Peças em Movimento.
A sala de Augusto estava mergulhada em silêncio, quebrado apenas pelo tique-taque discreto do relógio. Ele permanecia de pé diante da ampla janela, observando a movimentação da Cidade Norte.
Quase onze da manhã. Um copo de whisky descansava firme em sua mão — mas não era dele que precisava. O que queimava não estava no álcool, e sim no peito.
Esperava Cláudia chegar, mas os pensamentos insistiam em voltar para ela. Eloise.
A imagem dela chorando, os olhos marejados encarando-o como se não o reconhecesse… aquilo o despedaçava. Augusto apertou os olhos, buscando conter a raiva de si mesmo. A humilhação tinha sido planejada como jogada, mas a dor que provocara nela estava longe de ser cálculo.
Pegou o celular com mãos pesadas, hesitantes. Digitou algumas palavras, apagou. Tentou de novo. Até que, respirando fundo, deixou os dedos escreverem o que o coração já gritava:
"Me perdoa, meu anjo. Sei que te destruí e que agora você me odeia. Mas no futuro… no futuro espero que consiga entender e, quem sabe, me perdoar. Eu te amo. Sempre."
Ficou alguns segundos encarando a tela, o reflexo dos próprios olhos verdes nublados pela culpa. Sabia que talvez ela nem lesse, talvez apagasse sem ao menos abrir. Ainda assim, apertou enviar.
O celular vibrou em sua mão, confirmando o envio. Augusto apoiou a testa contra o vidro frio da janela.
Do lado de fora, a cidade seguia seu ritmo. Do lado de dentro, ele carregava o peso de ter sido ao mesmo tempo o carrasco e o protetor da única mulher que amava.
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O táxi avançava pelas ruas cinzentas da Cidade Norte, mas Eloise mal percebia a paisagem pela janela. A respiração vinha curta, o coração ainda aos pulos. Depois da humilhação pública, ela não pensava em trabalho, não pensava em carreira. Só queria desaparecer.
Quando o carro parou em frente ao prédio, Eloise pagou sem nem contar direito as notas. Subiu apressada, os saltos ecoando pelo hall, e entrou em casa como quem foge de um incêndio. Assim que fechou a porta do quarto, o corpo desabou contra a madeira.
O choro explodiu, descontrolado, vindo das entranhas. Ela escorregou até o chão, os joelhos cedendo, e abraçou as próprias pernas como se pudesse se proteger do mundo inteiro.
— Ele disse… — soluçou, quase sem voz — …disse que ia provar que merecíamos uma segunda chance. Como ele pôde…?
O peito queimava, cada palavra de Augusto ecoando agora como uma punhalada. O mesmo homem que prometera lutar por ela tinha a destruído diante de todos.
Eloise tentou se erguer, mas o corpo tremia demais. Arrastou-se até a cama e deixou-se cair no carpete, o rosto encharcado, o coração em pedaços.
Foi quando o celular vibrou. Primeiro uma notificação, depois outra… e outra. O som se multiplicava até formar uma sinfonia cruel. Com a mão trêmula, Eloise pegou o aparelho.
A tela piscava com links, menções e mensagens.
Um vídeo em destaque. Ela tocou.
Ali estava: a cena da humilhação. O corredor lotado, os olhares, as acusações. A voz fria de Augusto decretando o fim da confiança. Gravado de diferentes ângulos, repetido, ampliado.
As manchetes dos sites não eram mais brandas:
“Secretária executiva da Monteiro Corp acusada de traição corporativa.”
“Golpe interno: funcionária de confiança entrega projeto milionário à concorrência.”
“Augusto Monteiro humilha ex-secretária diante de todos.”
E os comentários… esses eram ainda piores.
“Típico. Conseguiu o cargo porque era amante do chefe. Quando não serviu mais, resolveu faturar por fora.”
“Mulherzinha ambiciosa, não dura nem seis meses em empresa grande.”
“Alguém avisa o Monteiro que se dorme com cobra, uma hora leva o bote.”
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Longe dali, em um apartamento luxuoso, o som era outro: o estalo de uma rolha de champanhe e risadas ecoando sem pudor.
— À vitória! — Lorenzo ergueu a garrafa antes de estourá-la, o líquido borbulhante espirrando enquanto Thamires gargalhava, repetindo o vídeo da humilhação de Eloise no celular.
Ele serviu a taça dela com um sorriso satisfeito.
— Estamos só começando.
Thamires brindou, os olhos brilhando de crueldade.
— E começamos ganhando. — murmurou, rindo. — Quase que fiquei com dó… quase.
— Precisamos pensar no próximo passo. — Lorenzo se inclinou, a taça erguida entre eles. — Não podemos esperar que eles encontrem os fios soltos. Vamos aproveitar que estão no chão… para pisar mais forte.
As taças tilintaram num brinde amargo, e em seguida Lorenzo puxou Thamires com força, arrastando-a até a cama.
— Depois pensamos nisso. — a voz dele saiu rouca, urgente. — Agora eu quero outra coisa.
As risadas e os suspiros deles se misturaram ao som da taça tombando sobre o carpete, o champanhe ainda borbulhando no cristal caído.
Mas, enquanto eles se davam ao luxo de comemorar e pedir tempo… em outro ponto da cidade, peças do tabuleiro já se moviam em silêncio.
Jogadas calculadas, planejadas com precisão cirúrgica, prontas para virar o jogo quando menos se esperava.
O caos estava prestes a explodir… em questão de segundos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...