Entre Reviravoltas
O restaurante discreto, em um canto reservado de Cidade Norte, estava quase vazio àquela hora. As luzes baixas e o cheiro de vinho tinto no ar criavam a atmosfera perfeita para encontros em que nada podia ser ouvido além da mesa.
Melissa chegou primeiro. O blazer bem ajustado escondia a pressa com que viera, mas o olhar denunciava ansiedade. Seus dedos tamborilavam na taça de água até que Thamires entrou — sempre impecável, passos firmes, como se fosse dona do lugar.
— Você pediu com tanta urgência que eu quase não vim. — disse Thamires, sentando-se com um ar de tédio. — Espero que não tenha me feito perder meu tempo.
Melissa inclinou-se para frente, o sorriso frio nos lábios:
— Confia em mim, você vai gostar.
Thamires arqueou a sobrancelha, mas fez um gesto para que ela prosseguisse.
Melissa respirou fundo, saboreando o impacto que suas palavras teriam:
— Já sabemos que a Eloise é a queridinha do Monteiro… e que, por mais que ele tente, não vai tirá-la do coração. Então, se não conseguimos afastá-la… vamos enterrá-la debaixo de provas. Plantadas, calculadas, irrefutáveis.
O olhar de Thamires finalmente brilhou de interesse.
— Provas? — repetiu, apoiando o queixo na mão. — Continue.
Melissa sorriu, mais confiante:
— Tenho acesso a áreas da empresa que ninguém suspeita. Arquivos, documentos, cópias de servidores. Se um "vazamento" aparecer com o nome dela vinculado… Monteiro não vai ter como defendê-la. Vai parecer que ela vendeu informações.
Thamires soltou uma risada baixa, elegante e cruel.
— Você é mais venenosa do que eu pensava.
— Sou uma gênia. — Melissa respondeu, erguendo a taça de vinho que acabara de pedir. — E com a sua influência, Thamires, ninguém vai duvidar da narrativa.
Houve um momento de silêncio, em que Thamires apenas a observou, como se calculasse cada risco. Então, assentiu lentamente.
— É uma boa ideia. Precisa ser lapidada… mas é boa. Muito boa. — murmurou, a ponta dos lábios curvando-se num sorriso gelado.
Melissa sorriu satisfeita.
Poucos minutos depois, já na calçada iluminada pelas luzes frias da cidade, Thamires caminhava até o carro. O salto batia ritmado contra o chão, o celular já em mãos.
Discou um número conhecido.
— Lorenzo. — disse assim que ele atendeu, a voz baixa, envolvente. — Preciso falar com você. Hoje mesmo.
Do outro lado da linha, o silêncio foi a resposta que confirmava o que ela já sabia: um novo tabuleiro estava sendo montado.
___
Amanhecia em Cidade Norte. Os primeiros raios de sol atravessavam as cortinas do apartamento de Nathalia, iluminando o cheiro de café recém-passado e pão quente na mesa.
Na cozinha, Nathalia cantarolava baixinho enquanto arrumava um café reforçado para a amiga. Eloise surgiu pela porta, os olhos ainda inchados da noite anterior. Mas, com a ajuda da amiga, a maquiagem bem feita e o sorriso treinado escondiam todos os vestígios de um coração em pedaços.
— Eu tô horrível, né? — murmurou Eloise, passando a mão no rosto.
— Você acha que a Eloise vai voltar com você se te ver desse jeito? — cortou, firme, os olhos faiscando.
Augusto ficou em silêncio, engolindo seco.
Foi nesse instante que a porta se abriu outra vez. Thiago entrou, tão acabado quanto o amigo: olheiras profundas, a gravata pendurada no ombro, a ressaca estampada no rosto.
— Eu só queria um café. — murmurou, jogando-se na poltrona. — Alguém me explica por que a gente ainda tenta bancar os heróis quando o fígado não ajuda mais?
Cláudia ergueu os olhos ao teto, como quem pedia paciência divina para lidar com aqueles dois.
Cláudia olhou para Augusto desarrumado no sofá e para Thiago largado na poltrona, ambos com cheiro de álcool e cara de derrota. Suspirou fundo, balançando a cabeça.
— Parabéns. — disse, irônica. — Voltaram a ser adolescentes de novo.
Thiago ergueu as mãos em rendição, tentando disfarçar o riso. Augusto apenas abaixou o olhar, envergonhado.
Cláudia, no entanto, suavizou o tom, ajeitando a bolsa no braço.
— E já que vocês estão nesse estado deplorável, vou dar um tempo para vocês, mas vamos almoçar juntos. — decretou, firme, mas com doçura no olhar. — Quero vocês dois de banho tomado, barba feita e com cara de gente. Precisamos conversar, mas não aqui.
Ela deu as costas, abrindo a porta. Antes de sair, lançou o último aviso:
— E não adianta reclamar. Se não aparecerem, eu mesma arrasto vocês pelos colarinhos.
A porta se fechou, deixando Augusto e Thiago em silêncio, trocando olhares cúmplices e derrotados.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...