Xeque-mate nas Sombras
O restaurante discreto da Cidade Norte tinha um clima sóbrio: mesas afastadas, toalhas brancas impecáveis e o aroma de carne assada se misturando ao de vinho tinto. Aquele era o lugar ideal para conversas que não podiam ser ouvidas.
Cláudia ajeitou os talheres, observando Augusto e Thiago diante dela. Ambos ainda pareciam carregados da ressaca da noite anterior, mas a expressão séria no rosto dela bastava para impor silêncio.
— Preciso contar algo que descobri. — disse Cláudia, firme, inclinando-se sobre a mesa. — O hospital onde o pai da Eloise esteve… foi pago para dar informação falsa a qualquer pessoa que se apresentasse em nome do Augusto Monteiro.
Thiago ergueu as sobrancelhas.
— Como desconfiávamos.
Cláudia assentiu, os olhos duros.
— Sim. Agora temos provas. Montaram tudo para que você soubesse que a cirurgia do Carlos foi paga com o dinheiro do projeto. Mexeram as peças explorando a ganância de quem estava ao redor.
Augusto apertou o copo com força, a mandíbula cerrada.
— Então tem alguém puxando as cordas por trás. — murmurou, entre dentes. — Mas quem… e com que objetivo?
Cláudia pousou o que restava do vinho na taça e olhou direto para ele.
— A hipótese é clara: querem afastar você da Eloise. Não só isso — continuou, pausada — — querem destruir a reputação dela.
Augusto entendeu, num instante, a fúria acendendo nos olhos.
— Ou seja: pagaram o hospital para que houvesse “provas” de que ela recebeu dinheiro pelo projeto. E, se eu descobrisse a verdade tarde demais… se algo acontecesse ao pai dela, ela nunca me perdoaria. — A voz saiu curta, cortada pela raiva.
— Exato. — Thiago confirmou, sombrio.
Cláudia respirou fundo e completou:
— Temos um nome para investigar.
Não foi preciso dizer mais. Augusto já sabia de quem se tratava. O ódio que subiu a ele era como fogo.
— Se ela estiver envolvida — rosnou, controlando a voz com dificuldade — eu acabo com a vida daquela mulher.
Um silêncio pesado pairou por alguns segundos. Thiago foi o primeiro a romper.
— Precisamos de auditoria. — falou, firme. — Thomas e eu desconfiamos que haja mais traidores.
Cláudia pousou a taça com cuidado; o tilintar no cristal soou como um aviso.
— Concordo. Se me permitir, eu quero conduzir isso do meu jeito.
Augusto inclinou-se para frente, os olhos cravados nela.
— Tem total carta branca, Cláudia. Quero você à frente disso. Como fez na filial do Rio. — disse com firmeza. — Você foi a única que conseguiu desmontar aquele esquema sem deixar rastro.
Cláudia arqueou uma sobrancelha, quase como um desafio.
— Se for para fazer, Augusto, então vamos até o fim. — murmurou. — Mas não esperem que eu jogue limpo.
Thiago deixou escapar um meio sorriso, conhecedor do jeito dela:
— Você nunca j**a limpo, Cláudia.
Ela ignorou a provocação, já mergulhada nos próprios pensamentos.
— Acho que preciso começar pela TI. — disse, calculando cada palavra. — Vou inventar um falso vazamento. Algo rápido, inesperado. O suficiente para que todos corram… e nenhum deles tenha tempo de esconder nada.
Thamires fechou a porta atrás de si e encostou-se nela, os olhos faiscando malícia.
— Fazer você esperar é parte da diversão. — respondeu, sorrindo de canto.
Ela caminhou devagar até a mesa, retirou o casaco e o deixou escorregar pela cadeira. A pele nua dos ombros brilhou sob a luz amarelada do abajur. Lorenzo ergueu as sobrancelhas, o olhar devorando cada detalhe.
— Sempre dramatizando… — ele murmurou. — Mas eu sei que você não veio aqui só para provocar.
Thamires serviu-se de vinho, degustando um gole lento antes de falar:
— Eu tenho o plano perfeito. — disse, com voz baixa e venenosa. — Vamos plantar provas, montar uma narrativa impossível de ser desmentida. Quando a bomba estourar, Eloise vai estar no centro de tudo… envergonhada, humilhada. E o melhor? — sorriu, inclinando-se para frente. — Quero ela lá. Quero ver o rostinho dela quando Augusto for obrigado a esmagá-la diante de todos.
Lorenzo girou o líquido rubro em sua taça, fascinado.
— Você é cruel. — disse, quase admirado. — E eu adoro isso.
Ela se aproximou mais, deslizando os dedos pelo braço dele até alcançar o pescoço.
— Não é crueldade, Lorenzo. — sussurrou contra os lábios dele. — É justiça. Quem atravessa meu caminho precisa pagar.
Ele a puxou pela cintura, os corpos colidindo com força. O beijo veio carregado de raiva e desejo, um embate de luxúria e poder. As mãos dele percorreram suas curvas, enquanto a respiração dela se acelerava contra sua boca.
— Você quer destruir Eloise… — Lorenzo murmurou entre beijos. — E eu quero Augusto de joelhos. Acho que vamos nos divertir muito juntos.
Thamires cravou as unhas em seus ombros, arrastando-o até a cama.
— Então vamos nos divertir do nosso jeito — disse, ofegante. — Com prazer e no pecado.
E, entre risadas abafadas e gemidos intensos, os dois se entregaram um ao outro — selando, no calor da luxúria, um pacto que não seria escrito em papel, mas em sangue e destruição.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...