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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 209

As Reviravoltas do Destino

O quarto da suíte presidencial era um refúgio de silêncio e calma.

As malas repousavam num canto, e a janela aberta deixava entrar o som distante do mar.

Eloise girou no meio do quarto, os olhos brilhando como se quisesse gravar cada detalhe.

— É… perfeito — murmurou, encantada.

Augusto a observava em silêncio.

O olhar dele, antes sempre contido e calculado, agora era puro sentimento — amor, orgulho, e algo ainda mais profundo: paz.

Aquela mulher diante dele era o lar que ele nunca soube que procurava.

Ele se aproximou devagar, envolvendo-a pela cintura.

— Perfeito é ter você aqui.

Eloise ergueu o rosto, sorrindo.

O beijo veio antes de qualquer palavra. Lento, terno, e cheio daquilo que os dois já não precisavam mais esconder.

A noite os envolveu como uma promessa silenciosa.

Entre risos, carícias e sussurros, o tempo deixou de existir.

O que aconteceu depois não precisava de testemunhas — bastava o toque, o olhar, e o amor que falava por si.

Quando a manhã chegou, a luz do sol atravessava as frestas da cortina, desenhando faixas douradas sobre os lençóis amassados.

Eloise despertou primeiro.

Ficou em silêncio, observando o rosto de Augusto adormecido ao lado — o cabelo bagunçado, a expressão serena, o peito subindo e descendo em um ritmo tranquilo.

Ela sorriu.

Havia algo de novo ali — uma leveza que não vinha só do descanso, mas da certeza de que, pela primeira vez em muito tempo, ambos estavam exatamente onde queriam estar.

Augusto abriu os olhos devagar, o sorriso nascendo junto com o dia.

— Bom dia, minha futura esposa.

Eloise riu, de leve, o coração apertando de amor.

— Bom dia, senhor Monteiro.

Ele estendeu a mão, entrelaçando os dedos dela.

Por um instante, o mundo inteiro coube naquele gesto — simples, sincero e cheio de promessas.

Lá fora, o sol já estava alto.

Mas, dentro daquele quarto, a luz que importava vinha deles.

O cheiro de café fresco se misturava ao aroma salgado do mar.

Eloise estava sentada à mesa da varanda, de robe claro, os cabelos ainda soltos e o sorriso sereno.

Augusto apareceu logo depois, descalço, a camisa parcialmente aberta, segurando duas xícaras fumegantes.

— Latte para a senhorita Nogueira — disse, com um ar brincalhão.

— Senhora Monteiro — corrigiu ela, rindo.

— Ah, sim, senhora Monteiro — respondeu ele, rindo, colocando a xícara diante dela.

Eloise balançou a cabeça, fingindo impaciência, mas o sorriso a entregava.

O vento leve balançava as cortinas, e o som distante das ondas completava o cenário.

— Sabe o que é estranho? — disse ela, apoiando o queixo na mão. — Eu acordo e ainda preciso me lembrar de que tudo isso é real.

Augusto se inclinou, olhando nos olhos dela.

— É real. Cada segundo. E se eu tiver sorte, vai durar uma vida inteira.

Ela riu, os olhos marejando de leve.

— Você tá ficando bom nisso de falar bonito, hein?

— É culpa sua — devolveu ele. — Você me inspira.

O clima leve, os risos, o toque das mãos — tudo parecia existir em outra dimensão, onde o mundo lá fora não podia alcançá-los.

Mas o mundo, inevitavelmente, seguia seu curso.

---

Enquanto o amor deles florescia sob o sol da manhã, a quilômetros dali, o sábado amanhecia pesado no presídio de Cidade Norte.

O portão de ferro rangeu quando se abriu, e o som ecoou pelos corredores frios.

Thomas passou pela revista com o crachá pendendo do pescoço, o olhar firme e atento.

A morte de Daniel Santos havia sido registrada como “resultado de uma briga generalizada entre detentos”.

Mas nada naquele relatório o convencia.

— Generalizada… — murmurou, folheando o dossiê. — Conveniente demais.

O agente penitenciário que o acompanhava desviou o olhar, visivelmente desconfortável.

— Foi o que o laudo apontou, senhor Alves. Discussão, agressão, fatalidade.

Thomas ergueu uma sobrancelha.

— E o vídeo de segurança?

O guarda hesitou. — Infelizmente… o sistema estava em manutenção.

Thomas fechou a pasta, respirando fundo.

O instinto policial pulsava em alerta.

— Engraçado — disse ele, a voz baixa. — Toda vez que alguém ligado ao caso Monteiro morre, as câmeras “entram em manutenção”.

O guarda não respondeu.

Thomas virou-se para o corredor, os passos ecoando no piso frio.

O pressentimento era claro: a morte de Daniel não era um fim. Era o início de algo maior.

E enquanto, em algum ponto da cidade, o amor renascia entre sorrisos e café,

no silêncio daquele presídio, a verdade começava a se mover — como uma sombra prestes a emergir.

___

Um café. Um sorriso.

Uma ruivinha baixinha com olhos que o faziam esquecer o mundo.

Thomas sorriu sozinho, pegando o A6 preto que usava naquela semana.

O plano era simples: parar numa padaria, comprar café e levar para sua ruivinha e a amiga.

Mas o destino — como sempre — tinha outros planos.

Na rua, o movimento era tranquilo.

O sol começava a nascer entre os prédios, e o rádio tocava baixo.

Thomas notou algo estranho pelo retrovisor:

um carro preto, vidros escurecidos, mantendo a mesma distância há alguns minutos.

No semáforo seguinte, o sinal vermelho o obrigou a parar.

Instintivamente, ele olhou para o lado — e viu o brilho metálico de uma arma.

Tudo aconteceu em segundos.

O tiro veio primeiro, quebrando o vidro lateral.

ele reagiu por puro instinto — engatou a ré, o A6 rugindo enquanto se jogava para trás.

Os pneus chiaram no asfalto, o som dos disparos ecoou pela avenida.

Com uma precisão fria, Thomas puxou a arma do coldre e atirou — um, dois, três tiros certeiros.

Um dos projéteis acertou o braço do atirador; outro, o pneu.

O carro inimigo arrancou em fuga, derrapando.

Thomas sabia que eles não iriam longe.

Girou o volante e acelerou, entrando na perseguição.

— Liga pro delegado! — gritou, acionando o comando de voz do carro.

O viva-voz atendeu na terceira chamada.

— Fala, Thomas!

— Atiraram contra mim! — disse, a voz tensa, ofegante. — Estou em perseguição. Dois suspeitos, carro preto, placa três... nove... sete... BTR... indo em direção ao aeroporto! Pneu dos suspeitos furados!

— Copiado! Reforço a caminho. — respondeu o delegando.

O agente manteve o pé firme no acelerador, os olhos fixos na estrada.

O sangue latejava nas têmporas, mas o raciocínio permanecia afiado.

Não era coincidência.

Nem a emboscada, nem o silêncio do presídio.

Alguém queria calar a verdade.

E ele não pretendia dar esse gosto a ninguém.

A verdade estava na mira — e Thomas não errava um alvo.

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