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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 198

Terça de Despedida

A manhã começou com cheiro de café fresco e risadas.

Nathalia e Eloise estavam na cozinha, o sol atravessando a janela e iluminando a mesa com uma luz dourada de outono.

— Eu ainda não acredito que hoje é o dia — disse Nathalia, mordendo um pedaço de pão. — Vai buscar o tio Carlos, finalmente!

Eloise sorriu, radiante. — Nem eu acredito. O médico confirmou, e ele deve sair até meio dia.

— Queria ir junto… — resmungou Nathalia, dramatizando. — Ia fingir que era filha também.

— Ia acabar chorando mais do que eu, isso sim. — Eloise riu, ajeitando a alça da bolsa. — Mas preciso voltar pro trabalho depois. Já avisei na VisionLab, não posso abusar da sorte.

Nathalia apoiou o queixo nas mãos, observando a amiga com um sorriso melancólico.

— E pensar que você vai me abandonar… — murmurou, fingindo um beicinho. — Eu e meu café vamos ficar órfãos.

— Drama, Nathalia. — Eloise respondeu, rindo. — É só um novo endereço, não uma viagem sem volta.

Mas quando Nathalia viu a mala pronta ao lado da porta, o riso cedeu lugar a um aperto discreto no peito.

Levantou-se, respirou fundo e, sem pensar muito, envolveu Eloise num abraço apertado.

— Boa sorte, vaca. — disse com a voz embargada. — Manda um beijo pro tio Carlos. Depois eu passo lá pra visitar vocês.

Eloise riu, com os olhos marejados. — Beijo, melhor amiga vaca. Te amo.

Elas ficaram assim por um instante — rindo e chorando ao mesmo tempo, presas num abraço que dizia mais do que qualquer palavra.

Lá fora, a cidade já começava a despertar, os carros passando devagar, o ar leve de começo de dia.

Eloise desceu pela portaria ainda sorrindo, acenando para Nathalia, que ficou ali, encostada no vidro, observando-a se afastar.

— Vai lá, Elô. — murmurou sozinha. — E que tudo dê certo.

Enquanto Eloise seguia rumo ao hospital, com o coração cheio de esperança e saudade, Nathalia virou-se e foi em direção à MonteiroCorp — sem imaginar que aquele seria o dia em que as peças começariam a se mover de vez.

___

O hospital tinha o cheiro familiar de café, desinfetante e esperança.

Eloise atravessou o corredor com o coração acelerado, cada passo ecoando como um compasso de alegria e ansiedade.

Quando abriu a porta do quarto, o sorriso veio antes das palavras.

— Pai!

Carlos, já sentado na beira da cama, virou-se e abriu os braços. — Minha princesa !

O abraço foi longo, apertado, cheio de silêncios que diziam o que nenhum dos dois conseguia traduzir.

Por um instante, tudo ao redor pareceu ficar em pausa.

— Não acredito que finalmente vou sair daqui. — Carlos brincou, afagando os cabelos dela. — Já até decorei o número dos azulejos dessa parede.

Eloise riu, enxugando discretamente as lágrimas. — O importante é que vai voltar pra casa.

— Mas vamos continuar de olho em você, senhor teimoso. — disse uma voz atrás deles.

Eloise se virou, surpresa. — Cláudia!

A auditora estava na porta, com um buquê pequeno nas mãos e o sorriso acolhedor de sempre.

— Achei que um pouco de cor alegraria o quarto. — disse, entregando as flores. — E eu precisava ver esse homem fora desse hospital.

— Cláudia, é muito bom ver você. — Carlos respondeu, bem-humorado.

O clima ficou leve — risadas, pequenas provocações, lembranças sobre as visitas, sobre os enfermeiros que já sabiam o nome de Carlos e os bolos que Eloise prometeu fazer.

Era uma cena simples, mas com cheiro de recomeço.

Cláudia ajeitou a bolsa no braço e olhou para o relógio. — O médico já assinou a alta. Só falta a liberação no setor administrativo.

