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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 151

O Tabuleiro Invisível

O choro de Eloise ainda ecoava pela sala quando Nathalia a apertou mais forte, como quem segura um pedaço frágil de vidro.

— Deixa sair tudo, amiga. — murmurou. — Chora mesmo. Ninguém aqui vai te soltar.

Emma se inclinou para colocar a caixa de chocolates sobre a mesa de centro, e Sofia, tentando quebrar o peso, falou com aquele jeito direto que só ela tinha:

— Olha, Eloise… se chocolate resolvesse traição e humilhação, eu já tinha comprado um carregamento inteiro. Mas é um começo.

A frase arrancou um riso fraco entre lágrimas. Eloise fungou, a voz quase falhando:

— Vocês são doidas…

— Somos, mas somos tuas. — Emma retrucou, ajeitando os cabelos da amiga com carinho.

Nathalia suspirou e completou:

— Você não tá sozinha. Nunca vai estar.

As três a apertaram novamente num abraço coletivo. O calor, o cheiro de flores e chocolate misturado ao algodão doce do perfume de Nathalia criaram um casulo. Pela primeira vez naquele dia, Eloise respirou fundo sem sentir dor no peito.

— Obrigada… — murmurou, as lágrimas ainda descendo, mas com um sorriso pequeno, tímido, nascendo entre elas.

Naquele instante, o mundo lá fora — manchetes, vídeos, olhares cruéis — parecia distante.

Ali, entre amigas, havia refúgio.

E, mesmo sem saber, seria essa força que a manteria de pé para o que ainda estava por vir.

O abraço coletivo demorou longos minutos, e Eloise deixou que as lágrimas corressem sem vergonha. Quando finalmente se afastaram, ainda sentia o calor dos braços das amigas como um cobertor.

Nathalia ajeitou os cabelos dela, a voz firme mas doce:

— Todas para minha casa hoje. Festa do pijama.

Emma ergueu a sacola de chocolates com um sorriso cúmplice:

— Muito doce, vinho e conversa. Remédio infalível.

Sofia completou, tentando aliviar o peso da noite:

— E, se der sono, a gente faz fila no sofá.

Eloise sorriu entre lágrimas. O coração ainda doía, mas a presença delas a lembrava de que não estava sozinha.

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Do outro lado da cidade, o contraste era absoluto.

Cláudia estava no banco de trás do carro, os olhos fixos na escuridão que passava pela janela. O celular vibrava em sua mão, e ela não perdeu tempo.

— Augusto, preciso falar com você e com o Thiago. — disse, sem rodeios. — É sério. E não pode esperar.

Do outro lado da linha, a resposta foi curta, tensa:

— Venha. Estamos no meu apartamento.

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Quando chegou a hora de se despedir, a rigidez cedeu lugar a uma gentileza inesperada.

Cumprimentou Thomas e Thiago com um toque breve no ombro, os olhos transmitindo confiança — gesto simples, mas carregado de respeito.

Ao se voltar para Augusto, manteve o mesmo cuidado. Segurou o braço dele por um instante, deixando que o olhar firme transmitisse mais do que qualquer palavra: apoio silencioso, certeza de que não estava sozinho.

Naquela despedida, não havia a estrategista implacável, mas a mulher que, depois de erguer muralhas, sabia quando oferecer abrigo.

— Vamos resolver isso. — disse, a voz carregada de certeza. — Estou com você.

Aproximou-se mais, inclinando-se para o ouvido dele. A frase seguinte saiu quase num sopro, baixa demais para os outros ouvirem:

— Com você… e com a Eloise.

Augusto fechou os olhos por um segundo, o peso daquela promessa atravessando-o como lâmina e bálsamo ao mesmo tempo.

Cláudia se afastou, deixando atrás de si o eco daquela confidência e a certeza de que o tabuleiro estava armado.

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A fumaça pairava pesada no ar, misturando-se ao brilho frio da tela. No notebook, vários vídeos de câmeras de vigilância estavam abertos, transmitindo ângulos diferentes do mesmo cenário.

— O gato sai… e os ratos fazem a festa. — murmurou para si mesmo, a voz baixa, quase um deboche. — Seria esse um truque barato, Augusto? Ou estou esperando demais de você?

O olhar dele se estreitou, fixo na cena em que os funcionários, sob ordens de Cláudia, empilhavam papéis em caixas. O detalhe não escapou: no instante em que ela fez um gesto com a mão, ele inclinou-se para frente, atento, como quem pressente que a jogada no tabuleiro acabava de mudar.

Um sorriso de canto surgiu em seus lábios, lento, quase cruel.

— Vamos ver até onde você aguenta com esse teatrinho. — murmurou, antes de soltar a fumaça em direção à tela.

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