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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 134

O Peso do Amor

O bar reservado do clube de sócios estava quase vazio, iluminado apenas pelas luzes âmbar refletindo nos copos de whisky. Augusto ocupava a ponta da mesa, o olhar perdido, já meio bêbado, afundado na própria culpa.

Pouco depois, Thiago, Thomas e Heitor chegaram juntos. Heitor, sempre debochado, levou também André, seu assistente, e já entrou rindo da situação:

— Ele brigou com a noiva, tá sofrendo… achei que beber ia ajudar.

Augusto ergueu os olhos pesados para os amigos. A bebida escorria fácil, mas a dor em seu peito continuava latejando. Não demorou para o assunto recair sobre Eloise.

Thiago foi o primeiro a falar, firme, mas com a calma de quem tentava puxar o amigo para a razão:

— Augusto, você precisa assumir que errou. — disse, encarando-o. — Julgou sem ouvir, não deu sequer uma chance para ela se explicar. Nem o benefício da dúvida você concedeu a Eloise.

Augusto abaixou os olhos para o copo, o silêncio pesado denunciando a culpa.

Foi então que Heitor se inclinou para frente, o tom ácido e sem dó:

— Você foi burro, Augusto. — disparou. — A Eloise gritou a verdade mil vezes, e você preferiu acreditar em uma mentira. .

Ele tomou um gole do whisky, sem desviar o olhar.

— E não se engane… a Nathalia nunca vai deixar barato. Ela protege a Eloise como se fosse irmã. E Talvez… de verdade Augusto, talvez seja tarde demais pra você recuperar a confiança dela.

André, já sobrecarregado pelo álcool e pela própria dor, deixou a voz embalar na sinceridade amarga:

— Se me permite, senhor Monteiro… você jogou a Eloise aos leões quando ela mais precisava de você. — fez uma pausa, respirando fundo. — A minha noiva sempre diz que nenhuma mulher esquece isso… porque o medo de ser novamente desacreditada ou abandonada nunca some. E, talvez por isso… ela ache que a Eloise nunca vai conseguir te perdoar.

Enquanto os três homens já tinham esvaziado várias taças, Thomas permanecia sóbrio, observando em silêncio. Mas quando Augusto afundou a cabeça entre as mãos, ele decidiu intervir, com a voz calma e firme:

— Augusto… você pode amar a Eloise o quanto quiser. — disse, olhando nos olhos dele. — Mas agora não basta dizer. Você vai ter que lutar todos os dias para merecer estar ao lado dela.

Augusto ergueu o rosto, os olhos vermelhos pelo álcool e pela dor.

— Eu sei… — murmurou, com a voz embargada. — Eu sei, Thomas. Mas eu não sei como.

Heitor bateu o copo na mesa, impaciente:

— Como? — repetiu, debochado. — Começando por não ser burro outra vez. Se não aprender a ouvir, você perde de vez.

Thiago completou, sincero, mas duro:

— O Heitor tem razão Augusto. Quem ama não condena sem prova, não vira as costas na primeira queda. Se quer Eloise de volta, vai ter que mostrar que merece.

Augusto apertou o copo com força, como se fosse desmoronar junto.

— Eloise… — repetiu, quase num sussurro. — Eloise… é a única coisa que me mantém de pé.

Thomas apoiou os cotovelos na mesa, encarando Augusto com firmeza:

— Augusto… amor sem confiança não existe. — disse pausadamente, deixando as palavras pesarem. — Então, se você realmente ama a Eloise, já tem a resposta de onde precisa começar.

A noite seguiu carregada de álcool, confissões e discussões, cada um reagindo ao drama do amigo de um jeito — Heitor com deboche, Thiago com sinceridade, Thomas com maturidade — enquanto Augusto, perdido no copo, só conseguia repetir o nome da mulher que ainda era sua salvação e sua perdição.

Heitor curioso recostou-se na cadeira, girando o copo na mão, e lançou o olhar provocativo de sempre:

— Mas me diz uma coisa, Thomas… você é um mistério, cara. Eu nunca te vi com mulher nenhuma.

Thiago assentiu, rindo de leve:

— tá explicado, então— ergueu o copo em direção a Thomas. — Mulher não falta, mas tá esperando a tal que aguente ficar com esse teu jeito bruto. Cara, desse jeito vai terminar virando monge.

Thiago, ao contrário, inclinou-se para frente, mais sério:

— Não fala besteira, Heitor. Cada um tem sua forma de amar. — disse, firme. — O Thomas só tá sendo honesto. Não é qualquer relação que vale a pena manter, e ele sabe disso.

Thomas apenas deu de ombros, sereno, sem se abalar.

— Exato. Pra quê insistir em algo que não tem futuro?

Foi então que André, que até então só ouvia, se pronunciou, a voz calma, mas carregada de sentimento:

— Eu entendo o Thomas. — disse, olhando os amigos. — No fim, o que importa não é ter muitas mulheres… é ter uma que faça você querer ser melhor todos os dias. — fez uma pausa breve. — Eu tenho a sorte de ter isso com a minha noiva. A gente briga, às vezes… mas é porque nos importamos. O amor verdadeiro pode até machucar, mas também cura.

Heitor rolou os olhos, mas não deixou de sorrir.

— Olha aí… o secretário virou poeta.

Thiago riu baixo, balançando a cabeça.

— Não é poesia, é só a verdade.

A mesa caiu em um silêncio reflexivo. Foi quando Augusto ergueu os olhos vermelhos, a voz rouca, quebrada pelo álcool e pela dor:

— Vocês falam de amor como se fosse escolha… — murmurou. — Mas quando ele te destrói por dentro… não existe fuga. Você pode tentar se divertir, pode fingir que não sente, mas no fim… — a voz falhou, e ele engoliu seco. — No fim, o amor é a única coisa que pode salvar… ou acabar com a gente.

O peso das palavras fez todos se calarem.

E, por alguns segundos, até o riso debochado de Heitor deu lugar a um silêncio que ninguém ousou quebrar.

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