O Genro e o Beijo
O carro preto parou suavemente diante da casa dos Nogueira.
Augusto desligou o motor e olhou de lado, com aquele meio sorriso que Eloise já reconhecia de longe — o sorriso que sempre vinha acompanhado de alguma ideia ousada.
— Não precisa descer — disse ela, cruzando os braços.
— Claro que preciso. — respondeu ele, soltando o cinto com calma. — Preciso ver como está meu futuro sogro.
Eloise arqueou uma sobrancelha. — Ah, pronto… não, Augusto.
Ele deu uma risadinha, já abrindo a porta.
—Sou o genro do senhor Carlos, senhorita Nogueira — e ele vai adorar me ver.
— Você é impossível. — resmungou ela, tentando esconder o riso.
Augusto a ignorou com a elegância ensaiada de quem sabia exatamente o efeito que causava. Caminhou até a porta, e Eloise o seguiu, balançando a cabeça, pronta pra intervir se ele resolvesse bancar o charmoso demais.
Mas, quando a porta se abriu, o que viram os deixou completamente sem palavras.
Na sala, Carlos e Cláudia estavam lado a lado… e não apenas lado a lado.
Um beijo — suave, demorado, inesperado — encerrava o que parecia ser uma conversa muito agradável.
Augusto piscou, surpreso, e depois ergueu as sobrancelhas, divertido.
— Mas o mundo enlouqueceu de vez! — exclamou, teatral, abrindo os braços. — O bicho do amor picou Cláudia Fernandes!
Cláudia se afastou de Carlos, rindo sem graça. — Augusto Monteiro! Você não tem jeito mesmo.
— Eu tô em choque — a mulher mais centrada que conheço… vítima do cupido!
Eloise segurou o riso, mas tentou manter o tom firme:
— Augusto, chega. Deixa de ser criança.
Ele ergueu as mãos, fingindo inocência. — Tudo bem, tudo bem. Mas eu vi… e não posso fingir que não vi!
Carlos, rindo da situação, aproveitou pra mudar de assunto:
— Já que o segredo foi descoberto… que tal ficar pra jantar, Augusto?
Augusto olhou para Eloise, como quem buscava aprovação, mas recebeu apenas um suspiro resignado.
— Eu aceito com prazer. — disse, sorrindo. — Prometo me comportar… mais ou menos. — completou, piscando para Cláudia.
Cláudia riu, balançando a cabeça. — Deus nos ajude.
Eles seguiram para a cozinha, o clima leve e familiar.
O aroma de temperos já tomava conta do ambiente, e a conversa fluía fácil — trabalho, lembranças, o jardim, planos para o fim de semana.
Quando o jantar estava quase pronto, Carlos se levantou.
— Cadê as minhas meninas?
— Suas meninas? — perguntou Eloise, sorrindo. — Acho que ainda estão na piscina.
— Então convida elas pra jantar. — disse ele, animado. — Hoje eu quero ver essa mesa lotada — de gente, de risada e de boa comida. Modéstia à parte, meu strogonoff tá digno de chef!
Ele fez uma pausa curta, o olhar distante por um instante, e completou em tom mais baixo — o tom de quem esteve perto demais da linha entre a vida e a morte:
— A vida é curta demais pra deixar de comemorar.
Augusto assentiu, olhando para Eloise com ternura.
— Concordo com o senhor, seu Carlos. — disse. — Não tem remédio melhor do que isso: família, amigos e… amor.
Eloise sentiu o coração apertar — e, por um breve instante, o olhar dele fez o mundo parecer parar.
Cláudia fingiu não perceber, mas o sorriso no canto dos lábios a entregava:
no fundo, torcia pra que, naquela casa, o amor enfim encontrasse o caminho certo — e ficasse.
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O grupo das meninas vibrava no celular de Eloise.
As mensagens iam e voltavam — uma avalanche de emojis e risadas.
Eloise:
> “Jantar aqui em casa hoje. Papai e Cláudia pediram pra chamar todo mundo!”
