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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 154

A Farsa Quase Perfeita.

O quarto estava silencioso, iluminado apenas pelo brilho frio da tela do notebook. Um número mascarado piscava na tela do celular, e a chamada foi atendida sem hesitação.

— Tudo está em movimento. — disse uma voz grave, firme, carregada de rancor.

A resposta veio pausada, quase meticulosa:

— E nossa perda preciosa?

Silêncio de poucos segundos. O som de um isqueiro riscando se misturou à respiração contida.

— Aos poucos… está dando certo. O resto é questão de tempo.

Do outro lado, uma risada baixa ecoou.

— Não se esqueça do que está em jogo.

— Eu sei. — a voz respondeu, mas com um peso oculto. — Só não esperava que fosse… tão difícil.

A ligação caiu em seguida, deixando o ar impregnado de tensão.

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Na VisionLab Marketing o dia correu com uma calma enganosa. Eloise mergulhou nas revisões de publicidade, alinhou detalhes de um novos projetos e, por algumas horas, conseguiu se perder naquilo que mais amava: criar, idealizar. Dentro daquele espaço, quase esquecia a bagunça que sua vida tinha se tornado.

Na hora do almoço, visitou o pai no hospital. Ele estava melhor, e isso trouxe um alívio discreto ao coração dela. Sorriu, ainda que cansada, e voltou para o escritório com a sensação de que talvez o mundo ainda tivesse algum equilíbrio.

Ao final do dia, quando saiu do prédio, o sol ainda dourava o céu da Cidade Norte, mas o vento frio a envolveu. Óculos de sol escondiam o cansaço dos olhos; não apenas físico, mas da alma.

Andava distraída, perdida nos próprios pensamentos, quando uma voz a fez parar.

— Oi Eloise

Ela se virou. Lucas. Elegante, o paletó bem ajustado, a expressão calma demais para alguém que aparecia de surpresa.

— Lucas… — respondeu, surpresa. — Você por aqui?

Ele sorriu, como quem já esperava aquela reação.

— Estava a caminho da casa da minha irmã, quando vi você. Achei que poderia te acompanhar.

Eloise hesitou. Um instinto lá no fundo pedia distância, mas a gentileza dele parecia genuína. Antes que pudesse recusar, ele continuou:

— Sei que não é o melhor momento pra você. Não estou falando de encontro, nada disso. Apenas… um jantar. Entre amigos. Um respiro.

As palavras foram ditas com calma, calculadas como se já estivessem ensaiadas.

Eloise baixou os olhos por um instante, o coração dividido. Pensou em Augusto, na dor, na humilhação. Pensou nas amigas, que a seguravam de pé. Pensou na solidão.

Quando ergueu o olhar de novo, viu Lucas sorrir com doçura.

— Prometo não roubar mais que uma hora do seu tempo.

O silêncio se estendeu até que ela respirou fundo, rendendo-se:

— Está bem… vamos.

O sorriso dele se alargou, quase imperceptivelmente diferente do de antes. Ele ofereceu o braço num gesto cavalheiresco. Eloise, hesitante, aceitou.

Enquanto caminhavam juntos pela rua iluminada pelas primeiras luzes da noite, ela acreditava estar ganhando um amigo.

— Sabe o que acho? — ele disse, inclinando-se ligeiramente para a frente. — Você merece alguém que enxergue além das fofocas, dos escândalos, dos julgamentos. Você merece alguém que só veja a mulher incrível que é.

Eloise baixou os olhos, o peito apertado. As palavras ecoaram fundo — mas junto veio o arrepio incômodo de quem sabe que algo não se encaixa.

Quando o garçom trouxe os pratos, Lucas sorriu satisfeito.

— Viu? Só jantar entre amigos. Mas se, por acaso, eu estiver errado… — seus olhos brilharam, quentes — …então, me perdoa por querer algo a mais.

O garfo quase escapou das mãos de Eloise. O coração bateu forte, entre o medo e o calor. E ela entendeu, naquele instante, que aquele jantar não seria tão simples quanto ele prometera.

A poucos metros dali, uma mesa discreta oferecia visão privilegiada da cena.

Um celular foi erguido com calma, o clique silencioso da câmera capturando cada detalhe.

Na tela, Eloise aparecia ao lado de Lucas. No início, ainda rígida, os ombros tensos. Mas conforme a conversa avançava, as fotos mostravam sua postura suavizando, como se finalmente respirasse.

Lucas ria, gesticulava com charme estudado. Em uma imagem, ele empurrava o prato em direção a ela, oferecendo um pedaço do sushi. Noutra, inclinava-se para limpar discretamente o canto dos lábios de Eloise com o guardanapo. Em seguida, registrava-se o instante em que ele oferecia sua própria sobremesa, insistindo para que ela provasse.

Para qualquer olhar de fora, não havia dúvida: pareciam um casal que chegara brigado, mas que, diante da mesa, reencontrava a sintonia.

As fotos não mostravam tensão ou dúvida, apenas intimidade.

De longe, a câmera capturava um quadro perfeito de carinho, risos e cumplicidade.

Um quadro enganador — e perigoso.

Naquele restaurante, Eloise acreditava estar apenas jantando.

Do lado de fora, alguém já transformava aquele momento em uma sentença.

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