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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 135

Culpa e perdão

O quarto branco guardava um silêncio quase sagrado. Eloise estava sentada ao lado da cama, com a tigela de sopa nas mãos, ajudando o pai a cada colherada lenta. O coração dela ainda carregava preocupação, mas havia também alívio — ele estava acordado.

Carlos parecia melhor. Fraco, sim, mas os olhos estavam abertos, atentos, a respiração mais ritmada. Os lábios se moveram devagar.

— Obrigado… minha menina. — Murmúrio rouco

Eloise deixou escapar um soluço, as lágrimas deslizando pelo rosto enquanto sorria em meio ao choro.

— Graças a Deus, pai. — disse, a voz embargada. — Eu sabia que o senhor não me deixaria sozinha. O senhor Carlos é forte.

Foi nesse instante que a porta se abriu. Eloise ergueu o rosto e viu Cláudia parada à porta, séria, mas visivelmente nervosa. Ela tinha sido informada da melhora dele pelos médicos e correu para o hospital.

O momento em que Carlos a avistou foi como uma explosão silenciosa. Os olhos dele se arregalaram, o corpo reagiu de imediato. O coração disparou, fazendo o monitor apitar alto, os alarmes em sequência cortando o ar do quarto.

— Cláudia… — a voz dele saiu fraca, arrastada, mas carregada de uma intensidade que ninguém poderia ignorar.

O bip frenético fez a sala se transformar em caos. Médicos e enfermeiras entraram às pressas, empurrando carrinhos, ajustando tubos, pedindo espaço.

Tudo pareceu acontecer em câmera lenta. Eloise chorava, tentando segurar a mão do pai.

— Pai! — gritava, desesperada. — Fala comigo, por favor! Não me deixa… Pai!

Uma enfermeira a afastou com firmeza, abrindo passagem. Outra se virou para Cláudia e também a empurrou para fora, fechando a porta atrás delas.

O corredor ficou em silêncio. Eloise encostou-se à parede, o coração disparado, as lágrimas queimando no rosto. Cláudia estava ao lado, imóvel, como uma estátua.

Eloise virou-se para ela, a voz embargada, mas firme:

— Cláudia… — murmurou, enxugando o rosto com a manga da blusa. — Você conhece o meu pai?

O olhar de Cláudia vacilou. O silêncio dela foi mais revelador do que qualquer palavra.

— Por favor… me responde! — implorou Eloise, com a voz trêmula. — Quem é você para ele?

Cláudia deu um passo para trás, os olhos cheios de culpa.

— Me desculpa, Eloise… — sussurrou, a voz embargada. — Eu não devia ter vindo aqui. Eu sabia que não devia…

Virou-se apressada e começou a caminhar pelo corredor, o salto ecoando como marteladas.

Eloise ficou parada, o coração em pedaços, sem entender nada.

Cláudia, por sua vez, murmurava para si mesma enquanto se afastava:

— Droga… não era pra ele me ver. Não assim.

E, no fundo, sabia que acabara de abrir uma ferida que não conseguiria mais esconder.

Algum momento depois

O médico ajeitou os óculos, a expressão calma, mas firme:

— Senhorita Eloise, aparentemente seu pai ficou… nervoso. Isso pode acontecer no processo de recuperação, mas é fundamental que ele não passe por estresse agora. — explicou. — Sedamos para que ele descanse. Amanhã será um novo dia.

Eloise desviou, recuando. Os olhos dela estavam úmidos, mas firmes.

— Você já implorou antes, Augusto. Implorou por verdades que eu te dei e você não quis acreditar. — a voz dela era cortante. — Agora não adianta vir aqui bancar o arrependido.

Ele passou a mão pelo cabelo, desesperado, a respiração pesada.

— Eu vi, Eloise. Eu vi o vídeo, eu sei que errei. Eu bebi, eu quase enlouqueci essa noite… mas eu te amo. Eu te amo como nunca amei ninguém.

As lágrimas dela finalmente caíram, mas o tom não vacilou:

— Amar não é me esmagar, Augusto. Não é me acusar, me humilhar, me trocar por outra. O seu amor só me trouxe dor.

Ele tentou segurar a mão dela, mas Eloise puxou com firmeza.

— Não… — murmurou, com os olhos marejados. — Não faz isso comigo. Não me empurra pra longe Eloise.

— Você já me perdeu. — interrompeu, firme. — E, se continuar assim, vai perder a si mesmo também.

O silêncio entre eles foi cortado apenas pelo som de um carro passando na rua.

Augusto ficou ali, paralisado, o corpo pesado como chumbo. Eloise, de costas, caminhou em direção à entrada do hospital sem olhar para trás.

Ele murmurou sozinho, baixo, como se as próprias palavras fossem lâminas:

— Eu já me perdi, Eloise… e sem você, não tem caminho de volta.

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