Jogada Arriscada.
Eloise chegou no Halls de entrada do andar do RH. Caminhando no corredor os olhares a seguiam como lâminas: alguns disfarçavam, outros encaravam sem pudor. O murmúrio das fofocas parecia crescer a cada passo, como uma onda prestes a engolir.
Emma a viu e quase deixou cair os papéis que segurava.
— Eloise? O que você tá fazendo aqui? — perguntou, a voz carregada de surpresa e nervosismo.
— Recebi um e-mail do RH. — explicou, erguendo o celular para mostrar. — Disseram que eu precisava resolver umas pendências de documentação.
Emma arregalou os olhos, balançando a cabeça.
— Amiga… não é um bom dia pra você estar aqui. — murmurou, baixando a voz.
Mal terminou a frase e uma voz alta, carregada de desprezo, ecoou do fundo da sala.
— Olhem só! — um funcionário apontou, atraindo atenção. — Essa não é a secretária que tentou dar o golpe no senhor Augusto? Quando não conseguiu, foi lá e vendeu o projeto milionário!
O burburinho explodiu. Outro se ergueu, gesticulando.
— Eu ouvi dizer que a empresa vai ter que cortar funcionários por causa dela!
As vozes se sobrepunham, cada frase mais cruel que a outra:
— Vendeu por migalhas…
— Traiu a confiança da Monteiro…
— E ainda tem coragem de aparecer aqui?
O corredor virou um campo de batalha, todos contra uma. Eloise respirou fundo, mas sentiu o coração disparar. O ar parecia rarefeito, o chão fugia sob os pés.
Emma tentou intervir, mas o alvoroço já era maior do que qualquer defesa.
O burburinho aumentava como fogo em palha seca. Eloise tentava se manter firme, mas cada cochicho, cada olhar acusatório parecia arrancar um pedaço de sua dignidade.
Emma segurou o braço dela com força.
— Ignora, Eloise. Não dá corda.
Mas o corredor já era um tribunal.
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No último andar, a atmosfera era outra. Augusto e Thiago estavam trancados na sala de reuniões, documentos espalhados sobre a mesa, a tensão densa no ar.
Thiago esfregava a testa, cansado.
— Se esses acessos forem confirmados, temos um traidor dentro da empresa.
Augusto não respondeu. Apenas folheava a pasta entregue por Pedro mais cedo, cada página aumentando a sombra em seus olhos.
A porta se abriu devagar. Melissa entrou, elegante, o batom vermelho intacto, mas a voz carregava falsa urgência:
— Senhor Monteiro… — ela pausou de propósito, dramatizando. — Há uma confusão no andar de baixo. É sobre a… sua secretária.
Thiago ergueu a cabeça de imediato.
— Eloise? O que aconteceu?
Melissa fez uma pausa calculada, saboreando o momento.
— Os funcionários estão em alvoroço. Aparentemente… descobriram que ela vendeu o projeto. É o burburinho que correu na empresa hoje.
A caneta que estava nas mãos de Augusto partiu-se em dois. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.
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Mas ninguém escutava. As risadas irônicas e os cochichos eram mais altos.
E então, o ding metálico do elevador cortou o ar.
As portas se abriram, e os passos largos de Augusto Monteiro ecoaram pelo corredor. Thiago e Nathalia vieram logo atrás, mas não foi preciso: a simples presença dele bastou.
Como um comando silencioso, todos se calaram. Os olhares se voltaram para ele. A postura ereta, o terno impecável, a aura imponente. O CEO havia chegado.
E o silêncio que se instalou foi mais ensurdecedor do que todo o caos que antecedeu.
O silêncio pesava, até que a voz grave de Augusto cortou o ar.
— O que está acontecendo aqui?
Um dos funcionários mais antigos — conhecido por bajular chefes e ser sempre o primeiro a falar alto — se adiantou. O suor brilhava em sua testa, mas o tom foi seguro, quase triunfante.
— Senhor Monteiro… nós descobrimos acessos suspeitos no sistema. Houve e-mails enviados, dados compartilhados. — ergueu um papel teatral, como se segurasse uma prova irrefutável. — Tudo ligava a conta dessa mulherzinha. Pedro ficou responsável por lhe entregar as provas.
O acusador terminou a fala, o dedo em riste apontando para ela.
Eloise sentiu as pernas tremerem. O silêncio pesou.
Então, Augusto ergueu lentamente os olhos verdes para ela. O olhar que antes a fazia sentir-se segura agora a atravessava como gelo.
E naquele instante, Eloise percebeu: o pior ainda estava por vir.
Pedro, pálido, estava ao lado, segurando uma pasta.
— O relatório…Que eu entreguei — murmurou, com a voz quase falhando.
O bajulador aproveitou a hesitação dele e avançou ainda mais, apontando diretamente para Eloise:
— Sabemos que foi ela. Vendeu o seu projeto, senhor Monteiro. Ajudou a concorrência a colocar milhões no bolso! Traidora!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...