Entrar Via

Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 148

Peças em Movimento.

A sala de Augusto estava mergulhada em silêncio, quebrado apenas pelo tique-taque discreto do relógio. Ele permanecia de pé diante da ampla janela, observando a movimentação da Cidade Norte.

Quase onze da manhã. Um copo de whisky descansava firme em sua mão — mas não era dele que precisava. O que queimava não estava no álcool, e sim no peito.

Esperava Cláudia chegar, mas os pensamentos insistiam em voltar para ela. Eloise.

A imagem dela chorando, os olhos marejados encarando-o como se não o reconhecesse… aquilo o despedaçava. Augusto apertou os olhos, buscando conter a raiva de si mesmo. A humilhação tinha sido planejada como jogada, mas a dor que provocara nela estava longe de ser cálculo.

Pegou o celular com mãos pesadas, hesitantes. Digitou algumas palavras, apagou. Tentou de novo. Até que, respirando fundo, deixou os dedos escreverem o que o coração já gritava:

"Me perdoa, meu anjo. Sei que te destruí e que agora você me odeia. Mas no futuro… no futuro espero que consiga entender e, quem sabe, me perdoar. Eu te amo. Sempre."

Ficou alguns segundos encarando a tela, o reflexo dos próprios olhos verdes nublados pela culpa. Sabia que talvez ela nem lesse, talvez apagasse sem ao menos abrir. Ainda assim, apertou enviar.

O celular vibrou em sua mão, confirmando o envio. Augusto apoiou a testa contra o vidro frio da janela.

Do lado de fora, a cidade seguia seu ritmo. Do lado de dentro, ele carregava o peso de ter sido ao mesmo tempo o carrasco e o protetor da única mulher que amava.

___

O táxi avançava pelas ruas cinzentas da Cidade Norte, mas Eloise mal percebia a paisagem pela janela. A respiração vinha curta, o coração ainda aos pulos. Depois da humilhação pública, ela não pensava em trabalho, não pensava em carreira. Só queria desaparecer.

Quando o carro parou em frente ao prédio, Eloise pagou sem nem contar direito as notas. Subiu apressada, os saltos ecoando pelo hall, e entrou em casa como quem foge de um incêndio. Assim que fechou a porta do quarto, o corpo desabou contra a madeira.

O choro explodiu, descontrolado, vindo das entranhas. Ela escorregou até o chão, os joelhos cedendo, e abraçou as próprias pernas como se pudesse se proteger do mundo inteiro.

— Ele disse… — soluçou, quase sem voz — …disse que ia provar que merecíamos uma segunda chance. Como ele pôde…?

O peito queimava, cada palavra de Augusto ecoando agora como uma punhalada. O mesmo homem que prometera lutar por ela tinha a destruído diante de todos.

Eloise tentou se erguer, mas o corpo tremia demais. Arrastou-se até a cama e deixou-se cair no carpete, o rosto encharcado, o coração em pedaços.

Foi quando o celular vibrou. Primeiro uma notificação, depois outra… e outra. O som se multiplicava até formar uma sinfonia cruel. Com a mão trêmula, Eloise pegou o aparelho.

A tela piscava com links, menções e mensagens.

Um vídeo em destaque. Ela tocou.

Ali estava: a cena da humilhação. O corredor lotado, os olhares, as acusações. A voz fria de Augusto decretando o fim da confiança. Gravado de diferentes ângulos, repetido, ampliado.

As manchetes dos sites não eram mais brandas:

“Secretária executiva da Monteiro Corp acusada de traição corporativa.”

“Golpe interno: funcionária de confiança entrega projeto milionário à concorrência.”

“Augusto Monteiro humilha ex-secretária diante de todos.”

E os comentários… esses eram ainda piores.

“Típico. Conseguiu o cargo porque era amante do chefe. Quando não serviu mais, resolveu faturar por fora.”

“Mulherzinha ambiciosa, não dura nem seis meses em empresa grande.”

“Alguém avisa o Monteiro que se dorme com cobra, uma hora leva o bote.”

---

Longe dali, em um apartamento luxuoso, o som era outro: o estalo de uma rolha de champanhe e risadas ecoando sem pudor.

— À vitória! — Lorenzo ergueu a garrafa antes de estourá-la, o líquido borbulhante espirrando enquanto Thamires gargalhava, repetindo o vídeo da humilhação de Eloise no celular.

Ele serviu a taça dela com um sorriso satisfeito.

— Estamos só começando.

Thamires brindou, os olhos brilhando de crueldade.

— E começamos ganhando. — murmurou, rindo. — Quase que fiquei com dó… quase.

— Precisamos pensar no próximo passo. — Lorenzo se inclinou, a taça erguida entre eles. — Não podemos esperar que eles encontrem os fios soltos. Vamos aproveitar que estão no chão… para pisar mais forte.

As taças tilintaram num brinde amargo, e em seguida Lorenzo puxou Thamires com força, arrastando-a até a cama.

— Depois pensamos nisso. — a voz dele saiu rouca, urgente. — Agora eu quero outra coisa.

As risadas e os suspiros deles se misturaram ao som da taça tombando sobre o carpete, o champanhe ainda borbulhando no cristal caído.

Mas, enquanto eles se davam ao luxo de comemorar e pedir tempo… em outro ponto da cidade, peças do tabuleiro já se moviam em silêncio.

Jogadas calculadas, planejadas com precisão cirúrgica, prontas para virar o jogo quando menos se esperava.

O caos estava prestes a explodir… em questão de segundos.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário