Entre Risos e Sushi
O apartamento de Nathalia estava cheio de almofadas, pijamas coloridos e o som baixo de uma playlist animada. Eloise, ainda sensível, começava a relaxar no meio das amigas, quando o celular de Emma vibrou sobre a mesa.
— Olha o retrovisor aí! — Nathalia se adiantou, pegando o aparelho antes que Emma pudesse. O nome piscava na tela: Thiago. — Hmmmm, eu shipo! — cantarolou, rindo.
— Eu também acho vocês um casal fofo. — Sofia completou, mordendo um pedaço de chocolate.
Emma arrancou o celular da mão de Nathalia, vermelha.
— Ih, ih! Silêncio, suas fofoqueiras. Deixa eu atender!
Atendeu com a voz tentando soar neutra:
— Oi, boa noite.
Do outro lado, a voz grave e suave de Thiago:
— Oi, Emma… tudo bem?
— Tudo sim, e você?
— Melhor agora. — ele sorriu, a voz denunciando. — Queria saber se você topava sair pra comer alguma coisa comigo hoje.
Emma respirou fundo, o coração acelerado, mas manteve o tom firme:
— Hoje não dá, Thiago. É noite das meninas… combinamos uma festa do pijama. Me desculpa.
Houve um breve silêncio, antes dele responder:
— Tudo bem, eu entendo. Não vou competir com as meninas. — e então, num tom casual — Onde vocês estão?
— No apê da Nathalia. — respondeu sem pensar. — Por quê?
— Nada não. Só curiosidade. — disfarçou rápido. — Beijo, Emma. Se cuida. E beijos pras meninas também.
Ela sorriu sem querer.
— Boa noite, Thiago.
Antes de desligar, a voz dele veio mais baixa, carregada de intenção:
— Mas o seu beijo… é diferente.
A ligação caiu. Emma ficou paralisada por um segundo.
Foi o suficiente para as amigas explodirem em euforia:
— AAAAAA! — Nathalia gritou, batendo palmas. — Isso foi uma indireta de amor, minha filha!
— Você devia ter aceitado! — Eloise disse, ainda com os olhos brilhando de emoção. — Ele tá na sua, Emma!
— E tá muito na sua. — Sofia acrescentou. — Eu já até ouvi os sinos de casamento.
Emma escondeu o rosto com as mãos, rindo nervosa.
— Vocês não existem…
— Existe sim! — Nathalia riu, já abraçando Emma pelos ombros. — E chama Thiago Albuquerque!
O clima leve tomou conta da sala, com risos e provocações.
Trinta minutos depois, o interfone tocou. As quatro se entreolharam. Nathalia foi até o aparelho, desconfiada.
— Alô? … Como assim entrega pra mim? Tá bom, pode subir.
Minutos depois, Nathalia entrou no apartamento carregada de sacolas. Os olhos dela brilharam, e um sorriso maroto surgiu.
— Meninas… Thiago arrasou! Sushi e pizza pra nossa noite de pijama!
Todas se levantaram rápido, surpresas. Eloise riu pela primeira vez de verdade no dia:
— Emma, você disse não, mas ele não aceitou!
Emma pegou a sacola maior e abriu. Entre caixas de sushi bem embaladas, um pequeno bilhete estava dobrado. Ela leu em silêncio, o coração acelerado:
“Você me disse que sushi ajudava a aliviar os dias ruins. Espero que aproveite com as meninas esta noite.
Beijo, Princesa.”
As mãos dela tremeram. As meninas olharam curiosas.
— O que tá escrito? — Sofia cutucou.
Emma sorriu sozinha, dobrando o bilhete com cuidado.
— Nada demais… — tentou despistar.
Nathalia arqueou a sobrancelha, desconfiada.
— Nada demais? Emmaaaa… esse homem tá se declarando em sashimi!
Todas riram alto, o clima leve preenchendo o apartamento. Pela primeira vez em dias, Eloise também gargalhou, contagiada pelo momento.
Naquela noite, entre pizza, sushi, chocolate e risadas, o peso parecia mais leve.
Ainda sonolenta, Nathalia apertou o botão.
— Pode deixar subir, obrigada. Depois levo café da manhã pro senhor também.
— Agradeço, senhora. — o porteiro respondeu antes de desligar.
Nathalia deu um pulo, animada.
— Emma, minha filha, o Thiago tá gamadão! — cantarolou.
As meninas caíram na gargalhada.
— Madrinhas, Eloise! — Sofia vibrou, teatral, como se já estivesse em um altar. — Isso é super romântico.
Emma revirou os olhos, rindo e corando.
— Vocês exageram, ele só quis ser atencioso…
— Atencioso nada, exagerado sim. — Nathalia retrucou, divertida. — Mas eu amei!
As brincadeiras continuaram até que a campainha tocou. As quatro se entreolharam antes de Nathalia ir abrir.
Na porta, dois homens altos, musculosos, boné cobrindo parte do rosto, camisas de manga comprida e máscaras cobrindo a boca. Cada um segurava uma cesta farta e várias sacolas.
— Entrega para a senhora Nathalia. — disse um deles, a voz grave.
Nathalia agradeceu e fez sinal para entrarem.
Eloise, porém, congelou. Um dos entregadores ergueu os olhos para ela e sustentou o olhar fundo demais. O castanho diferente daqueles olhos trazia algo inquietante… era como se já o tivesse visto antes. Mas, ao mesmo tempo, havia algo de perigoso ali, que a fez gelar por dentro.
O outro, enquanto entregava as sacolas, ficou encarando Sofia. A menina corou na mesma hora, desviando o olhar.
Por alguns segundos, o clima ficou pesado. Um silêncio tenso pairou no ar.
Nathalia, desconfortável, limpou a garganta.
— Obrigada, rapazes. Podem deixar aí.
Assim que eles se retiraram e a porta se fechou, Nathalia falou, rindo nervosa:
— Gente, que foi isso? Estranho demais.
As quatro se reuniram em volta das cestas. O cheiro de café fresco, pães, frutas e doces logo se espalhou pela sala. Mas o que fez o coração de Eloise disparar foi o bilhete preso a uma das alças.
“Café é sua refeição favorita. Aproveita. — Do seu Ogro.”

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...