Convite Inesperado
O sol já se punha atrás dos prédios altos quando Eloise saiu do edifício da VisionLab.
O ar fresco do fim de tarde carregava o cheiro da cidade — mistura de café, trânsito e flores vindas do jarro que ela ainda sentia nas mãos, mesmo de longe.
Mal deu dois passos na calçada quando uma voz conhecida a chamou:
— Eloise!
Ela se virou, surpresa.
— Lucas? — arqueou uma sobrancelha. — Não vai me dizer que é coincidência de novo?
Ele riu, coçando a nuca.
— Coincidência? Não dessa vez. — disse, sincero. — Vim te convidar pra jantar.
Eloise piscou, sem entender.
— Jantar?
— Isso mesmo. — respondeu ele, animado. — Abriu um restaurante italiano aqui perto. Eu pensei em te levar pra conhecer.
Ela hesitou.
— Ah, Lucas… não sei. Meu pai acabou de receber alta, eu devia ir pra casa.
— Eu sei. — interrompeu com um sorriso gentil. — Mas é só um jantar, nada demais.
Vi nas suas redes que você ama comida italiana, e esses donos são mesmo italianos. Prometo que você vai adorar.
Eloise cruzou os braços, avaliando.
— Lucas, eu… não quero que você entenda errado.
Ele ergueu as mãos, teatralmente.
— Eu entendo perfeitamente. É um jantar entre amigos.
Nada além disso. — disse, com um sorriso que tentava parecer inocente, mas havia algo mais nos olhos dele — admiração, curiosidade… e algo que Eloise preferiu não nomear.
Por dentro, a intuição dela gritava que não deveria aceitar.
Mas a forma como ele falava, o cuidado em lembrar do que ela gostava, e o esforço visível que teve em aparecer ali… tudo aquilo a fez hesitar.
Não queria ser grosseira.
Nem dar esperança.
Mas também não queria parecer ingrata.
Respirou fundo, rendendo-se ao meio-termo.
— Ok. Mas é jantar entre amigos, entendido?
E não posso demorar.
Lucas sorriu, vitorioso.
— Combinado. Prometo que te deixo em casa cedo.
Ele gesticulou para o carro estacionado logo à frente.
— Vem, o lugar é lindo. E tem um tiramisù que vai te fazer esquecer o nome Monteiro por uma noite.
Eloise riu, balançando a cabeça.
— Boa sorte tentando conseguir isso.
Enquanto o carro se afastava pela avenida iluminada, ela olhou pela janela e tentou ignorar o pressentimento estranho no peito.
Não era medo — era só… algo fora de lugar.
Mas, como sempre, Eloise preferiu acreditar que era apenas cansaço —
e não aquele tipo de pressentimento que avisa quando algo está prestes a mudar.
O destino, no entanto, sabia que não era.
O restaurante ficava em uma rua charmosa, de paralelepípedos e luzes amareladas, o tipo de lugar que parecia feito para histórias românticas — mas Eloise não se sentia parte de nenhuma delas naquela noite.
Lucas puxou a cadeira para ela, atencioso.
— Espero que goste do ambiente. — disse, sorrindo. — O chef é napolitano, veio direto da Itália.
Eloise sorriu de leve. — Parece ótimo.
O garçom trouxe o cardápio e, enquanto ela observava as opções, Lucas não disfarçava o olhar.
— Você parece feliz, sabia? — comentou, num tom suave. — Tem um brilho diferente nos olhos.
Ela o olhou rapidamente, tentando manter o tom neutro.
— É que meu pai tá bem, em casa . Acho que isso muda tudo.
— Imagino. — respondeu ele, sincero. — Família é tudo.
A conversa seguiu leve — viagens, culinária, lembranças de infância.
Mas, por dentro, Eloise se sentia um pouco deslocada.
Não havia nada errado, mas também nada certo.
Lucas era gentil, divertido até.
Mas toda vez que sorria, o rosto dela parecia procurar outro — o de Augusto.
Quando o garçom trouxe o tiramisù, ela riu.
