Jogada Arriscada.
Um murmúrio percorreu o corredor, fagulhas em campo seco prestes a incendiar. Olhares atravessavam Eloise como lâminas afiadas, alguns de desprezo, outros de julgamento silencioso.
— Eu não…! — tentou dizer, mas a voz se quebrou no ar, frágil demais diante da onda que crescia.
O coro de veneno ganhou força:
— Sempre desconfiei dessa promoção meteórica.
— Quem sobe rápido demais, cai mais rápido ainda.
— Arruinou a todos nós com essa ambição cega.
Então, uma frase cortou o burburinho, vindo de algum canto:
— Aposto que fez isso porque não conseguiu dar o golpe do baú no senhor Augusto.
O sangue gelou nas veias de Eloise. As lágrimas saltaram aos olhos, o peito se apertou. Abriu a boca, desesperada para negar — mas Augusto ergueu a mão, impondo silêncio.
O olhar verde faiscava, duro, enigmático. Por dentro, ele já tinha decidido: precisava ganhar tempo, deixar os verdadeiros culpados à mostra. Mas para isso… teria que sacrificá-la.
— Eloise Nogueira. — a voz dele soou como trovão. — Diante de todos, você é acusada de trair a confiança desta empresa.
O ar fugiu do peito dela.
— Augusto… não…
Ele a interrompeu, frio, implacável:
— Eu coloquei tudo em suas mãos. E o que recebo em troca? Relatórios, provas, testemunhos. Não há espaço para dúvidas.
Eloise recuou um passo, como se cada palavra fosse um golpe.
— Augusto… — soluçou, o rosto molhado — É assim que você prova que merece uma segunda chance?
Ele avançou um passo, imponente, a sala inteira prendendo o fôlego.
— Você manchou meu nome. O nome da Monteiro Corp. E, acima de tudo, a confiança que eu… — a voz fraquejou por um instante, mas logo voltou ao tom cortante — …que depositei em você. Não existe segunda chance.
As lágrimas escorriam. Ninguém ousava se mover.
— Abriremos uma investigação contra você. — decretou. — E se confirmarem cada detalhe desse relatório, eu mesmo vou me certificar de que nunca mais consiga trabalho em lugar nenhum desta cidade. E vai responder na justiça.
Um choque coletivo percorreu o corredor. Sussurros, celulares discretos gravando, olhos arregalados.
— Augusto! — Nathalia explodiu, incrédula. — Você enlouqueceu? Ontem mesmo implorava por ajuda…
Ele a cortou com o olhar gélido:
— Se quer continuar no seu posto, aconselho que mantenha a língua dentro da boca e respeite seu chefe.
Nathalia engoliu em seco, paralisada.
Eloise, atônita, encarava Augusto como se não o reconhecesse. O homem que dizia amá-la agora a esmagava diante de todos. Sentiu-se ingênua por ter acreditado, ainda que por um instante, em uma segunda chance.
Ele sustentou o olhar dela por alguns segundos. Havia dor escondida sob as camadas de aço — mas era tarde.
— Saia daqui. — disse por fim, virando as costas. — E nunca mais volte.
O corredor explodiu em cochichos. Eloise tentou falar, mas a voz não saiu. As lágrimas caíam, e o peso da humilhação se espalhava como fogo: todos tinham visto, todos comentariam.
No meio da multidão, Melissa sorria discretamente, a câmera captando cada segundo do espetáculo.
Emma, em choque, correu até Eloise, segurando-a pelos ombros com força, ajudando-a a sair.
Augusto respirou fundo, como quem tenta puxar coragem do próprio peito. A mandíbula trincada, e a confissão escapou num sussurro carregado de dor:
— Eu a destruí com as minhas próprias mãos… — fechou os olhos por um instante — e vou pagar por isso se for preciso.
O silêncio que se seguiu pesou mais que qualquer acusação. Thiago engoliu em seco, dividindo-se entre a raiva e a lealdade
— Então vamos pegar quem mexeu no sistema. — disse, respirando fundo. — Mas juro, Augusto, se eu descobrir que você feriu essa mulher de verdade por jogo… eu não sei se vou perdoar.
Augusto inclinou a cabeça, com a expressão dura e cansada.
— Eu não quero que você perdoe. Quero que me entenda. — a voz saiu rouca. — Chama a Cláudia. E ninguém comenta isso fora desse círculo. Se vazarem agora, perdemos tudo.
Thiago assentiu, já puxando o celular do bolso.
— Vou ligar pro Thomas também. E Pedro precisa ser ouvido — disse, com a decisão voltando às palavras. — Vamos sacar quem está por trás disso. E vamos apagar esse fogo antes que se alastre mais.
Quando Thiago discou, Augusto permaneceu por um segundo olhando para o corredor onde Eloise havia sido exposta — um nó no estômago, arrependimento que não cedia à razão estratégica.
— Prometo, Thiago — murmurou para si mesmo, quase inaudível —. Vou descobrir quem fez isso. E vou consertar. Nem que disso eu saia destruído.
Fez uma pausa, olhos fixos no vazio por um segundo, como se calculasse a próxima jogada.
— Preciso de um celular pré-pago. — acrescentou, abrupto. — Alguém que não deixe rastro nas minhas ligações por ora. Consegue arranjar?
Thiago piscou, já entendendo a urgência por trás do pedido.
— Pré-pago? Tranquilo. — sorriu, puxando o celular do bolso. — Vou pedir para o Sousa entregar. Ele faz esse serviço sem alarde.
Enquanto Thiago falava, Augusto ficou um segundo mais olhando para o corredor — onde as sombras da humilhação ainda pareciam pairar — e murmurou, quase um voto:
— Vamos pegar cada um que mexeu nessa teia. Um por um.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...