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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 202

O Sinal Amarelo

Enquanto o sol brilhava alto sobre Cidade Norte, a MonteiroCorp estava em completo silêncio.

Os corredores, sempre cheios de vozes e passos apressados, agora ecoavam apenas o som distante do ar-condicionado.

Era feriado.

Nenhum funcionário deveria estar ali.

Mas alguém estava.

Uma sombra atravessava o andar principal com passos calculados — sem pressa, sem ruído.

As luzes de presença acendiam à medida que ele passava, revelando o terno escuro e as luvas finas.

O crachá que trazia no peito era verdadeiro. O nome, nem tanto.

Nos monitores da sala de controle, o reflexo do homem surgia brevemente — um vulto entre as câmeras internas — antes de desaparecer novamente.

Diante da porta de vidro com o logotipo da MonteiroCorp — Tecnologia e Inovação, ele digitou uma senha com precisão milimétrica.

O painel fez um leve bip e a tranca liberou.

Lá dentro, o som dos servidores preenchia o ar.

Linhas de código corriam nas telas como rios de dados.

Ele se sentou diante de um dos computadores, conectou um pequeno dispositivo prateado e respirou fundo.

No visor, a tela piscou.

O símbolo do Museu de Louvre apareceu por um instante — discreto, quase poético — antes de se dissolver em linhas verdes.

> “Rede conectada. Sistema de transferência em andamento.”

O cursor piscava.

Códigos começaram a rodar, e o plano tomou forma.

Era como se ele estivesse se conectando a um wi-fi invisível dentro da estrutura da MonteiroCorp — um canal interno, silencioso, imperceptível para os usuários comuns.

Em poucos minutos, a transferência estava feita.

Os dados haviam sido adulterado.

Ele retirou o dispositivo, limpou as digitais com um lenço e se levantou calmamente.

Tudo perfeito.

Ou quase.

Porque, no andar de baixo — na recém-criada sala de sistema operacional o coração de segurança da empresa —, um pequeno detalhe escapou à sua previsão.

Um retângulo amarelo começou a piscar no telão principal.

Sutil.

Intermitente.

Mas claro o bastante para ser notado.

> ALERTA AMARELO: ATIVIDADE NÃO AUTORIZADA NA REDE INTERNA.

O sistema de defesa automática havia detectado algo.

E, naquele instante, o jogo silencioso que vinha sendo jogado nas sombras começava a ganhar forma.

O ataque havia começado.

Mas Augusto Monteiro, mesmo sem saber, já tinha preparado sua próxima jogada.

Enquanto a cidade respirava o feriado sob o sol,

as sombras dentro da MonteiroCorp começavam a se mover.

___

O som da água misturava-se ao riso fácil das meninas.

O sol dourava a pele, e o vento leve de outono fazia as folhas dançarem sobre o deck da piscina.

Emma ria alto com Thiago, que parecia empenhado em fazê-la perder a compostura.

— Eu juro, Emma, se eu ganhar o próximo jogo, você vai ter que admitir que eu sou o verdadeiro campeão de vôlei do grupo. — provocou ele, jogando um pouco de água nela.

— Ah, claro! — retrucou ela, rindo. — Campeão de falar, talvez.

Sofia e Thomas conversavam tranquilos, a cumplicidade crescendo de forma natural.

Heitor, por sua vez, não tirava os olhos de Nathalia, que fingia não perceber.

O clima era leve, quase perfeito — até que o destino decidiu brincar de novo.

Heitor se ajeitou na espreguiçadeira, os óculos escuros refletindo a cena à frente.

Lucas e Augusto estavam frente a frente, trocando frases polidas demais e sorrisos que não combinavam com a tensão no ar.

O clima parecia prestes a ferver, mesmo com o sol brilhando forte sobre a piscina.

— Olha lá… — murmurou Heitor, com um meio sorriso. — E o feriado prometia ser tranquilo.

Nathalia seguiu o olhar dele e bufou, divertida. — Dois homens adultos disputando quem fica com a atenção da mesma mulher. É o resumo da humanidade.

— Errado. — retrucou Heitor, apoiando o queixo na mão. — É o resumo de Augusto Monteiro. O homem transforma até uma conversa de piscina em guerra territorial.

Ela riu, cruzando as pernas. — E o Lucas? Tá achando que pode competir?

Heitor soltou um assobio leve. — Corajoso, eu admito. Inconsequente também.

— Aposto que nenhum dos dois vai conseguir o que quer. — disse Nathalia, convicta. — A Eloise vai embora sozinha, como sempre.

Cada vez que Lucas fazia um comentário espirituoso, Augusto rebatia com algo calculado.

Cada vez que Augusto se aproximava, Lucas encontrava um jeito de se manter por perto.

As meninas tentaram contornar o clima com brincadeiras e risadas, mas era impossível ignorar a disputa silenciosa que pairava no ar.

Eloise, a princípio, fingiu não perceber. Depois, tentou rir. No fim da tarde, já estava exausta.

A luz do sol começava a dourar a piscina, o vento trazia o cheiro de cloro e o som das conversas misturava-se à música ambiente.

Foi quando ela respirou fundo, pegou a bolsa e se levantou, o sorriso cansado nos lábios.

— Eu vou embora. — anunciou, sem alterar o tom, mas com a firmeza de quem já havia passado do limite.

— Elô... — começou Nathalia, mas ela levantou a mão.

— Fiquem. Aproveitem o restinho do dia. Eu preciso desse ar fresco.

O grupo a observou caminhar até a saída do clube, o vestido leve balançando com o vento frio.

Augusto esperou alguns segundos antes de se levantar também.

— Eu vou atrás dela. — anunciou.

Thiago abriu um sorriso contido. — Tem certeza?

— Sim. — respondeu ele, já pegando as chaves. — Levo ela em casa, em segurança.

As meninas trocaram olhares cúmplices enquanto Augusto se afastava.

Emma balançou a cabeça, sorrindo. — Aposto que essa carona vai acabar em outro tipo de discussão.

— Do jeito deles? — perguntou Nathalia.

— Do jeito deles. — confirmou Sofia, rindo.

E Augusto Monteiro ganhou uma aposta que nem sabia que existia —

foi ele quem levou Eloise Nogueira para casa.

Mas, dessa vez, havia algo diferente no ar:

um silêncio denso, cheio de tudo o que já sentiam…

e de tudo o que ainda não tinham coragem de dizer.

O carro se afastou pela avenida quase deserta, levando com ele um amor que tentava amadurecer entre cicatrizes e promessas.

Lá longe, em um andar silencioso da MonteiroCorp,

uma pequena luz ainda piscava no telão principal — o sinal amarelo, discreto e paciente,

esperando a próxima jogada.

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