Os Segredos.
O investigador largou o envelope pardo sobre a mesa, o olhar sério, quase contido.
— Dona Carla… acho que encontramos algo que a senhora vai gostar.
Carla acendeu outro cigarro com calma ensaiada, os dedos elegantes batendo na borda do isqueiro como um metrônomo. Uma nuvem de fumaça azulada subiu, e o sorriso dela foi lento.
— Estou ouvindo.
O homem empurrou o envelope em sua direção.
— Márcia Cruz. Esse é o verdadeiro nome dela. Mello é apenas o de casada.
Carla ergueu as sobrancelhas, interessada.
— Continue.
— Descobrimos que ela teve um relacionamento, abafado com muito cuidado. Quase não sobrou rastro, mas conseguimos encontrar uma peça importante.
Ele puxou uma fotografia antiga, levemente amarelada. Nela, Márcia sorria jovem, vibrante… ao lado de um homem de feições que Carla reconheceu imediatamente. José Monteiro. Mais novo, mas inconfundível.
O cigarro quase caiu de sua mão. Um frio atravessou sua espinha, mas logo a sensação deu lugar a um prazer sombrio.
— Então é verdade… — murmurou, o olhar faiscando.
O investigador prosseguiu, firme:
— O caso terminou de forma abrupta. Logo depois, ela se casou com o senhor Mello, vinte anos mais velho. E, em menos de quatro meses, anunciou a gravidez. É… sugestivo, no mínimo. Ainda mais se lembrarmos que, poucas semanas antes, ela vinha se encontrando às escondidas com esse “amor” do passado.
Ele deixou escapar um sorriso, frio e calculado.
— Isso pode ser suficiente para colocá-la contra a parede. Se essa história vier à tona, a reputação dela pode desmoronar de uma vez.
Carla tragou fundo o cigarro e soltou a fumaça devagar, como se saboreasse a revelação. A risada baixa escapou dos lábios pintados de vermelho.
— A senhora perfeita tem fantasmas no armário… — murmurou, encantada com a manchete que já pulsava em sua mente. — “Será que Antônio Mello é mesmo o pai?”
Fechou o envelope com firmeza, quase como quem sela uma vitória antecipada.
— Ótimo. Prepare tudo. Se Márcia não colaborar, vai aprender o que significa perder o controle.
Carla tragou fundo o cigarro e soltou a fumaça devagar, como se saboreasse a revelação.
— Nicole vai se casar com Lorenzo. — concluiu, gelada. — Custe o que custar.
Ela apagou o cigarro no cinzeiro de cristal, fechou o envelope com firmeza e deixou a fumaça subir em espirais lentas, dançando no ar.
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— E o que você quer de mim, Augusto?
— Que não a deixe sozinha. — pediu, a voz carregada de urgência. — Eu imploro. Fiz isso pela segurança do senhor Carlos… e principalmente pela dela.
Por um instante, Nathalia vacilou. Era a primeira vez que via Augusto Monteiro suplicar de verdade. Não havia arrogância, só desespero.
— Me dá motivos pra acreditar em você. — ela rebateu, afiada. — Como eu sei que isso não é só mais um jogo?
Ele respirou fundo, apoiando a mão no corrimão como se precisasse de algo físico para não ceder.
— Porque eu já perdi tudo uma vez… e não vou deixar que destruam a Eloise. Quem está mexendo com a empresa não quer só me atingir. Quer acabar com ela.
O silêncio se estendeu, pesado, até que Nathalia suspirou, quebrando a tensão.
— Eu vou ficar de olho nela. Mas, Augusto… — ergueu o dedo em aviso — se eu descobrir que está mentindo, que isso tudo não passa de um teatrinho… eu mesma vou garantir que nunca mais chegue perto dela.
Augusto apenas assentiu, aceitando a ameaça como uma sentença justa.
— É mais do que eu mereço. — murmurou. — Mas se eu estiver certo… promete que vai me ajudar?
Nathalia não respondeu. Apenas virou as costas e subiu os degraus, seus saltos ecoando.
Augusto ficou sozinho no escuro. A sombra dele se projetava na parede, maior do que parecia — mas, pela primeira vez, carregada de fragilidade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...