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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 137

Entre Reviravoltas

O restaurante discreto, em um canto reservado de Cidade Norte, estava quase vazio àquela hora. As luzes baixas e o cheiro de vinho tinto no ar criavam a atmosfera perfeita para encontros em que nada podia ser ouvido além da mesa.

Melissa chegou primeiro. O blazer bem ajustado escondia a pressa com que viera, mas o olhar denunciava ansiedade. Seus dedos tamborilavam na taça de água até que Thamires entrou — sempre impecável, passos firmes, como se fosse dona do lugar.

— Você pediu com tanta urgência que eu quase não vim. — disse Thamires, sentando-se com um ar de tédio. — Espero que não tenha me feito perder meu tempo.

Melissa inclinou-se para frente, o sorriso frio nos lábios:

— Confia em mim, você vai gostar.

Thamires arqueou a sobrancelha, mas fez um gesto para que ela prosseguisse.

Melissa respirou fundo, saboreando o impacto que suas palavras teriam:

— Já sabemos que a Eloise é a queridinha do Monteiro… e que, por mais que ele tente, não vai tirá-la do coração. Então, se não conseguimos afastá-la… vamos enterrá-la debaixo de provas. Plantadas, calculadas, irrefutáveis.

O olhar de Thamires finalmente brilhou de interesse.

— Provas? — repetiu, apoiando o queixo na mão. — Continue.

Melissa sorriu, mais confiante:

— Tenho acesso a áreas da empresa que ninguém suspeita. Arquivos, documentos, cópias de servidores. Se um "vazamento" aparecer com o nome dela vinculado… Monteiro não vai ter como defendê-la. Vai parecer que ela vendeu informações.

Thamires soltou uma risada baixa, elegante e cruel.

— Você é mais venenosa do que eu pensava.

— Sou uma gênia. — Melissa respondeu, erguendo a taça de vinho que acabara de pedir. — E com a sua influência, Thamires, ninguém vai duvidar da narrativa.

Houve um momento de silêncio, em que Thamires apenas a observou, como se calculasse cada risco. Então, assentiu lentamente.

— É uma boa ideia. Precisa ser lapidada… mas é boa. Muito boa. — murmurou, a ponta dos lábios curvando-se num sorriso gelado.

Melissa sorriu satisfeita.

Poucos minutos depois, já na calçada iluminada pelas luzes frias da cidade, Thamires caminhava até o carro. O salto batia ritmado contra o chão, o celular já em mãos.

Discou um número conhecido.

— Lorenzo. — disse assim que ele atendeu, a voz baixa, envolvente. — Preciso falar com você. Hoje mesmo.

Do outro lado da linha, o silêncio foi a resposta que confirmava o que ela já sabia: um novo tabuleiro estava sendo montado.

___

Amanhecia em Cidade Norte. Os primeiros raios de sol atravessavam as cortinas do apartamento de Nathalia, iluminando o cheiro de café recém-passado e pão quente na mesa.

Na cozinha, Nathalia cantarolava baixinho enquanto arrumava um café reforçado para a amiga. Eloise surgiu pela porta, os olhos ainda inchados da noite anterior. Mas, com a ajuda da amiga, a maquiagem bem feita e o sorriso treinado escondiam todos os vestígios de um coração em pedaços.

— Eu tô horrível, né? — murmurou Eloise, passando a mão no rosto.

— Você acha que a Eloise vai voltar com você se te ver desse jeito? — cortou, firme, os olhos faiscando.

Augusto ficou em silêncio, engolindo seco.

Foi nesse instante que a porta se abriu outra vez. Thiago entrou, tão acabado quanto o amigo: olheiras profundas, a gravata pendurada no ombro, a ressaca estampada no rosto.

— Eu só queria um café. — murmurou, jogando-se na poltrona. — Alguém me explica por que a gente ainda tenta bancar os heróis quando o fígado não ajuda mais?

Cláudia ergueu os olhos ao teto, como quem pedia paciência divina para lidar com aqueles dois.

Cláudia olhou para Augusto desarrumado no sofá e para Thiago largado na poltrona, ambos com cheiro de álcool e cara de derrota. Suspirou fundo, balançando a cabeça.

— Parabéns. — disse, irônica. — Voltaram a ser adolescentes de novo.

Thiago ergueu as mãos em rendição, tentando disfarçar o riso. Augusto apenas abaixou o olhar, envergonhado.

Cláudia, no entanto, suavizou o tom, ajeitando a bolsa no braço.

— E já que vocês estão nesse estado deplorável, vou dar um tempo para vocês, mas vamos almoçar juntos. — decretou, firme, mas com doçura no olhar. — Quero vocês dois de banho tomado, barba feita e com cara de gente. Precisamos conversar, mas não aqui.

Ela deu as costas, abrindo a porta. Antes de sair, lançou o último aviso:

— E não adianta reclamar. Se não aparecerem, eu mesma arrasto vocês pelos colarinhos.

A porta se fechou, deixando Augusto e Thiago em silêncio, trocando olhares cúmplices e derrotados.

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