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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 210

Sob o Azul do Céu

A tarde caía preguiçosa sobre a costa.

O sol, já mais baixo, dourava a superfície da piscina e fazia o mar ao fundo parecer um espelho infinito.

Eloise estava sentada à beira d’água, os pés submersos, traçando círculos lentos com os dedos.

O vento leve brincava com os fios soltos do cabelo, e o barulho suave das ondas completava o cenário de paz.

Augusto apareceu logo atrás dela, descalço, com a camisa aberta e um olhar que misturava ternura e fascínio.

Ficou por um instante apenas observando — como quem tenta gravar uma cena para nunca esquecer.

— Eu podia me acostumar com essa vista — disse ele, a voz baixa, rouca de admiração.

Eloise sorriu, sem virar o rosto. — O mar?

— Não exatamente. — respondeu ele, ajoelhando-se atrás dela e envolvendo seus ombros com as mãos. — Eu tava falando de você.

Ela riu, sentindo o coração acelerar com aquele toque familiar.

— Augusto Monteiro, o homem que dizia não ter tempo pra romantismo… agora faz declarações?

— A culpa é sua. — retrucou, com um meio sorriso. — Você me tirou do eixo, e eu nem quero voltar.

Ele deslizou as mãos pelos braços dela, e Eloise se virou devagar.

O olhar dos dois se encontrou — intenso, calmo, cheio de significado.

Por alguns segundos, não existiu som.

Nem o mar, nem o vento.

Só eles.

Augusto aproximou o rosto, encostando a testa na dela.

— Eu amo o que a gente se torna quando estamos juntos — sussurrou.

Eloise fechou os olhos, o sorriso suave surgindo. — E o que a gente é?

— Um caos bonito. — respondeu ele, antes de beijá-la.

O beijo foi calmo, sem pressa — daqueles que não precisam provar nada, apenas sentir.

A água da piscina refletia o dourado do entardecer, e o reflexo dos dois se misturava na superfície como se o mundo inteiro coubesse ali.

Quando se afastaram, Eloise encostou a cabeça no ombro dele, o coração em paz.

Augusto passou o braço por trás dela e olhou o horizonte, o mar e o céu se confundindo em um só tom.

— Sabe o que eu mais quero agora? — perguntou ele.

— Que o tempo pare. — respondeu ela, adivinhando.

Augusto sorriu, beijando-lhe o topo da cabeça.

— Exatamente.

E ali ficaram — dois corações diferentes batendo no mesmo compasso, sob o azul do céu e a promessa silenciosa de um amor que, finalmente, encontrava descanso.

___

O pneu do carro preto já estava quase destruído, deixando um rastro de faíscas no asfalto.

Thomas mantinha o A6 colado atrás, o motor rugindo, os olhos fixos na estrada.

— Vamos, vamos... — murmurou, o sangue pulsando nas têmporas.

Os suspeitos fizeram uma curva brusca, saindo da avenida principal e entrando numa estrada de terra batida. Poeira subiu alto, encobrindo a visão por alguns segundos.

— Droga! — Thomas praguejou, girando o volante com firmeza.

Pelas laterais, as luzes vermelhas das viaturas começaram a surgir — reforço.

As sirenes cortavam o silêncio da manhã, ecoando pela mata rala da zona rural.

Os suspeitos continuavam em fuga, mas o carro já balançava descontrolado.

Um dos homens se inclinou pela janela e abriu fogo.

Os tiros zuniram, atingindo o chão e a lateral do carro de Thomas.

Ele respondeu com precisão — dois disparos certeiros.

O vidro traseiro do carro inimigo se estilhaçou.

— Aqui é o inspetor Thomas Alves! — gritou no rádio — Os alvos estão armados! Recuem pelas laterais e cerquem pela estrada sul!

O som dos motores aumentou.

Três viaturas da Força Tática surgiram pela retaguarda, bloqueando a rota de fuga.

O motorista dos criminosos tentou desviar, mas perdeu o controle.

O carro deslizou na terra, rodou duas vezes e bateu violentamente contra uma árvore.

O impacto lançou o homem que atirava pela janela para fora do veículo.

Ele rolou no chão, gemendo, o braço coberto de sangue.

Thomas freou bruscamente, saiu do carro com a arma em punho.

A poeira ainda pairava no ar.

— Perdeu! — gritou, mirando o suspeito que tentava se arrastar. — Solta a arma!

O homem obedeceu, jogando o revólver longe.

As viaturas chegaram segundos depois. Policiais desceram em movimento, armas erguidas, cercando o perímetro.

Do outro lado da estrada, um dos colegas de Thomas, o sargento Lopes, aproximou-se do suspeito caído.

Sem muita paciência, chutou o homem no ombro.

— Então você gosta de atirar em policial, hein? — disse, furioso, antes de dar outro chute.

Thomas interveio rapidamente. — Lopes, chega! Precisamos dele vivo.

Lopes recuou, respirando pesado, enquanto dois agentes algemavam o ferido.

O segundo suspeito, o motorista, estava desacordado dentro do carro, o rosto coberto de sangue.

Precisava de café e de alguns minutos pra colocar as peças em ordem.

Mas não teve tempo.

Menos de vinte minutos depois, o rádio do policial em sua cintura chiou alto:

— Alves! Quarto 203! Precisamos de apoio imediato!

Thomas deixou o copo cair e correu.

O som dos passos ressoava pelos corredores, junto ao grito dos enfermeiros.

Quando abriu a porta do quarto 203, a cena congelou o sangue.

A maca estava vazia.

O lençol ainda quente.

E a janela aberta, as cortinas balançando com o vento.

— Não, porra — murmurou, avançando até a janela. Lá fora, apenas o pátio do hospital e as marcas frescas de pneus no asfalto.

Um dos agentes estava caído perto da porta, atordoado, com sangue escorrendo pela testa.

— O que aconteceu?! — Thomas se agachou, tentando conter a raiva.

— Dois homens… — murmurou o policial, ofegante. — Fardas… da corporação. Disseram que vieram pra transferência. Mostraram identificação… e eu…

Thomas se levantou, o rosto fechado.

Os olhos queimavam em fúria e incredulidade.

— Fardas da corporação… — repetiu em voz baixa.

No rádio, a voz do delegado tentava contato, mas Thomas nem ouviu.

O raciocínio já estava a mil, as peças se encaixando de forma cruel.

Algo na batida, na perseguição, nas ordens dadas… tudo cheirava a armadilha.

E a resposta era clara.

Havia um infiltrado.

E o inimigo... estava dentro da casa.

Thomas olhou pela janela novamente, as mãos cerradas.

A adrenalina voltava com força, mas agora vinha misturada com algo ainda mais perigoso: desconfiança.

Desligou o rádio, respirou fundo e falou consigo mesmo, em voz baixa:

— Tá na hora de descobrir quem, dentro da minha equipe, tá jogando pros dois lados.

Lá fora, o som das sirenes se espalhava pela rua, mas Thomas não se moveu.

Sabia que, a partir dali, a caçada seria diferente.

Não era mais contra desconhecidos.

Era contra traidores.

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