A Teia se Fecha
O dia mal havia amanhecido quando Augusto já seguia pela estrada rumo à empresa. O céu ainda estava cinzento, o sol tímido nascendo por trás dos prédios. O celular vibrou no console do carro. O nome na tela fez seu peito pesar: José Monteiro.
Depois de alguns minutos de conversa tensa.
O coração de Augusto bateu mais forte. Quis perguntar, exigir respostas, mas se conteve. Apenas respondeu com a voz baixa, firme:
— Quando o senhor quiser falar... estarei a disposição.
Encerrou a chamada, mas o peso das palavras ficou martelando em sua mente.
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Em outro canto da cidade, o celular de Thamires vibrou sobre a mesa de cabeceira. Meio sonolenta, atendeu sem olhar o número.
— Alô?
— Sou eu, Melissa. — a voz apressada do outro lado. — Preciso te contar… temos um novo projeto em andamento. Está movimentando a empresa inteira.
Thamires ergueu-se na cama, os olhos faiscando.
— Projeto novo?
— Sem aquela sonsa da Eloise no pé dele. — Melissa gargalhou com veneno. — Ninguém nem fala mais dela aqui dentro. A "queridinha" sumiu do mapa.
Thamires apertou o lençol entre os dedos.
— Nem se atreva a entrar no meu caminho Melissa. Já deixo aviso.
— Igualmente Thamires — Melissa murmurou —Não esqueça, sei muito mais do que parece.
A ligação caiu deixando Melissa sorrindo para o próprio reflexo no espelho, acreditando que, finalmente, a maré virava a seu favor.
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Na Monteiro Corp, o andar interditado fervilhava. Funcionários de confiança seguiam instruções rígidas. Cada pasta, cada caixa, cada documento tinha destino certo.
Cláudia não deixava nada ao acaso. Andava de um lado a outro, a prancheta em mãos, e a cada movimento avisava em voz clara:
— Esses relatórios vão para o arquivo do segundo andar. As notas fiscais, no cofre. A sala da contabilidade será lacrada ao meio-dia.
Era mais do que organização. Era estratégia: antecipava seus passos em voz alta para quem quisesse ouvir.
Do brilho frio da tela de um notebook, em algum lugar escondido, um homem observava cada movimento pelos sistemas de vigilância.
Os olhos semicerrados, os dedos tamborilando na mesa, ele murmurou para si mesmo:
— Algo está errado… mas vamos brincar.
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Cláudia seguia incansável, virando noites entre pilhas de relatórios. Augusto, no escritório, fazia o mesmo: analisava folha por folha, rastreando centavos desviados com precisão quase obsessiva.
E a cada nova descoberta, o fio da teia se tornava mais visível.
Pagamentos fantasmas. Transferências mascaradas. Pequenos desvios que, juntos, formavam um rombo colossal.
O jogo de gato e rato havia começado — e, dessa vez, cada movimento seria fatal.
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A casa de Augusto, naquela noite, cheirava a café frio e papel. A sala estava iluminada por abajures direcionais; a mesa do escritório jogava sombras longas nas paredes. Em volta dela, o pequeno círculo de aliados fazia a última revisão do que já vinha sendo, há dias, apenas pensado e remontado: Cláudia, Thiago, Thomas e Augusto.
Cláudia abriu o caderno onde anotara cada passo do teatro. A caneta deslizou, encontrando pausas no ar enquanto explicava em voz baixa, precisa:
Thomas aproximou-se do mapa que desenhara no tablet. Indicou rotas, entradas, saídas de emergência, pontos cegos de câmeras públicas. Havia uma equipe de quatro homens posicionados para bloquear o corredor principal, outros dois protegem o elevador e um par de investigadores disfarçados entre a equipe de limpeza — prontos para interceptar qualquer fuga.
Augusto pegou o celular. Havia coincidências que o incomodavam: o número pré-pago, a mensagem enviada na escadaria, a gravação. Ele respirou fundo.
— Eu não quero destruir ninguém que não esteja envolvido — disse, lento —. Quero os que montaram essa teia. Se houver funcionários inocentes, a investigação vai separar o joio do trigo. Mas para isso precisamos de provas inatacáveis.
Os quatro se entreolharam. O plano estava montado. Era a última peça antes do movimento da rede.
Cláudia levantou-se. A voz, no fim, tinha o aço de sempre e um tom quase maternal.
— Eu vou lá. — disse. — Vou anunciar a limpeza — o teatro do estoque — e soltar, sem alarde, a informação dentro da empresa de que ali há documentação sensível. Eles vão farejar. Vamos deixar o caminho limpo. A equipe do Thomas faz o resto.
Augusto fechou a pasta com um estalo seco, o som ecoando como sentença no silêncio da sala.
Os olhos verdes faiscavam, intensos, carregados de raiva contida e determinação.
Se aquela noite fosse o início do fim…
que fosse para eles.
Nunca para ele.
Thiago sorriu, curto, e espremeu o ombro de Augusto.
— Vai dar certo.
O relógio na parede mostrava 1h50. O trânsito noturno abafava sons lá fora; a cidade dormia sem perceber o que se tramava nas salas de vidro.
Eles partiram em silêncio: Cláudia para acender o fogo da curiosidade; Thomas para alinhar a equipe da polícia; Thiago para preparar o bloqueio interno; Augusto para revisar, mais uma vez, as provas que precisariam ser incontestáveis.
Naquela madrugada, a armadilha estava montada. Restava apenas esperar o rato morder a isca

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...