Capítulo 16
O salão estava em silêncio respeitoso quando José Monteiro se levantou. De taça em mãos, sua presença impunha respeito.
— Me alegra ver essa sala cheia de pessoas importantes, amigos, parceiros... e claro, minha família — disse, olhando brevemente para Augusto, que manteve a expressão neutra. — Estou chegando a um momento da vida onde passar o bastão começa a parecer mais uma responsabilidade do que uma opção. Quero que saibam que, quando chegar essa hora, será feita com sabedoria. O cargo de CEO será destinado a quem mostrar força, visão... e lealdade.
Uma leve tensão percorreu a sala. Alguns trocaram olhares, outros apenas brindaram.
Augusto manteve o rosto impassível, mas por dentro sabia: aquilo era um aviso. Seu pai podia estar pensando em testá-lo... ou em surpreendê-lo.
Mais ao fundo, os olhos atentos de José pararam em um rosto. Um homem de sorriso forçado e paletó bem alinhado, sentado com uma mulher exageradamente maquiada. Algo ali chamou sua atenção. Ele inclinou-se discretamente para um assessor ao lado e perguntou em voz baixa:
— Quem é aquele rapaz ali?
— Lorenzo Mello. Empresário do ramo de distribuição. Veio com uma convidada, Nicole Gatti. Aparentemente, é da região sul. Está tentando expandir os negócios para cá.
José não respondeu de imediato. Apenas bebeu mais um gole de vinho, com os olhos ainda fixos no rapaz. Algo não batia.
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Minutos depois, já na metade do jantar, Eloise pediu licença com um sorriso elegante. Levantou-se da mesa e caminhou em direção ao banheiro, seus passos firmes e postura ereta contrastando com o tumulto de sentimentos que ainda carregava por dentro. Precisava respirar.
Ao dobrar o corredor em direção aos lavabos, parou bruscamente.
Lorenzo estava ali, encostado na parede com um sorriso torto, braços cruzados.
— Até que ficou bonita... — disse ele, com a voz carregada de veneno. — Pena que não adianta muita coisa. O vestido, o colar... tudo isso não muda quem você é por dentro.
Eloise congelou por um instante, mas logo retomou a postura.
— Vai continuar me seguindo, Lorenzo?
Ele se empurrou da parede e deu alguns passos lentos em sua direção, como se saboreasse o momento.
— Só queria te parabenizar, sabe? Nunca pensei que fosse capaz de subir tão alto… mesmo que seja agarrada na barra do terno do seu chefe.
Ela cerrou os punhos, mas manteve o queixo erguido.
— Você não sabe nada sobre mim.
Ele riu, baixo.
— Sei o suficiente. Sei que não foi suficiente pra mim. Nunca foi. Por isso eu te troquei. Por isso ninguém te escolhe de verdade. Nem eu, nem esse tal de Monteiro. Você acha mesmo que ele te vê como mulher? Por favor. Você é só um enfeite conveniente.
As palavras cortaram como navalha. Eloise engoliu seco, o peito apertando. Mas ele ainda não tinha terminado.
— Você não tem sobrenome de peso. Não tem pedigree. Acha mesmo que esse mundo é feito pra você?
Ela abriu a boca para responder, mas a voz falhou. O rosto quente, os olhos queimando — não de fraqueza, mas de raiva. De dor contida.
— Sabe o que mais? — ele se inclinou, com um sorriso frio. — Eu aposto que ele vai se cansar. Igual eu me cansei. Porque, no fim das contas, Eloise, você nunca é suficiente. Nem pra mim. Nem pra homem nenhum.
Fez uma pausa e abaixou ainda mais o tom, como se estivesse contando um segredo sujo:
— Até que no começo você era... mais ou menos na cama. Mas depois? Foi ficando sem sal. Apagada. Sem graça. Igual a sua vida medíocre.
Ela deu um passo para trás, sentindo as palavras se cravarem feito farpas.
O olhar firme, frio, se desfez em preocupação imediata. Ele a viu. Viu o tremor nos olhos, o passo apressado, o peito arfando em silêncio. Thamires também viu — e ferveu por dentro. Sentiu a atenção dele escapar pelos dedos como areia. Como sempre escapava quando se tratava de algo que ele realmente queria proteger.
Eloise parou diante dele, tentando manter o controle.... Os olhos marejados, o coração disparado, o nó na garganta.
— Me tira daqui... por favor — sussurrou, a voz falhando.
Augusto não hesitou. Agarrou sua mão com firmeza e, sem se importar com olhares, comentários ou consequências, a puxou com ele em direção à saída.
Os flashes das câmeras do lado de fora foram ignorados. A porta do carro foi aberta com pressa, e ela entrou primeiro. Ele veio logo atrás, fechando a porta com força.
Silêncio.
O carro deslizou pelas ruas luxuosas da cidade, deixando o hotel e toda aquela hipocrisia para trás.
Eloise virou o rosto para a janela, mas não conseguiu mais segurar.
As lágrimas vieram. Não como cena dramática — mas como desabafo inevitável. Uma dor que não pedia licença, que rasgava por dentro. O corpo inteiro tremia. Não era apenas pela humilhação. Era por tudo. Por ter sido diminuída. Por ter precisado engolir o orgulho. Por fingir força quando só queria... sumir.
Augusto a observava. Quieto. O maxilar travado, as mãos fechadas sobre os joelhos. Queria dizer algo. Fazer algo. Mas sabia que qualquer palavra naquele momento poderia quebrá-la ainda mais.
Ela estava ali, vestida como uma rainha... mas desmoronando como uma mulher exausta de ser forte.
E, pela primeira vez, ele sentiu algo diferente. Não era apenas raiva. Não era apenas desejo.
Era culpa.
E um desejo silencioso de fazer com que, um dia, ela nunca mais precisasse se sentir assim.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...