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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 18

Capítulo 18 – Feridas expostas

Eloise bebeu o whisky de uma vez só. O líquido queimou sua garganta como fogo líquido, mas a dor no peito continuava mais forte. Latejante. Insistente.

Ela encostou o copo na perna, apoiando-se no sofá como quem precisava de apoio para manter a alma dentro do corpo. O silêncio persistia, mas dessa vez ...mas dessa vez, foi Augusto quem murmurou primeiro.

— Eu também já senti essa dor.

A voz dele não vinha carregada de piedade. Era sóbria, densa, quase como se estivesse revivendo algo que preferia enterrar.

— Não entendi tudo o que aconteceu com você hoje... mas conheço esse olhar. O de quem foi traída. De quem foi... enganada.

Ela o encarou. O olhar curioso se misturava à incredulidade. Augusto Monteiro? Sentir dor? Ele parecia inatingível. Forte demais para isso.

Mas ele continuou.

— Eu usei essa dor para me fortalecer. Não foi fácil. Mas passou.

Ela o observou com mais atenção agora. Por trás do homem impecável e da postura de aço, havia rachaduras. E pela primeira vez, ela quis ver mais.

— Foi a Thamires? — perguntou, com a voz baixa, quase como se não quisesse ouvir a resposta.

Augusto virou-se. Os olhos verdes estavam cravados nos dela, sem desviar.

— Sim — respondeu, com a voz firme. — A única mulher em quem confiei. E ela me traiu... com o homem que eu chamava de irmão.

Na minha casa.

Sem hesitar.

Sem remorso.

Eloise prendeu a respiração. A imagem parecia impossível — mas estava ali. Verdade crua. E, por algum motivo, aquilo a afetou mais do que imaginava.

Ela desviou o olhar, sentindo o peso da confissão pairar no ar.

Augusto voltou a olhar para a janela, como se a vista da cidade lhe oferecesse algum tipo de equilíbrio. A voz dele soou mais baixa, quase como um conselho arrancado do fundo da alma:

— Eloise... você é jovem. Bonita. Inteligente. Não se feche para o amor por causa de um idiota.

Mas a palavra “amor” veio como uma facada.

Eloise deixou escapar um meio sorriso torto, amargo.

— Só de ouvir essa palavra já me dá náusea.

Ele virou o rosto para ela — e pela primeira vez, seus olhos estavam quase... gentis.

Abriu devagar, entrando no quarto de hóspedes.

O ambiente era branco, minimalista e frio. Lençóis alinhados. Perfume discreto no ar. Nenhum sinal de afeto — mas ao menos ali, havia paz.

Eloise tirou o salto com um suspiro de alívio, largando-o no canto. Foi até o banheiro anexo, acendeu a luz suave e encarou o próprio reflexo.

O rímel estava borrado. O batom quase apagado. Mas o olhar... ainda era dela. Machucada, mas de pé.

Começou a se despir devagar, como se cada camada de roupa arrancasse também um pedaço do que tinha vivido naquela noite.

Soltou o colar de rubis com dedos trêmulos, observando-o cair sobre a cômoda com um tilintar frio. A joia cara, deslumbrante aos olhos de todos... não significava nada para ela agora. Não valia mais do que o vazio que sentia no peito.

Deslizou o zíper do vestido com lentidão. O tecido, que mais cedo vestia como uma armadura de elegância, agora escorregava pelos ombros até deslizar pelos quadris e cair em silêncio aos pés. Um vestido caro. Desejado. Costurado sob medida. E ainda assim, não a protegia de nada. Era só pano. Um pano caro, abandonado no chão frio de um quarto que não era seu.

A lingerie foi a próxima a ser deixada de lado, e cada peça retirada parecia levá-la mais perto do centro do seu próprio cansaço.

Abriu o chuveiro, deixando a água quente começar a preencher o box. O vapor subiu rápido, denso, como se o ambiente quisesse escondê-la do mundo. Quando entrou, sentiu o calor envolver seu corpo nu com delicadeza— O vapor subiu como um abraço silencioso.

Fechou os olhos.

Encostou a testa contra a parede fria do box, os dedos pressionando o azulejo. O coração ainda doía, latejando uma confusão de orgulho ferido, medo e... decepção. A decepção mais cruel — a de se ver tão vulnerável depois de lutar tanto para ser forte.

E, pela primeira vez naquela noite, permitiu-se apenas... existir.

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