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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 205

O Dia Azul

O relógio marcava quase meio-dia quando o motorista estacionou em frente ao Spa Le Jardin.

O prédio de vidro refletia o sol do outono, e Eloise desceu do carro com aquele misto de surpresa e curiosidade — ainda sem entender como tinha sido “sorteada” para um dia de puro luxo.

Assim que entrou, foi recebida com um sorriso gentil e o som suave de violinos ao fundo.

O ambiente exalava tranquilidade — velas aromáticas, flores brancas e o cheiro de lavanda preenchendo o ar.

A tarde passou devagar, como se o tempo tivesse aprendido a respirar.

Massagem com óleos orientais, esfoliação com sais importados do Mar Morto, banho de hidromassagem com pétalas frescas, unhas feitas, cabelos impecáveis.

Cada detalhe parecia ter sido planejado com carinho, como se o universo inteiro tivesse decidido que Eloise merecia uma pausa.

Quando saiu de lá, o relógio marcava quatro da tarde.

O sol dourava as fachadas dos prédios, o vento outonal dançava entre as folhas amareladas, e o céu tinha aquele tom alaranjado que fazia tudo parecer um quadro vivo.

Eloise respirou fundo, sentindo-se leve — talvez mais do que há muito tempo não se sentia.

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Ao chegar em casa, encontrou uma cena inesperada.

A porta estava entreaberta e, do interior, vinham risadas e vozes conhecidas.

Entrou devagar, surpresa — e logo sorriu ao ver o trio na sala.

Emma, Nathalia e Sofia estavam ali, impecavelmente arrumadas.

Nada exagerado — vestidos elegantes, maquiagem suave, e um brilho nos olhos que entregava uma pontinha de nervosismo.

— O que vocês estão fazendo aqui? — perguntou Eloise, ainda rindo. — E o que é isso? Um comitê de boas-vindas?

— Surpresa! — respondeu Emma, abrindo os braços. — A gente veio te ver e, bom... temos planos!

— Planos? — repetiu Eloise, arqueando uma sobrancelha. — Que tipo de planos?

Foi Nathalia quem respondeu, disfarçando a empolgação:

— Ganhamos ingressos para um concerto de balé no Teatro Lumière. Começa às sete. É lindo, você vai amar.

Eloise piscou, surpresa. — Balé? A gente ganhou de quem?

As três se entreolharam, por um instante em silêncio.

Até que Emma, num impulso desesperado, respondeu:

— Do Ricardo!

Eloise franziu o cenho. — Do seu pai?

— Sim! — confirmou Emma rápido demais. — Ele é sócio lá e... sabia que a Nathalia ia adorar. Então... — tentou completar, gesticulando desajeitada. — Enfim, sobrou uns convites e… por que não?

Sofia deu um passo à frente, sorrindo. — Vai logo se arrumar. O trânsito vai estar um caos e não quero perder o início do espetáculo.

Eloise ainda desconfiava, mas preferiu deixar pra lá.

— Tudo bem, tudo bem. Vou tomar um banho rápido. — disse, subindo as escadas.

Assim que ela desapareceu, Nathalia se inclinou para Emma, sussurrando:

— Ricardo? Sério, Emma? Não veio ninguém mais na sua cabeça?

Emma levou a mão à testa, murmurando baixinho:

— Era isso ou ela iria desconfiar.

As duas se entreolharam e caíram na risada, cúmplices na mentira mais improvisada — e mais doce — da história.

Nathalia olhou para Emma, ainda rindo da confusão do “Ricardo”, e então teve uma ideia.

— Já sei. — disse, cruzando os braços. — Elô, por que você não usa aquele vestido azul-claro que a Emma te deu?

Eloise virou-se no meio da escada. — O azul? Aquele do tecido leve?

— Esse mesmo! — confirmou Emma, animada. — Combina com o seu tom de pele e com o clima de hoje. Vai ficar perfeita.

— Gente, é só um concerto de balé… — protestou Eloise, tentando disfarçar o sorriso.

— E quem disse que não se pode ir linda? — retrucou Nathalia, fingindo indignação. — Vai, coloca o vestido e deixa a gente cuidar do resto.

Eloise balançou a cabeça, rendida. — Tá bom, tá bom… vocês venceram.

Na mala, o vestido esperava dobrado com cuidado — um presente que Emma tinha dado semanas antes, sem motivo aparente.

Tecido de seda leve, cor azul-claro, delicado, com pequenas alças e caimento fluido.

Ela o vestiu com calma, sentindo o tecido deslizar sobre a pele.

Na penteadeira, prendeu metade do cabelo, deixando algumas mechas soltas em volta do rosto.

A maquiagem foi suave — só um brilho nos olhos, blush leve e batom rosado.

Por um instante, o reflexo do pôr do sol atravessou o vidro, iluminando os dois — como se o próprio destino abençoasse o início daquela noite que prometia ser inesquecível.

___

O carro seguia pelas ruas iluminadas de Cidade Norte, o céu já tingido pelos tons dourados do fim de tarde.

Dentro, as risadas leves das quatro amigas preenchiam o espaço, mas Eloise começou a franzir o cenho ao notar a paisagem mudando.

— Emma… — chamou, inclinando-se um pouco pra frente. — Acho que você tá indo pro lado errado. O teatro fica no centro, não é?

Emma manteve os olhos na estrada, tentando parecer tranquila.

— Então… eu coloquei o endereço que o meu pai me mandou. Acho que é outro espaço do mesmo grupo.

— Outro espaço? — repetiu Sofia, olhando pela janela. — É… eu também percebi que a rota tá meio diferente.

Nathalia, do banco de trás, deu uma risadinha nervosa.

— O bom é que estamos adiantadas, né? Se for o endereço errado, a gente ainda chega a tempo. Calma, vai dar certo.

Eloise respirou fundo, ainda desconfiada, mas o tom tranquilo das amigas a fez relaxar — pelo menos por alguns segundos.

O carro parou no sinal vermelho.

As luzes do semáforo refletiram no vidro, pintando o interior do carro com um brilho rubro que parecia pulsar como um coração.

E por um instante, o tempo pareceu se esticar — aquele vermelho intenso lembrava outra luz, distante, piscando dentro de uma sala silenciosa…

> Na MonteiroCorp, o mesmo tom vermelho se acendia no monitor principal.

Antes, o alerta piscava em amarelo — um aviso discreto, quase tímido.

Agora, o vermelho dominava a tela, pulsando em ritmo urgente, como um coração em desespero.

ALERTA CRÍTICO — ATIVIDADE SUSPEITA NA REDE INTERNA.

O cursor piscava, insistente, o brilho cortava a penumbra da sala vazia, refletindo nas paredes frias.

O silêncio permanecia absoluto — o sistema gritava por atenção, mas ninguém estava lá para ouvir.

De volta ao carro, o semáforo mudou para verde.

Emma respirou fundo e acelerou.

— Viu? — disse ela, tentando aliviar o clima. — Até o trânsito tá dizendo pra gente seguir em frente.

Eloise riu, balançando a cabeça, sem imaginar que aquele simples desvio de rota mudaria o rumo de tudo — inclusive do coração dela.

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