Terça de Despedida
A manhã começou com cheiro de café fresco e risadas.
Nathalia e Eloise estavam na cozinha, o sol atravessando a janela e iluminando a mesa com uma luz dourada de outono.
— Eu ainda não acredito que hoje é o dia — disse Nathalia, mordendo um pedaço de pão. — Vai buscar o tio Carlos, finalmente!
Eloise sorriu, radiante. — Nem eu acredito. O médico confirmou, e ele deve sair até meio dia.
— Queria ir junto… — resmungou Nathalia, dramatizando. — Ia fingir que era filha também.
— Ia acabar chorando mais do que eu, isso sim. — Eloise riu, ajeitando a alça da bolsa. — Mas preciso voltar pro trabalho depois. Já avisei na VisionLab, não posso abusar da sorte.
Nathalia apoiou o queixo nas mãos, observando a amiga com um sorriso melancólico.
— E pensar que você vai me abandonar… — murmurou, fingindo um beicinho. — Eu e meu café vamos ficar órfãos.
— Drama, Nathalia. — Eloise respondeu, rindo. — É só um novo endereço, não uma viagem sem volta.
Mas quando Nathalia viu a mala pronta ao lado da porta, o riso cedeu lugar a um aperto discreto no peito.
Levantou-se, respirou fundo e, sem pensar muito, envolveu Eloise num abraço apertado.
— Boa sorte, vaca. — disse com a voz embargada. — Manda um beijo pro tio Carlos. Depois eu passo lá pra visitar vocês.
Eloise riu, com os olhos marejados. — Beijo, melhor amiga vaca. Te amo.
Elas ficaram assim por um instante — rindo e chorando ao mesmo tempo, presas num abraço que dizia mais do que qualquer palavra.
Lá fora, a cidade já começava a despertar, os carros passando devagar, o ar leve de começo de dia.
Eloise desceu pela portaria ainda sorrindo, acenando para Nathalia, que ficou ali, encostada no vidro, observando-a se afastar.
— Vai lá, Elô. — murmurou sozinha. — E que tudo dê certo.
Enquanto Eloise seguia rumo ao hospital, com o coração cheio de esperança e saudade, Nathalia virou-se e foi em direção à MonteiroCorp — sem imaginar que aquele seria o dia em que as peças começariam a se mover de vez.
___
O hospital tinha o cheiro familiar de café, desinfetante e esperança.
Eloise atravessou o corredor com o coração acelerado, cada passo ecoando como um compasso de alegria e ansiedade.
Quando abriu a porta do quarto, o sorriso veio antes das palavras.
— Pai!
Carlos, já sentado na beira da cama, virou-se e abriu os braços. — Minha princesa !
O abraço foi longo, apertado, cheio de silêncios que diziam o que nenhum dos dois conseguia traduzir.
Por um instante, tudo ao redor pareceu ficar em pausa.
— Não acredito que finalmente vou sair daqui. — Carlos brincou, afagando os cabelos dela. — Já até decorei o número dos azulejos dessa parede.
Eloise riu, enxugando discretamente as lágrimas. — O importante é que vai voltar pra casa.
— Mas vamos continuar de olho em você, senhor teimoso. — disse uma voz atrás deles.
Eloise se virou, surpresa. — Cláudia!
A auditora estava na porta, com um buquê pequeno nas mãos e o sorriso acolhedor de sempre.
— Achei que um pouco de cor alegraria o quarto. — disse, entregando as flores. — E eu precisava ver esse homem fora desse hospital.
— Cláudia, é muito bom ver você. — Carlos respondeu, bem-humorado.
O clima ficou leve — risadas, pequenas provocações, lembranças sobre as visitas, sobre os enfermeiros que já sabiam o nome de Carlos e os bolos que Eloise prometeu fazer.
Era uma cena simples, mas com cheiro de recomeço.
Cláudia ajeitou a bolsa no braço e olhou para o relógio. — O médico já assinou a alta. Só falta a liberação no setor administrativo.