— Está tentando me conquistar pela sobremesa?
— Não. — respondeu, com humor. — Só queria ver esse sorriso de novo.
Ela desviou o olhar, sentindo o desconforto subir como calor.
— É… obrigada, Lucas. Mas acho que preciso ir.
Ele tentou disfarçar a decepção.
— Claro. Eu te levo.
- Não precisa. De verdade, obrigado pelo jantar, a experiência foi agradável.
Eloise sorriu, educada, e não percebeu o olhar que ele lançou quando ela se levantou — aquele tipo de olhar que dura um segundo a mais do que deveria.
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Enquanto isso, do outro lado da cidade, Augusto Monteiro estava debruçado sobre a varanda do novo jardim.
O céu escurecia, e o perfume das flores recém-plantadas misturava-se ao cheiro da terra úmida.
Thiago chegou com duas taças de vinho.
— Nem pense nisso. Vai aproveitar o feriado com as meninas. Eu já tenho planos pro dia.
— Planos? — perguntou Eloise, fingindo desconfiança.
Ele sorriu. — Um café com o pessoal do bairro e uma caminhada leve. Nada demais.
— Aí sim, tio! — disse Nathalia, rindo. — Tá certíssimo!
Todas caíram na gargalhada.
Carlos levantou as mãos, em tom de brincadeira.
— Vão logo, antes que eu mude de ideia e invente uma lista de tarefas pra vocês!
— Sim, senhor! — respondeu Emma, fazendo continência.
E assim, entre risadas, toalhas coloridas e o som da caixa de som tocando no corredor, as quatro saíram animadas em direção à piscina.
O sol as acompanhava lá fora — e, por algumas horas, parecia que o mundo inteiro se resumia àquilo:
amizade, leveza e o gosto doce de estar viva.
O sol de outono ainda aquecia com doçura, misturando luz morna e um vento leve que fazia as folhas dançarem ao redor da piscina.
Era o tipo de dia que parecia ter sido feito sob medida para elas.
O quarteto chegou junto, colorido, confiante, risonho.
Os biquínis, cada um de um estilo, refletiam as personalidades — o clássico elegante de Eloise, o ousado de Nathalia, o delicado de Sofia e o vibrante de Emma.
Emma, sempre organizada, já tinha reservado uma das melhores mesas do clube, com guarda-sol, toalhas, drinks e uma bandeja de frutas cortadas.
— Aqui, minhas deusas. — anunciou, entregando um copo Drink pra cada uma. — Dia de sol, feriado e zero problemas permitidos.
Nathalia tirou os óculos e olhou em volta, avaliando o ambiente movimentado.
— Hm… não tinha dúvida que eles viriam. — comentou, divertida. — Achei até que demoraram demais.
Eloise riu. — Quem?
Antes que pudesse responder, quatro homens atravessaram o pátio do clube. Camisas abertas, risadas altas e olhares que iam direto para a mesa delas.
Emma balançou a cabeça, pegando um morango da bandeja.
— Esses homens estão parecendo cachorro atrás do dono.
Sofia mordeu o lábio, rindo. — Das donas, você quis dizer.
As quatro caíram na gargalhada.
O som ecoou leve, chamando ainda mais atenção — e de repente, metade da piscina parecia observar aquele grupo de mulheres que exalava liberdade e charme sem esforço algum.
— Aposto que eles vão tentar se aproximar antes da gente terminar o primeiro drink. — provocou Nathalia, colocando os óculos de volta.
— Eu aposto que a Emma vai ser a primeira a sorrir. — retrucou Sofia.
— Aposto que a Eloise vai fingir que não percebe. — completou Emma, com uma piscadela.
Eloise ergueu as mãos em rendição. — Eu? Nunca! Sou um anjo da prudência.
— Ah, claro — zombou Nathalia. — O anjo mais observado do clube.
Risos, brincadeiras e o som das taças tilintando.
O sol refletia na água, e o vento leve fazia o cenário parecer de filme — o tipo de tarde que a vida devia repetir em looping.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...