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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 157

Passado Mal Resolvido.

Depois de Antônio se satisfazer, Márcia ficou jogada na cama como se fosse apenas mais um objeto usado e descartado. Ele sequer olhou para ela ao se levantar. Caminhou até a mesa de cabeceira, engoliu um comprimido calmante e deitou de costas, apagando em poucos minutos.

Márcia encarou o teto por um longo tempo, o corpo ainda dolorido, a alma em pedaços. A cada vez era a mesma coisa: ela pensava estar no controle, mas o marido a fazia lembrar, com brutalidade, quem realmente ditava as regras naquela casa.

Horas depois, já de madrugada, Márcia desceu as escadas de mármore com passos devagar. Foi direto para o escritório. A iluminação amarelada do abajur revelava pilhas de pastas e contratos espalhados pela mesa.

Entre os papéis, um acordo chamou sua atenção: um contrato de compra do luxuoso Hotel Saint Régis, propriedade de José Monteiro.

Era um hotel icônico da Cidade Norte — cinco estrelas, fachada imponente em mármore branco, lustres de cristal no hall de entrada, suítes que mais pareciam palácios. Um projeto concebido pela falecida esposa de José, tratado por ele quase como um relicário.

Márcia franziu o cenho, intrigado.

— José jamais venderia isso… — murmurou para si mesmo, os olhos semicerrados.

Virou a página, analisando os números, falta uma assinatura. Algo não se encaixava. Se havia um contrato, ou era falso… ou Antônio Mello tinha uma jogada fatal. Márcia se assustou, tentou se acalmar e voltou para cama.

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Na manhã seguinte, Márcia desceu as escadas com um robe de seda impecável, o rosto maquiado para esconder as marcas da noite anterior. Serviu o café para o marido com delicadeza ensaiada.

— Vou ao shopping hoje. — disse em tom casual. — Saiu uma nova coleção de bolsas, e eu quero dar uma olhada.

Antônio não ergueu os olhos do jornal. Apenas resmungou:

— Os seguranças estarão logo atrás de você. — virou a página. — Então, minha querida, sem gracinhas.

Márcia sorriu de leve, fingindo obediência.

— Como quiser, meu amor.

Mas dentro dela, o plano já estava em movimento.

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No shopping, entrou numa das butiques mais caras, onde já era cliente conhecida. Os dois seguranças pararam na porta, atentos.

Márcia pegou um vestido qualquer, e a vendedora se aproximou de imediato.

— Senhora Mello, chegou uma peça exclusiva, perfeita para a senhora. Quer que eu traga?

— Claro, Lane. — respondeu com doçura. Depois, com uma expressão de constrangimento ensaiado, acrescentou: — Querida, desculpa a ousadia, mas… poderia me emprestar seu celular? Estou até com vergonha, mas derrubei o meu na privada, e preciso avisar meu esposo do acidente.

Lane, que já conhecia Márcia como uma cliente generosa, sorriu sem desconfiar.

— Claro, senhora. — retirou o celular da bolsa e entregou a ela. — Já volto com os sapatos que combinam com o vestido.

Assim que a vendedora se afastou, Márcia caminhou até o provador. Trancou a porta, sentou-se no banco de veludo e, com mãos trêmulas, discou um número que guardava em segredo.

Na tela, o número iluminou seus olhos com algo entre medo e esperança: José Monteiro.

— Atende… — sussurrou, quase sem ar. — Por favor, atende…

Márcia apertou o celular contra a orelha, as mãos suadas. O coração batia tão alto que ela temia que os seguranças na porta ouvissem. Chamou uma vez. Nada. Chamou de novo.

Na terceira, finalmente, a voz grave soou do outro lado da linha.

— Alô?

Ela fechou os olhos por um instante, como se aquela voz fosse uma lembrança antiga que ainda a abalava.

Ele respirou fundo, buscando clarear a mente, mas o peso do passado voltou a bater como martelo. O amor breve, proibido, vivido com Márcia antes do casamento arranjado. A lembrança da juventude, de um único erro, uma única noite.

E, como uma sombra, a dúvida que sempre evitara encarar: teria Augusto direito de saber a verdade?

José passou a mão pelo rosto, cansado. O filho crescera acreditando que a mãe fora uma mulher firme, amada. E ele nunca quis manchar essa lembrança. Mas agora, com a ameaça de Antônio, com Carla rondando como uma abutre… até quando conseguiria esconder?

“Se esse segredo cair na boca deles, vão usar contra ele. Contra Augusto.”

O pensamento lhe deu calafrios.

Levantou-se de súbito, caminhando até a janela do escritório. A cidade se estendia à frente, indiferente, mas José sabia: não tinha mais tempo.

Pegou o telefone novamente, desta vez discando outro número. A mão tremia levemente. A dúvida o corroía.

— Augusto… — disse quando a ligação foi atendida. — Preciso falar com você. É urgente.

Do outro lado, silêncio carregado, até que a voz grave do filho respondeu:

— Sobre o quê?

José hesitou, a dúvida dilacerando-o por dentro. Contaria tudo? O passado, a noite proibida, a possibilidade de que o sangue que corria em Augusto talvez não fosse apenas dele?

— Sobre o passado— respondeu por fim, a voz firme. — E sobre até onde pode afetar você.

Um fio de silêncio permaneceu entre eles, pesado, perigoso.

José fechou os olhos, prometendo a si mesmo: em breve, contaria tudo. Mas não agora. Primeiro, precisava proteger o filho — e o legado da mulher que nunca deixou de amar.

Ele permaneceu diante da janela, o celular ainda quente na mão, sentindo que, pela primeira vez em anos, o passado e o futuro estavam prestes a colidir.

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