Supresas no Tabuleiro
Acordou sobressaltada. O coração disparado, a respiração presa na garganta. Por um segundo, Eloise acreditou que tudo não passava de um pesadelo: o corredor lotado, os olhares acusadores, a voz fria de Augusto.
Mas, quando os olhos se acostumaram à escuridão do quarto, a realidade caiu como pedra. O pesadelo não era sonho. Tinha acontecido.
Pegou o celular com a mão trêmula. A luz da tela rompeu a escuridão do quarto, revelando as horas: passava das seis da tarde. A noite já tinha caído.
As notificações explodiam em sequência: chamadas perdidas de Nathalia, Emma, Sofia… até do Heitor. No W******p, o grupo das meninas estava uma confusão de mensagens, todas tentando saber dela. Até Lucas havia mandado recado.
Mas algo chamou ainda mais a atenção: nenhuma marcação nas redes sociais.
Nenhum vídeo.
Nenhum comentário cruel.
Tudo tinha sumido, como se o dia inteiro tivesse sido apagado.
Eloise franziu o cenho, confusa.
— Como pode? — murmurou.
Rolou as notificações outra vez. Foi então que encontrou: um número desconhecido. Uma única mensagem.
"Me perdoa, meu anjo. Sei que te destruí e que agora você me odeia. Mas no futuro… no futuro espero que consiga entender e, quem sabe, me perdoar. Eu te amo. Sempre."
O corpo dela gelou. As mãos suaram, o celular quase escapando dos dedos. O coração batia descompassado, e as lágrimas subiram sem pedir permissão.
— Ele… — a voz saiu num sussurro. — Depois de tudo que fez, tem coragem de mandar isso?
Raiva, dor e saudade se misturaram dentro dela como um nó impossível de desfazer. Parte queria apagar a mensagem, parte queria responder. Mas, acima de tudo, sentia medo.
Medo porque aquela única frase tinha sido suficiente para bagunçar ainda mais um coração que já estava em pedaços.
Eloise apertou o celular contra o peito, as lágrimas escorrendo.
— Ele é doido… — chorou baixinho. — Só pode ser doido.
O quarto voltou ao silêncio, mas o peso daquela mensagem parecia ecoar pelas paredes.
O som insistente da campainha ecoou pela casa — toques apressados, quase ansiosos, que fizeram Eloise despertar do torpor. O coração acelerou. Por um instante, achou que fosse mais um pesadelo, mas não… era real.
Arrastou-se pelas escadas, os passos pesados, o corpo ainda frágil do choro anterior. A mão hesitou na maçaneta, mas enfim puxou a porta.
E foi recebida de imediato por um abraço. Forte, caloroso, carregado de carinho. Um abraço que cheirava a algodão doce, doce como a infância.
— Chora, amiga… pode chorar. — murmurou Nathalia, enlaçando-a com firmeza.
Eloise afundou o rosto no ombro dela, e a contenção desmoronou. O pranto veio, mas dessa vez não sozinha.
Logo Emma e Sofia se aproximaram, envolvendo as duas num abraço coletivo. Emma trazia uma caixa de chocolates, Sofia segurava flores. As três a acolheram como se pudessem, com seus gestos simples, remendar o coração que Augusto havia despedaçado.
Eloise fechou os olhos. O peso nos ombros cedeu um pouco. Havia dor, sim. Havia cicatrizes, ainda abertas. Mas, naquele instante, cercada pelo calor e pelo cheiro das amigas, havia também um respiro. Um lembrete de que não estava sozinha.
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Eduarda mordeu o lábio, tensa.
— O que fazemos?
Cláudia fechou a mão sobre o dispositivo, como quem sela uma prova valiosa.
— Agora, minha querida… — um sorriso de canto surgiu em seus lábios — …agora vamos ouvir quem pensa que está nos ouvindo.
Cláudia saiu do banheiro com a postura ainda mais rígida, como se nada tivesse acontecido. No corredor, reuniu a equipe com um bater seco de palmas.
— Pessoal, vocês já sabem o que têm que fazer. Amanhã às oito espero todos aqui. — sua voz ecoou, firme. Continuando o teatro. — O pessoal do quebra-quebra não vai esperar. Esse andar tem que estar limpo o mais rápido possível.
Os olhares se cruzaram, confusos. Alguns franziram a testa, sem entender a pressa ou a escolha das palavras. Mas ninguém ousou questionar. Em silêncio, obedeceram e entraram no elevador.
Cláudia permaneceu até o último funcionário sair. Então, ajeitou o paletó, os saltos batendo ritmados enquanto descia para o hall de entrada.
Lá embaixo, longe dos ouvidos curiosos, ela finalmente falou, explicado.
— Achamos um. — declarou, o tom cortante. — Mas pode ser que haja mais. Não vamos arriscar.
Eduarda, ainda pálida, complementou com a voz tensa:
— Ou pode também haver câmeras. Se essa pessoa foi esperta o suficiente para colocar escutas, também pode ter instalado câmeras escondidas, senhora.
Cláudia ficou em silêncio por um momento, o olhar distante, calculando as próximas jogadas. Depois, apenas assentiu, firme, como quem acabara de definir um rumo.
— Então vamos caçar cada sombra dessa empresa. — murmurou, gelada. — E quem estiver por trás… vai cair.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...