Segredo Mal Enterrado
Todas ficaram em silêncio, chocadas.
— Ele mandou isso? — Emma perguntou, os olhos arregalados.
Eloise não conseguiu responder. Só sentiu o peito se apertar e o estômago revirar.
Nathalia respirou fundo, encarando as amigas.
— Tem uma coisa que preciso contar. — disse, séria, puxando uma cadeira e se sentando.
As outras se aproximaram, tensas.
— Eloise, eu não sei se confio no Augusto. Mas me importo com você, com o que você deseja, com a sua felicidade. E preciso ser honesta. — ela passou a mão pelos cabelos, nervosa. — Depois daquela confusão na empresa, ele me mandou mensagem de um número diferente. Um celular pré-pago.
O choque percorreu a sala.
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O andar interditado ainda cheirava a umidade e desinfetante. Funcionários de confiança de Cláudia se moviam de um lado para o outro, enchendo caixas com papéis, pastas e equipamentos, cada item cuidadosamente etiquetado com o nome do dono da mesa.
Cláudia os observava com atenção até dar a ordem final:
— Terminando aqui, coloquem tudo no estoque do segundo andar. Organizado, separado, com etiquetas. — seu tom não deixava espaço para dúvidas. — Agora preciso subir. Tenho uma reunião importante com Augusto.
O clique seco dos saltos ecoou pelo corredor enquanto ela seguia para o elevador.
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No andar da recepção, a máscara da estrategista já estava posta. Cláudia cumprimentou Melissa com a mesma calma de sempre, até comentando sobre o clima como se nada estivesse acontecendo.
Poucos minutos depois, Thiago surgiu pelo saguão, acompanhado de Nathalia. A expressão dele era séria, mas o sorriso que lançou era teatral.
— Vamos, Cláudia, porque eu já estou ansioso para esse novo projeto. — disse em tom leve, quase exagerado.
Nathalia, atenta, seguia os dois sem questionar, guardando silêncio.
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Quando as portas da sala de Augusto se fecharam atrás deles, o clima mudou. O ar parecia mais denso, o peso das jogadas à frente pairando sobre todos.
Thiago foi o primeiro a falar, tirando o paletó e jogando-o sobre a poltrona.
— Parte um já foi feita.
Cláudia assentiu devagar, o olhar firme.
— Ótimo. Quem tentar ter acesso vai acabar preso ao estoque. Os documentos de fachada estão todos lá, esperando por eles.
Ela pousou a bolsa sobre a mesa e acrescentou, enigmática:
— Mas alguns de nós vamos além. — fez uma pausa, como se testasse o efeito das próprias palavras. — Tenho um palpite… e se eu estiver certa, é ali que a teia começa a se desfazer.
Augusto, até então em silêncio atrás da mesa, tamborilava os dedos sobre o vidro. O olhar verde faiscava.
— Então que comece a caçada.
— Eu encontrei ele na escada de emergência. — Nathalia continuou. — Ele disse que fez tudo pensando na sua segurança. Pediu para eu não te deixar sozinha. Falou que teme que você esteja sendo vigiada. Que ainda não tem nomes, mas está trabalhando nisso.
Eloise levou a mão à boca, atônita. Sofia segurou sua mão de imediato, Emma apenas repetia:
— Meu Deus… meu Deus…
Nathalia concluiu, a voz firme:
— Isso não pode sair daqui. Não sabemos até que ponto o perigo é real. E se ele estiver certo, qualquer palavra pode custar caro.
O silêncio se instalou entre as quatro, quebrado apenas pelo tique-taque do relógio. O café ainda fumegava na mesa, mas agora parecia ter gosto de incerteza.
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A manhã avançava lenta na Monteiro Corp, mas Augusto não arredava o pé da mesa. A luz da janela refletia nos olhos verdes cansados enquanto ele revisava folha por folha, relatório por relatório. Nada escapava: pagamentos, bonificações, transferências. Ele buscava um erro, um furo, qualquer brecha que pudesse ter sido usada contra ele.
As horas pesavam nos ombros, mas sua mente não cedia. Quando finalmente largou a última pasta, recostou-se na cadeira de couro e respirou fundo, os dedos pressionando a ponte do nariz.
O celular estava ali, silencioso, como um convite. Augusto o pegou com hesitação, como quem carrega dinamite nas mãos. Digitou devagar, o coração batendo mais rápido do que gostaria.
"Foi bom te ver, mesmo que por alguns segundos. Você continua linda, meu anjo."
Por alguns segundos encarou a tela, dividido entre apagar a mensagem ou enviá-la. Até que, com um suspiro pesado, apertou o botão e deixou que a saudade atravessasse a linha invisível que ainda o unia a Eloise.
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Márcia respirou fundo, tentando recuperar o controle.
— Se você acha que pode me intimidar, está enganada. Antônio não vai acreditar em nenhuma palavra sua.
O sorriso de Carla foi ácido.
— Não preciso que ele acredite em mim. Preciso apenas que duvide de você. — se inclinou para frente, os olhos faiscando. — E a dúvida, Márcia, é um veneno lento. Corrói o casamento, destrói a confiança, abre rachaduras que nunca mais fecham.
Márcia se levantou bruscamente, como se quisesse encerrar a conversa.
— Chega! Saia da minha casa.
Carla também se ergueu, mas sem pressa, recolhendo a bolsa com calma calculada.
— Eu vou, sim. Mas antes… pense bem. Você está a um passo de perder tudo: seu casamento, sua posição, sua reputação impecável de “senhora Mello”.
Aproximou-se e, num sussurro gelado, arrematou:
— E tudo isso por causa de um segredo mal enterrado… e de um filho que talvez não pertença a quem você diz que pertence.
Márcia empalideceu ainda mais. O silêncio foi a prova que Carla precisava.
Carla sorriu satisfeita, caminhando até a porta.
— Eu volto em breve, querida. E, até lá, sugiro que se pergunte o que vale mais: o orgulho… ou a sobrevivência.
A porta se fechou atrás dela, deixando Márcia sozinha, imóvel no meio da sala. O coração batia em disparada, as mãos tremiam.
Carla tinha razão em uma coisa: o passado nunca desaparece. Apenas espera o momento certo para ser cobrado.
Márcia permaneceu imóvel no centro da sala por alguns segundos, como se o ar tivesse desaparecido. O coração batia em disparada, e os dedos trêmulos seguraram com força o braço do sofá.
Caminhou lentamente até o espelho da entrada. O reflexo mostrou a mulher altiva que todos conheciam — cabelos impecáveis, joias brilhando, postura ereta. Mas os olhos… os olhos a traíam. Vermelhos, marejados, vibrando entre raiva e medo.
Ela respirou fundo, ajeitou os brincos e passou a mão firme sobre os cabelos, como se pudesse apagar a vulnerabilidade que insistia em aparecer.
— Maldita… — sussurrou entre dentes, com ódio contido. — Eu não vou cair.
Mas, por trás da máscara de frieza que forçou diante do espelho, o tremor nas mãos e a umidade nos olhos mostravam outra verdade: por mais que fosse uma vilã, Márcia também tinha rachaduras

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...