O Teatro Era Só Uma Desculpa
O GPS anunciou a próxima curva com sua voz robótica e calma, como se nada de extraordinário estivesse prestes a acontecer.
Eloise olhou pela janela, confusa.
— Emma… — começou, franzindo o cenho. — Tem certeza de que esse é o caminho certo?
— Absoluta. — respondeu Emma, concentrada no volante. — O GPS mandou seguir em frente.
O carro virou para uma rua larga, ladeada por árvores antigas e portões elegantes.
Eloise reconheceu o bairro de imediato.
— Espera aí… isso aqui é um condomínio.
— Eu sei. — respondeu Emma, fingindo surpresa. — O endereço do teatro é esse. Vai entender, né?
Sofia deu um risinho nervoso. — É, bem… talvez o evento não seja no teatro, e a gente se enganou.
— Pode ser. — murmurou Nathalia, olhando em volta de forma teatral. — O bom é que estamos adiantadas.
O carro passou pela portaria, e o segurança abriu o portão com um sorriso discreto.
Eloise, intrigada, observou o visor do GPS piscando.
O destino final se aproximava.
Quando o carro parou diante da casa branca e ampla, ela arregalou os olhos.
— Oxi… — disse Emma, forçando a voz de surpresa. — Essa não é a casa que a gente amou dias atrás?
Nathalia desceu primeiro, olhando para os lados com uma expressão ensaiada de curiosidade.
— Estranho… muito estranho. — murmurou, tentando conter o riso.
A fachada clara da casa estava iluminada por pequenas luzes, e o jardim parecia brilhar com o reflexo dourado do pôr do sol.
Na lateral, uma passagem discreta atraía o olhar — e assim que elas posicionaram Eloise ali, o caminho se acendeu com pequenas luzes no chão, revelando uma trilha encantada.
Eloise parou, o coração acelerando.
O riso das amigas soava distante agora.
— Meninas… — murmurou, olhando ao redor. — O que tá acontecendo?
Mas, em vez de responder, elas correram — na direção oposta do corredor, contornando a casa e entrando pela porta principal, com risadas cúmplices ecoando no ar.
Eloise ficou ali, sozinha, na entrada do corredor iluminado.
O vento de outono soprou suave, e o coração dela batia depressa — como se quisesse avisar que algo estava prestes a mudar.
Respirou fundo e decidiu seguir o caminho de luzes.
Cada passo ecoava suave, e quanto mais avançava, mais o som dos violinos ao fundo ganhava forma.
Quando chegou ao final do corredor, o cenário diante dela tirou-lhe o ar.
Na varanda, sob o brilho suave das luzes e o perfume de flores frescas, estavam Heitor, Thomas, Thiago, as meninas, Cláudia e Carlos.
Todos sorrindo — como plateia de um conto de fadas prestes a se desenrolar diante dos próprios olhos.
E, ao fundo, o som delicado dos violinos se elevou, selando o início do momento que mudaria tudo.
O som dos violinos guiava cada passo de Eloise.
O corredor de luzes terminava em um jardim que parecia saído de um sonho.
Flores em tons de branco, lilás, amarelo e vermelhas se espalhavam ao redor, o perfume suave se misturava ao ar fresco do entardecer, e pequenas luzes pendiam entre as árvores, cintilando como vaga-lumes.
No centro, diante de tudo aquilo, estava ele.
Augusto Monteiro.
De terno azul-marinho, camisa branca impecável e o olhar sereno, ele parecia parte do cenário — ou talvez o motivo de ele existir.
O céu atrás dele tingia-se de dourado e violeta, e o último raio de sol da tarde pousava sobre seus ombros, como se o próprio universo quisesse emoldurar aquele instante.
Eloise parou a poucos passos, o coração disparado, sem conseguir disfarçar o espanto.
Por um momento, o tempo pareceu suspenso entre os dois — silêncio, emoção e respiração presa.
Augusto deu um passo à frente.
O som dos violinos ficou mais suave, quase um sussurro.
— Você chegou. — disse ele, a voz baixa, carregada de sentimento.
— Eu devia ter imaginado…
Eloise soltou um meio sorriso, ainda sem saber o que dizer.
— Que o teatro era só uma desculpa? — completou ele, sorrindo. — É… mas me diga: pelo menos a surpresa valeu?
Ela balançou a cabeça, rindo entre a emoção e a incredulidade.
— Eu devia estar brava, mas não consigo.
— Você é completamente impossível. — sussurrou, entre o riso e as lágrimas.
— E você é a minha exceção. — respondeu ele, dando mais um passo.
Então, com a serenidade de quem sabia exatamente o que estava fazendo, Augusto Monteiro se ajoelhou.
O brilho do anel refletiu as luzes do jardim — e o tempo, por um instante, pareceu prender a respiração.
— Eloise Nogueira… — começou, a voz trêmula, mas firme. — Eu quero dividir contigo os dias bons, os ruins, as discussões, os risos e até o silêncio.
Quero ser o homem que te faz sorrir nas manhãs e te dá paz nas noites.
— Você aceita casar comigo?
As lágrimas desceram antes que ela conseguisse responder.
Eloise balançou a cabeça, rindo entre soluços e lágrimas.
— Sim. — disse, quase sem voz. — Mil vezes sim.
Augusto se levantou, rindo também, e a envolveu num abraço forte.
Ela ainda tremia, e ele a segurava como quem, enfim, tivesse encontrado o próprio lar.
— Tá vendo? — sussurrou ele, encostando a testa na dela. — Eu te disse que esse jardim seria o começo de tudo.
Eloise riu, ainda chorando. — Eu devia desconfiar… Você e suas surpresas.
— Surpresa nenhuma. — respondeu, tirando algo do bolso interno do paletó.
Na palma da mão, uma pequena chave dourada.
Ela o olhou, confusa.
Augusto sorriu, o olhar cheio de ternura.
— Essa casa… é nossa.
É aqui que quero construir o resto da nossa história — o nosso lar, a nossa família.
Eloise o abraçou com força, e por um instante, o mundo inteiro se resumiu àquele toque.
As palmas e risadas vieram logo depois — das meninas, de Carlos, de Cláudia, de todos os que assistiam emocionados à cena.
Mas eles nem ouviram.
Ali, entre flores e da música, Eloise e Augusto finalmente se encontravam — sem máscaras, sem medos, e com o futuro inteiro à frente deles.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...