Emma:
> “Jantar? Comida e fofoca? Tô dentro.”
Sofia:
>“Eu também!".
Nathalia:
“Se tiver sobremesa, chegamos já."
Eloise riu sozinha, digitando de volta:
> “Venham todas. Papai vai fazer o tão famoso strogonoff. Já vamos abrir o vinho.”
As respostas vieram quase instantâneas — corações, risadas e o som de animação que atravessava até o teclado.
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No clube, o sol já estava se escondendo, tingindo o céu de tons alaranjados enquanto as meninas se arrumavam nos vestiários.
Perfume, risadas e o som dos zíperes — o caos delicioso do pós-piscina.
Emma foi a primeira a sair, ajeitando o cabelo ainda levemente molhado.
Mas não deu dois passos antes de sentir braços firmes a envolverem por trás.
— E a senhorita pensa que vai pra onde? — murmurou Thiago, encostando o queixo no ombro dela, a voz carregada de ciúme e charme.
Emma virou-se, rindo. — A um jantar, senhor detetive. E você não está na lista.
Thomas apareceu logo atrás, cruzando os braços.
Mas quando os passos pesados ecoaram atrás delas, Nathalia virou-se com um movimento ensaiado, uma sobrancelha arqueada e o tom afiado:
— O que vocês estão fazendo aqui?
Thiago respondeu primeiro, com a naturalidade de quem acredita no próprio disfarce:
— Eu vim jantar na casa da Eloise.
Emma cruzou os braços. — Ah, é? E ela te convidou?
Heitor, Thomas e Thiago trocaram olhares cúmplices, tentando manter a compostura.
— Não. — admitiu Heitor, sem graça. — Mas ela não vai recusar um prato de comida pro chefe dela.
— Além disso… — completou Thiago, sério demais pra convencer. — Somos amigos da Eloise. Não seria educado rejeitar a nossa presença.
— E viemos ver o senhor Carlos. — acrescentou Thomas rápido, tentando parecer convincente. — Saber como ele está, claro.
Nathalia deu um passo à frente, o olhar firme.
— Sei. Preocupação com o bem-estar, né? Ou seria vocês querendo controlar pra onde a gente vai?
Os três fingiram não ouvir, passando por elas como se tivessem total autorização celestial para entrar.
A cena foi tão absurda que Emma e Sofia não conseguiram conter o riso.
As meninas correram, ultrapassando os três e tocando a campainha antes que eles conseguissem fingir mais um motivo.
Quando a porta se abriu, Eloise deu de cara com o grupo — os meninos atrás das meninas, todos tentando parecer inocentes.
Ela cruzou os braços, contendo o riso.
— Nem vou perguntar o que está acontecendo… nem o que eles estão fazendo aqui.
Abriu a porta e saiu de cena, rindo baixinho.
Os rapazes entraram triunfantes, sendo recebidos por Cláudia e Carlos na sala.
Logo os cumprimentos se espalharam — abraços, risadas, um clima animado e meio caótico de reencontro.
Heitor olhou ao redor e notou Augusto sentado à cabeceira, observando tudo com aquele olhar tranquilo — o de quem sempre parece saber mais do que diz.
— Espera aí… — murmurou ele, indignado. — Por que ele foi convidado e a gente não?
Eloise, ao lado de Cláudia, respondeu de pronto, com ironia doce:
— Quem disse que ele foi convidado?
Augusto disfarçou o sorriso, mas os olhos denunciaram a satisfação.
Carlos, divertido, levantou o copo e decretou:
— Aqui ninguém precisa de convite. Todos são bem-vindos.
— Aí sim, seu Carlos! — exclamou Thiago, já se aproximando da mesa. — Isso é o que eu chamo de homem de visão!
Cláudia balançou a cabeça, rindo, enquanto os lugares se preenchiam rapidamente.
A casa se encheu de vozes, aromas e pequenas provocações — aquela bagunça boa que só acontece quando o amor, a amizade e um toque de confusão resolvem sentar na mesma mesa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...