— Eu vou lá resolver. — disse Eloise, já pegando a pasta.

Carlos piscou para Cláudia. — Viu como ela é prática? Igual à mãe.

— Ou igual ao pai. — respondeu ela, divertida. — Teimosia corre no sangue.

Os dois riram, e Eloise balançou a cabeça, sorrindo.

Pouco tempo depois, já com os papéis em mãos, Eloise voltou ao quarto.

Carlos estava pronto, vestido com a roupa que ela havia trazido, e Cláudia conversava animadamente com uma enfermeira.

— Pronto. Podemos ir. — disse Eloise, exalando alívio.

— Ótimo, porque meu motorista acabou de avisar que o carro está lá fora. — anunciou Cláudia, pegando a bolsa.

Mas, ao saírem do hospital, Eloise parou de súbito.

Encostado num carro preto, de braços cruzados e olhar tranquilo, estava Augusto Monteiro.

Aquele terno parecia ainda mais alinhado sob o sol da manhã, e o leve sorriso no canto dos lábios fez o coração dela tropeçar dentro do peito.

— Augusto? — perguntou, surpresa. — O que está fazendo aqui?

Ele deu um passo à frente, voz baixa, mas firme. — Cláudia comentou que seu pai receberia alta hoje. Achei que seria gentil… vir buscá-los.

— Não precisava — respondeu, sem conseguir esconder o tom suave. — Mas… obrigada.

— Eu insisto — disse ele, quase sorrindo. — É o mínimo depois de tudo.

Carlos assistia à cena com uma expressão divertida. — Olha só quem resolveu virar chofer.

— São só algumas malas. — respondeu, rindo. — Não quero te incomodar, Thomas.

Do outro lado, o silêncio breve veio seguido de uma risada baixa.

— Incomodar? Você tem noção do quanto tá me ajudando a salvar meu tédio de folga?

— Thomas… — começou ela, já antecipando a insistência.

— Pronto. — cortou ele, decidido. — Em trinta minutos eu tô aí. E vou levar o carro grande, assim a gente coloca tudo de uma vez.

— Você não precisa…

— Preciso sim. — interrompeu de novo, firme. — Quero ver de perto essa nova fase.

Sofia suspirou, mas não conseguiu esconder o sorriso.

— Tá bom, policial teimoso. Traga o carro grande, então.

— Ótimo. — ele respondeu, com o som de uma chave girando. — E prepara o café, porque vou querer recompensa.

A ligação terminou, e Sofia ficou olhando o celular por um momento, o coração batendo um pouco mais rápido do que o normal.

Não sabia se era nervosismo ou expectativa — talvez um pouco dos dois.

Correu até o espelho da sala e ajeitou os cabelos, prendeu num coque alto, e passou um pouco de gloss.

Depois, empilhou as malas dentro do elevador e tentou se convencer de que não estava esperando nada além de ajuda.

Mas, trinta minutos depois, Sofia estava na portaria, e ouviu a buzina curta e o ronco do motor, o coração dela confirmou o contrário.

Sofia abriu a porta do Halls de entrada e lá estava ele:

Thomas Alves, de camiseta preta, jeans escuro e aquele sorriso tranquilo que, por algum motivo, sempre a fazia esquecer o que estava prestes a dizer.

Encostado na caminhonete — uma Ram preta, com detalhes cromados e o brilho polido de quem cuida do que gosta — ele ergueu uma sobrancelha.

— Pronta pra nova vida, Valença?

Ela cruzou os braços, tentando disfarçar o riso.

— Só se você prometer não reclamar do peso das malas.

— Prometo nada. — respondeu, abrindo a caçamba. — Mas aceito ser promovido a motorista particular.

Sofia riu e entregou a primeira mala.

O toque breve das mãos foi suficiente pra fazer o tempo parecer mais lento.

Enquanto ele ajeitava tudo com facilidade, ela o observava em silêncio — e percebeu que, às vezes, o começo de algo importante não precisa de grandes palavras.

Só de alguém que aparece quando a gente mais precisa.

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