As Reviravoltas do Destino
O quarto da suíte presidencial era um refúgio de silêncio e calma.
As malas repousavam num canto, e a janela aberta deixava entrar o som distante do mar.
Eloise girou no meio do quarto, os olhos brilhando como se quisesse gravar cada detalhe.
— É… perfeito — murmurou, encantada.
Augusto a observava em silêncio.
O olhar dele, antes sempre contido e calculado, agora era puro sentimento — amor, orgulho, e algo ainda mais profundo: paz.
Aquela mulher diante dele era o lar que ele nunca soube que procurava.
Ele se aproximou devagar, envolvendo-a pela cintura.
— Perfeito é ter você aqui.
Eloise ergueu o rosto, sorrindo.
O beijo veio antes de qualquer palavra. Lento, terno, e cheio daquilo que os dois já não precisavam mais esconder.
A noite os envolveu como uma promessa silenciosa.
Entre risos, carícias e sussurros, o tempo deixou de existir.
O que aconteceu depois não precisava de testemunhas — bastava o toque, o olhar, e o amor que falava por si.
Quando a manhã chegou, a luz do sol atravessava as frestas da cortina, desenhando faixas douradas sobre os lençóis amassados.
Eloise despertou primeiro.
Ficou em silêncio, observando o rosto de Augusto adormecido ao lado — o cabelo bagunçado, a expressão serena, o peito subindo e descendo em um ritmo tranquilo.
Ela sorriu.
Havia algo de novo ali — uma leveza que não vinha só do descanso, mas da certeza de que, pela primeira vez em muito tempo, ambos estavam exatamente onde queriam estar.
Augusto abriu os olhos devagar, o sorriso nascendo junto com o dia.
— Bom dia, minha futura esposa.
Eloise riu, de leve, o coração apertando de amor.
— Bom dia, senhor Monteiro.
Ele estendeu a mão, entrelaçando os dedos dela.
Por um instante, o mundo inteiro coube naquele gesto — simples, sincero e cheio de promessas.
Lá fora, o sol já estava alto.
Mas, dentro daquele quarto, a luz que importava vinha deles.
O cheiro de café fresco se misturava ao aroma salgado do mar.
Eloise estava sentada à mesa da varanda, de robe claro, os cabelos ainda soltos e o sorriso sereno.
Augusto apareceu logo depois, descalço, a camisa parcialmente aberta, segurando duas xícaras fumegantes.
— Latte para a senhorita Nogueira — disse, com um ar brincalhão.
— Senhora Monteiro — corrigiu ela, rindo.
— Ah, sim, senhora Monteiro — respondeu ele, rindo, colocando a xícara diante dela.
Eloise balançou a cabeça, fingindo impaciência, mas o sorriso a entregava.
O vento leve balançava as cortinas, e o som distante das ondas completava o cenário.
— Sabe o que é estranho? — disse ela, apoiando o queixo na mão. — Eu acordo e ainda preciso me lembrar de que tudo isso é real.
Augusto se inclinou, olhando nos olhos dela.
— É real. Cada segundo. E se eu tiver sorte, vai durar uma vida inteira.
Ela riu, os olhos marejando de leve.
— Você tá ficando bom nisso de falar bonito, hein?
— É culpa sua — devolveu ele. — Você me inspira.
O clima leve, os risos, o toque das mãos — tudo parecia existir em outra dimensão, onde o mundo lá fora não podia alcançá-los.
Mas o mundo, inevitavelmente, seguia seu curso.
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Enquanto o amor deles florescia sob o sol da manhã, a quilômetros dali, o sábado amanhecia pesado no presídio de Cidade Norte.
O portão de ferro rangeu quando se abriu, e o som ecoou pelos corredores frios.
Thomas passou pela revista com o crachá pendendo do pescoço, o olhar firme e atento.
A morte de Daniel Santos havia sido registrada como “resultado de uma briga generalizada entre detentos”.
Mas nada naquele relatório o convencia.
— Generalizada… — murmurou, folheando o dossiê. — Conveniente demais.
O agente penitenciário que o acompanhava desviou o olhar, visivelmente desconfortável.
— Foi o que o laudo apontou, senhor Alves. Discussão, agressão, fatalidade.
Thomas ergueu uma sobrancelha.
— E o vídeo de segurança?
O guarda hesitou. — Infelizmente… o sistema estava em manutenção.
Thomas fechou a pasta, respirando fundo.
O instinto policial pulsava em alerta.
— Engraçado — disse ele, a voz baixa. — Toda vez que alguém ligado ao caso Monteiro morre, as câmeras “entram em manutenção”.
O guarda não respondeu.
Thomas virou-se para o corredor, os passos ecoando no piso frio.
O pressentimento era claro: a morte de Daniel não era um fim. Era o início de algo maior.
E enquanto, em algum ponto da cidade, o amor renascia entre sorrisos e café,
no silêncio daquele presídio, a verdade começava a se mover — como uma sombra prestes a emergir.
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Um café. Um sorriso.
Uma ruivinha baixinha com olhos que o faziam esquecer o mundo.
Thomas sorriu sozinho, pegando o A6 preto que usava naquela semana.
O plano era simples: parar numa padaria, comprar café e levar para sua ruivinha e a amiga.
Mas o destino — como sempre — tinha outros planos.
Na rua, o movimento era tranquilo.
O sol começava a nascer entre os prédios, e o rádio tocava baixo.
Thomas notou algo estranho pelo retrovisor:
um carro preto, vidros escurecidos, mantendo a mesma distância há alguns minutos.
No semáforo seguinte, o sinal vermelho o obrigou a parar.
Instintivamente, ele olhou para o lado — e viu o brilho metálico de uma arma.
Tudo aconteceu em segundos.
O tiro veio primeiro, quebrando o vidro lateral.
ele reagiu por puro instinto — engatou a ré, o A6 rugindo enquanto se jogava para trás.
Os pneus chiaram no asfalto, o som dos disparos ecoou pela avenida.
Com uma precisão fria, Thomas puxou a arma do coldre e atirou — um, dois, três tiros certeiros.
Um dos projéteis acertou o braço do atirador; outro, o pneu.
O carro inimigo arrancou em fuga, derrapando.
Thomas sabia que eles não iriam longe.
Girou o volante e acelerou, entrando na perseguição.
— Liga pro delegado! — gritou, acionando o comando de voz do carro.
O viva-voz atendeu na terceira chamada.
— Fala, Thomas!
— Atiraram contra mim! — disse, a voz tensa, ofegante. — Estou em perseguição. Dois suspeitos, carro preto, placa três... nove... sete... BTR... indo em direção ao aeroporto! Pneu dos suspeitos furados!
— Copiado! Reforço a caminho. — respondeu o delegando.
O agente manteve o pé firme no acelerador, os olhos fixos na estrada.
O sangue latejava nas têmporas, mas o raciocínio permanecia afiado.
Não era coincidência.
Nem a emboscada, nem o silêncio do presídio.
Alguém queria calar a verdade.
E ele não pretendia dar esse gosto a ninguém.
A verdade estava na mira — e Thomas não errava um alvo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...