobre Eloise.
Thiago foi o primeiro a falar, firme, mas com a calma de quem tentava puxar o amigo para a razão:
— Augusto, você precisa assumir que errou. — disse, encarando-o. — Julgou sem ouvir, não deu sequer uma chance para ela se explicar. Nem o benefício da dúvida você concedeu a Eloise.
Augusto abaixou os olhos para o copo, o silêncio pesado denunciando a culpa.
Foi então que Heitor se inclinou para frente, o tom ácido e sem dó:
— Você foi burro, Augusto. — disparou. — A Eloise gritou a verdade mil vezes, e você preferiu acreditar em uma mentira. .
Ele tomou um gole do whisky, sem desviar o olhar.
— E não se engane… a Nathalia nunca vai deixar barato. Ela protege a Eloise como se fosse irmã. E Talvez… de verdade Augusto, talvez seja tarde demais pra você recuperar a confiança dela.
André, já sobrecarregado pelo álcool e pela própria dor, deixou a voz embalar na sinceridade amarga:
— Se me permite, senhor Monteiro… você jogou a Eloise aos leões quando ela mais precisava de você. — fez uma pausa, respirando fundo. — A minha noiva sempre diz que nenhuma mulher esquece isso… porque o medo de ser novamente desacreditada ou abandonada nunca some. E, talvez por isso… ela ache que a Eloise nunca vai conseguir te perdoar.
Enquanto os três homens já tinham esvaziado várias taças, Thomas permanecia sóbrio, observando em silêncio. Mas quando Augusto afundou a cabeça entre as mãos, ele decidiu intervir, com a voz calma e firme:
— Augusto… você pode amar a Eloise o quanto quiser. — disse, olhando nos olhos dele. — Mas agora não basta dizer. Você vai ter que lutar todos os dias para merecer estar ao lado dela.
Augusto ergueu o rosto, os olhos vermelhos pelo álcool e pela dor.
— Eu sei… — murmurou, com a voz embargada. — Eu sei, Thomas. Mas eu não sei como.
Heitor bateu o copo na mesa, impaciente:
— Como? — repetiu, debochado. — Começando por não ser burro outra vez. Se não aprender a ouvir, você perde de vez.
Thiago completou, sincero, mas duro:
— O Heitor tem razão Augusto. Quem ama não condena sem prova, não vira as costas na primeira queda. Se quer Eloise de volta, vai ter que mostrar que merece.
Augusto apertou o copo com força, como se fosse desmoronar junto.
— Eloise… — repetiu, quase num sussurro. — Eloise… é a única coisa que me mantém de pé.
Thomas apoiou os cotovelos na mesa, encarando Augusto com firmeza:
— Augusto… amor sem confiança não existe. — disse pausadamente, deixando as palavras pesarem. — Então, se você realmente ama a Eloise, já tem a resposta de onde precisa começar.
A noite seguiu carregada de álcool, confissões e discussões, cada um reagindo ao drama do amigo de um jeito — Heitor com deboche, Thiago com sinceridade, Thomas com maturidade — enquanto Augusto, perdido no copo, só conseguia repetir o nome da mulher que ainda era sua salvação e sua perdição.
Heitor curioso recostou-se na cadeira, girando o copo na mão, e lançou o olhar provocativo de sempre:
— Mas me diz uma coisa, Thomas… você é um mistério, cara. Eu nunca te vi com mulher nenhuma.
Thiago assentiu, rindo de leve:
— tá explicado, então— ergueu o copo em direção a Thomas. — Mulher não falta, mas tá esperando a tal que aguente ficar com esse teu jeito bruto. Cara, desse jeito vai terminar virando monge.
Thiago, ao contrário, inclinou-se para frente, mais sério:
— Não fala besteira, Heitor. Cada um tem sua forma de amar. — disse, firme. — O Thomas só tá sendo honesto. Não é qualquer relação que vale a pena manter, e ele sabe disso.
Thomas apenas deu de ombros, sereno, sem se abalar.
— Exato. Pra quê insistir em algo que não tem futuro?
Foi então que André, que até então só ouvia, se pronunciou, a voz calma, mas carregada de sentimento:
— Eu entendo o Thomas. — disse, olhando os amigos. — No fim, o que importa não é ter muitas mulheres… é ter uma que faça você querer ser melhor todos os dias. — fez uma pausa breve. — Eu tenho a sorte de ter isso com a minha noiva. A gente briga, às vezes… mas é porque nos importamos. O amor verdadeiro pode até machucar, mas também cura.
Heitor rolou os olhos, mas não deixou de sorrir.
— Olha aí… o secretário virou poeta.
Thiago riu baixo, balançando a cabeça.
— Não é poesia, é só a verdade.
A mesa caiu em um silêncio reflexivo. Foi quando Augusto ergueu os olhos vermelhos, a voz rouca, quebrada pelo álcool e pela dor:
— Vocês falam de amor como se fosse escolha… — murmurou. — Mas quando ele te destrói por dentro… não existe fuga. Você pode tentar se divertir, pode fingir que não sente, mas no fim… — a voz falhou, e ele engoliu seco. — No fim, o amor é a única coisa que pode salvar… ou acabar com a gente.
O peso das palavras fez todos se calarem.
E, por alguns segundos, até o riso debochado de Heitor deu lugar a um silêncio que ninguém ousou quebrar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...