— Eu vou lá resolver. — disse Eloise, já pegando a pasta.
Carlos piscou para Cláudia. — Viu como ela é prática? Igual à mãe.
— Ou igual ao pai. — respondeu ela, divertida. — Teimosia corre no sangue.
Os dois riram, e Eloise balançou a cabeça, sorrindo.
Pouco tempo depois, já com os papéis em mãos, Eloise voltou ao quarto.
Carlos estava pronto, vestido com a roupa que ela havia trazido, e Cláudia conversava animadamente com uma enfermeira.
— Pronto. Podemos ir. — disse Eloise, exalando alívio.
— Ótimo, porque meu motorista acabou de avisar que o carro está lá fora. — anunciou Cláudia, pegando a bolsa.
Mas, ao saírem do hospital, Eloise parou de súbito.
Encostado num carro preto, de braços cruzados e olhar tranquilo, estava Augusto Monteiro.
Aquele terno parecia ainda mais alinhado sob o sol da manhã, e o leve sorriso no canto dos lábios fez o coração dela tropeçar dentro do peito.
— Augusto? — perguntou, surpresa. — O que está fazendo aqui?
Ele deu um passo à frente, voz baixa, mas firme. — Cláudia comentou que seu pai receberia alta hoje. Achei que seria gentil… vir buscá-los.
— Não precisava — respondeu, sem conseguir esconder o tom suave. — Mas… obrigada.
— Eu insisto — disse ele, quase sorrindo. — É o mínimo depois de tudo.
Carlos assistia à cena com uma expressão divertida. — Olha só quem resolveu virar chofer.
— São só algumas malas. — respondeu, rindo. — Não quero te incomodar, Thomas.
Do outro lado, o silêncio breve veio seguido de uma risada baixa.
— Incomodar? Você tem noção do quanto tá me ajudando a salvar meu tédio de folga?
— Thomas… — começou ela, já antecipando a insistência.
— Pronto. — cortou ele, decidido. — Em trinta minutos eu tô aí. E vou levar o carro grande, assim a gente coloca tudo de uma vez.
— Você não precisa…
— Preciso sim. — interrompeu de novo, firme. — Quero ver de perto essa nova fase.
Sofia suspirou, mas não conseguiu esconder o sorriso.
— Tá bom, policial teimoso. Traga o carro grande, então.
— Ótimo. — ele respondeu, com o som de uma chave girando. — E prepara o café, porque vou querer recompensa.
A ligação terminou, e Sofia ficou olhando o celular por um momento, o coração batendo um pouco mais rápido do que o normal.
Não sabia se era nervosismo ou expectativa — talvez um pouco dos dois.
Correu até o espelho da sala e ajeitou os cabelos, prendeu num coque alto, e passou um pouco de gloss.
Depois, empilhou as malas dentro do elevador e tentou se convencer de que não estava esperando nada além de ajuda.
Mas, trinta minutos depois, Sofia estava na portaria, e ouviu a buzina curta e o ronco do motor, o coração dela confirmou o contrário.
Sofia abriu a porta do Halls de entrada e lá estava ele:
Thomas Alves, de camiseta preta, jeans escuro e aquele sorriso tranquilo que, por algum motivo, sempre a fazia esquecer o que estava prestes a dizer.
Encostado na caminhonete — uma Ram preta, com detalhes cromados e o brilho polido de quem cuida do que gosta — ele ergueu uma sobrancelha.
— Pronta pra nova vida, Valença?
Ela cruzou os braços, tentando disfarçar o riso.
— Só se você prometer não reclamar do peso das malas.
— Prometo nada. — respondeu, abrindo a caçamba. — Mas aceito ser promovido a motorista particular.
Sofia riu e entregou a primeira mala.
O toque breve das mãos foi suficiente pra fazer o tempo parecer mais lento.
Enquanto ele ajeitava tudo com facilidade, ela o observava em silêncio — e percebeu que, às vezes, o começo de algo importante não precisa de grandes palavras.
Só de alguém que aparece quando a gente mais precisa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...