Capítulo 17 — A noite entre o silêncio e a fúria
O carro deslizava pela avenida principal, com as luzes da cidade refletindo nas janelas como constelações líquidas. Lá dentro, o silêncio era pesado. Nenhuma palavra foi dita desde que a porta se fechou com um baque abafado.
Eloise mantinha o rosto virado para a janela, mas as lágrimas continuavam caindo em silêncio. O que mais doía não era o que Lorenzo dissera — era o fato de ter doído. Como se, de alguma forma, parte daquelas palavras ainda encontrasse eco em suas feridas antigas.
Augusto permanecia ao lado, imóvel. Não tentou tocá-la. Não perguntou o que havia acontecido. Não havia espaço para palavras. Ele sentia que qualquer tentativa de consolo soaria falsa, ou pior: vazia. E se havia algo que Augusto Monteiro odiava ser... era ineficaz.
Do banco da frente, o motorista lançou um olhar discreto pelo retrovisor. Seu rosto, sempre sério, suavizou-se diante da imagem da mulher forte e elegante — agora com o rosto desfeito, os olhos marejados e a dignidade pendendo por um fio.
Ele pigarreou discretamente.
— Para onde, senhor?
Augusto abriu a boca, mas Eloise respondeu antes:
— Eu não posso ir pra casa. Meu pai... ele não pode me ver assim.
A voz saiu embargada, mas firme. A decisão estava tomada.
Augusto apenas assentiu com a cabeça e disse, seco:
— Para meu apartamento.
O motorista não respondeu. Apenas mudou de rota.
O silêncio voltou, denso, claustrofóbico. Eloise limpou discretamente o rosto com as costas da mão, respirando fundo várias vezes, tentando recuperar o controle. Não adiantava. Ainda havia um peso insuportável em seus ombros, como se a noite inteira estivesse esmagando seu corpo centímetro por centímetro.
Quando o carro entrou na garagem subterrânea do prédio luxuoso onde Augusto morava, ela manteve o olhar firme, mas os olhos ainda estavam vermelhos.
Ele desceu primeiro. Como sempre, com a postura ereta, as mãos nos bolsos do terno, o maxilar travado. Em seguida, ela saiu. Os dois caminharam em silêncio até um elevador no canto mais discreto da garagem.
Augusto digitou uma senha no painel metálico, sem precisar olhar. O sistema reconheceu e a porta se abriu com um som suave.
Eles entraram.
— Tenho.
Sem discutir, ele serviu outro copo e caminhou até ela.
Estendeu a bebida com a mesma frieza elegante de sempre — mas, dessa vez, seus olhos demoraram-se mais nos dela. Por um segundo, houve algo ali. Um tipo de cuidado que ele não sabia nomear.
Eloise aceitou o copo. As pontas dos dedos dos dois se tocaram por um breve instante.
Augusto se afastou e caminhou até a enorme janela panorâmica. Lá de cima, a cidade era só luz e silêncio.
Ele ficou ali, de costas para ela, o copo na mão. O reflexo do vidro mostrava Eloise no sofá, olhando para o vazio.
Nenhum dos dois disse nada.
Mas ambos estavam ali, no mesmo espaço... no mesmo silêncio.
E era como se o caos da noite inteira tivesse os empurrado para aquele instante: dois corpos, dois passados, duas raivas diferentes... presos na mesma sala, com um whisky na mão e sentimentos demais no peito.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...