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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 144

Jogada do Adversário.

O silêncio pesava no corredor. Emma respirou fundo, tentando encontrar as palavras certas.

— Eu posso explicar. — disse, firme, mas o tom suave. — Não quero esconder nada de você. Só… não é agora. Depois conversamos com calma.

Ricardo a olhou demoradamente, como se tentasse puxar da memória um detalhe esquecido. O olhar firme, que normalmente intimidava qualquer um, se suavizou numa ponta de curiosidade.

— Você tem um rosto familiar. — disse, a voz grave ressoando como um eco. — Nós já nos vimos antes, não é?

Nathalia sustentou o olhar dele, sem se intimidar. Pelo contrário, havia algo de desafiante no jeito como arqueou a sobrancelha, um meio sorriso brincando nos lábios.

— Sim. Fiz uma entrevista com o senhor, anos atrás.

Por um instante, os olhos de Ricardo se estreitaram, avaliando-a. Era como se medisse não apenas a lembrança, mas a mulher que ela havia se tornado desde então. Um silêncio breve, denso, se instalou, carregado de algo que nem Emma nem as outras souberam decifrar.

Então, o celular vibrou no bolso do paletó, quebrando o momento. Ricardo suspirou, a seriedade retomando o lugar.

— Preciso ir. — disse, voltando-se para a filha.

Inclinou-se e depositou um beijo lento e carinhoso na testa de Emma. O gesto contrastava com a aura dominadora dele, arrancando da filha um sorriso tímido.

— Se cuida, boneca. — completou, a voz mais baixa, quase paternal demais para aquele homem que parecia feito de aço.

Emma apenas assentiu, o coração disparado.

Ricardo se afastou com a mesma imponência com que surgira, deixando atrás de si um corredor carregado de perguntas sem resposta.

As três amigas se entreolharam, o silêncio pesando por alguns segundos até que Emma, tentando aliviar, esboçou um sorriso nervoso:

— Vamos… Acho que não tem mais clima para ficarmos aqui.

Nathalia forçou uma risada, quebrando o peso.

— Então vamos para o meu apartamento. Chocolate quente, vocês topam?

— Finalmente uma ideia decente. — Sofia murmurou, arrancando risadas.

— Depois da noite que tivemos, acho que precisamos mesmo de chocolate quente. — completou Emma, balançando a cabeça.

Minutos depois, já estavam aconchegadas no apartamento de Nathalia. As xícaras fumegavam sobre a mesa, o aroma doce preenchendo o ar. Entre mantas jogadas no sofá e conversas baixas, o trio encontrou um respiro. Uma trégua momentânea, um refúgio de calor contra as sombras que, silenciosamente, já se aproximavam.

___

O domingo passou rápido demais. Eloise ocupou-se em casa, mergulhada em uma faxina que parecia mais uma tentativa de organizar os próprios pensamentos do que sua casa em si. Mas, por mais que esfregasse, arrumasse e reorganizasse, havia algo que não saía da sua mente.

As palavras de Augusto ecoavam como um sussurro teimoso:

"Todos os dias da minha vida, Eloise, eu vou me dedicar a te conquistar. A implorar por uma chance. Eu vou te provar que nós merecemos uma segunda chance."

Ela fechou os olhos por um instante, sentindo o peito apertar. A mágoa ainda pulsava forte, uma cicatriz aberta que queimava cada vez que lembrava das humilhações. Mas, por mais que tentasse negar, o amor também estava ali, insistente, respirando dentro dela.

E era isso que doía mais: não saber qual dos dois pesava mais na balança. A dor ou o amor. A ferida ou a esperança. Qual deles valeria a pena alimentar?

___

A manhã seguinte amanheceu cinzenta. Uma segunda-feira nublada, com nuvens pesadas e o vento frio cortando as ruas da Cidade Norte.

Eloise acordou cedo, mas não havia ânimo em seus movimentos. O dia parecia carregar o peso de algo que ela ainda não sabia nomear.

— Diga, Pedro.

O rapaz respirou fundo antes de estender a pasta.

— Um funcionário achou acessos suspeitos no sistema. Resolvi investigar… e aqui está tudo que descobrimos.

Augusto pegou o material, abriu — e o choque veio como um soco no estômago. As páginas à sua frente confirmavam algo muito maior do que um simples erro.

Sem perder tempo, ele agarrou o telefone da mesa e discou, a respiração pesada.

— Nathalia… mande o Thiago vir à minha sala imediatamente.

Não esperou resposta. Devolveu o telefone ao gancho com força, os olhos ainda presos na pasta aberta, como se ela queimasse em suas mãos.

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Horas depois, Eloise atravessar as portas de vidro da Monteiro Corp naquela manhã parecia igual a tantas outras. O hall imenso, o som ritmado dos saltos no mármore, funcionários apressados com pastas na mão. Mas bastou Eloise dar alguns passos que percebeu: algo estava errado.

As conversas que enchiam o ambiente cessaram de repente. Alguns se calaram no meio da frase. Outros trocaram olhares furtivos. E, quando Eloise passou, as costas de alguns se curvaram em cochichos abafados.

Ela tentou manter o queixo erguido, mas o estômago revirava. Cada passo parecia mais pesado.

— Bom dia. — murmurou para uma colega do setor, forçando um sorriso.

A mulher respondeu, mas o sorriso foi amarelo, nervoso, e os olhos desviaram depressa.

Eloise respirou fundo, ajeitou a bolsa no ombro e continuou caminhando para o elevador. O coração batia mais forte a cada passo, como se pressentisse que, naquela manhã, nada seria como antes.

Era como atravessar um campo minado invisível. Cada olhar, cada sussurro parecia um estilhaço pronto para explodir sobre ela.

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