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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 136

Peças do jogo.

A sala de Nathalia estava iluminada apenas por uma luminária de canto. O sofá macio era o refúgio onde Eloise se afundava, com uma xícara de chá quente nas mãos. A cabeça latejava com tudo que tinha vivido.

Nathalia, sentada ao lado dela com as pernas cruzadas, não tirava os olhos da amiga.

— Então ele apareceu no hospital? — perguntou, já imaginando a resposta.

Eloise assentiu, os olhos marejados.

— Apareceu… todo destruído, bêbado, implorando. — respirou fundo, a voz embargada. — Mas eu não consigo esquecer o que ele fez. O que eu faço, Nathalia? O que eu faço para esquecer esse homem?

Nathalia inclinou-se, pegando a mão da amiga.

— Você não esquece de um dia para o outro, Eloise. — disse, firme, mas doce. — Você atravessa. Cada dia é uma batalha. Mas você já começou a vencer quando disse "não".

Eloise mordeu o lábio, a raiva misturada à dor.

— Eu tenho raiva, mas ainda assim… me preocupo com ele. — confessou, escondendo o rosto entre as mãos. — Como se eu fosse idiota.

— Não é idiotice. — respondeu Nathalia, acariciando seus ombros. — É amor. Mas amor também pode ser veneno, e você não pode deixar isso te destruir.

— Então me ensina… — Eloise levantou o rosto, lágrimas nos olhos. — Me ensina a esquecer, Nathalia.

Nathalia respirou fundo, pensou e respondeu sem rodeios:

— Não é esquecer. É se lembrar de você. Toda vez que ele ocupar sua cabeça, você vai lembrar de quem você é, do que você vale, e de quem esteve do seu lado quando ele não esteve.

O silêncio caiu entre elas, pesado, mas cheio de verdade. Eloise abraçou a amiga com força, como se buscasse se recompor no colo de Nathalia.

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Enquanto isso, do outro lado da cidade, a noite seguia em outro ritmo.

Na garagem do prédio da Monteiro Corp, Melissa estava prensada contra a parede, trocando beijos ardentes com um dos funcionários da área de TI, um rapaz de terno desalinhado e crachá pendurado no bolso.

— Você é louco, Eduardo… — sussurrou, ofegante, sorrindo com malícia.

Ele riu baixo, deslizando os dedos pela cintura dela.

— Louco seria se eu não aproveitasse essa chance. — disse, antes de puxá-la para mais perto.

Entre um beijo e outro, a voz dele veio carregada de algo mais do que desejo:

— Você sabe… o servidor ainda tem rastros do projeto. — murmurou, quase como um segredo. — Se alguém abrir os relatórios de backup, vai ver que não foi a Eloise.

Melissa afastou-se de repente, os olhos arregalados.

— Como é que é? — perguntou, séria, o coração acelerado.

Eduardo ajeitou os óculos, nervoso.

— Eu vi os arquivos. Se cruzarem as datas, fica claro que a Eloise não tem nada a ver com o vazamento.

O silêncio caiu por um segundo. Então Melissa sorriu, um sorriso frio, venenoso.

— Eu sou uma gênia… — murmurou para si mesma, os olhos brilhando de malícia.

Eduardo franziu a testa.

— O que você quer dizer com isso?

Ela acariciou o rosto dele, como se o acalmasse.

— Nada que você precise se preocupar. — respondeu, doce, antes de puxá-lo para mais um beijo.

Ela se levantou sem pressa, abriu a porta. O investigador entrou, sério, o sobretudo ainda úmido pela garoa da noite.

Sem rodeios, estendeu-lhe um envelope pardo.

— Novas fotos, senhora Carla. — disse em tom baixo. — Rastreamos os últimos movimentos da mulher que pediu.

Carla pegou o envelope, desconfiada. Abriu e começou a folhear as fotos.

Na primeira, flashes borrados: uma mulher disfarçada, óculos escuros, chapéu baixo.

— Márcia… — Carla murmurou, reconhecendo os traços mesmo com a tentativa de se esconder.

Virou a próxima foto e congelou.

Márcia estava sentada à mesa de um restaurante discreto. Em frente a ela, um homem de postura imponente, cabelos grisalhos, expressão séria.

Carla levou a mão à boca, os olhos arregalados.

— Não pode ser… — murmurou, o coração disparado. — José Monteiro?

As fotos tremiam em suas mãos. A mente dela corria em círculos, tentando encaixar as peças.

O investigador a observava, atento.

— A senhora quer que investiguemos o que tem entre eles dois ?

Carla ainda encarando a imagem.

— Sim, quero respostas rápidas.

Enquanto o silêncio pesava no ar, ela não sabia: mas aquele envelope tinha acabado de abrir as portas para um jogo perigoso. Um jogo do passado que estava prestes a explodir no presente.

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