Sob o Azul do Céu
A tarde caía preguiçosa sobre a costa.
O sol, já mais baixo, dourava a superfície da piscina e fazia o mar ao fundo parecer um espelho infinito.
Eloise estava sentada à beira d’água, os pés submersos, traçando círculos lentos com os dedos.
O vento leve brincava com os fios soltos do cabelo, e o barulho suave das ondas completava o cenário de paz.
Augusto apareceu logo atrás dela, descalço, com a camisa aberta e um olhar que misturava ternura e fascínio.
Ficou por um instante apenas observando — como quem tenta gravar uma cena para nunca esquecer.
— Eu podia me acostumar com essa vista — disse ele, a voz baixa, rouca de admiração.
Eloise sorriu, sem virar o rosto. — O mar?
— Não exatamente. — respondeu ele, ajoelhando-se atrás dela e envolvendo seus ombros com as mãos. — Eu tava falando de você.
Ela riu, sentindo o coração acelerar com aquele toque familiar.
— Augusto Monteiro, o homem que dizia não ter tempo pra romantismo… agora faz declarações?
— A culpa é sua. — retrucou, com um meio sorriso. — Você me tirou do eixo, e eu nem quero voltar.
Ele deslizou as mãos pelos braços dela, e Eloise se virou devagar.
O olhar dos dois se encontrou — intenso, calmo, cheio de significado.
Por alguns segundos, não existiu som.
Nem o mar, nem o vento.
Só eles.
Augusto aproximou o rosto, encostando a testa na dela.
— Eu amo o que a gente se torna quando estamos juntos — sussurrou.
Eloise fechou os olhos, o sorriso suave surgindo. — E o que a gente é?
— Um caos bonito. — respondeu ele, antes de beijá-la.
O beijo foi calmo, sem pressa — daqueles que não precisam provar nada, apenas sentir.
A água da piscina refletia o dourado do entardecer, e o reflexo dos dois se misturava na superfície como se o mundo inteiro coubesse ali.
Quando se afastaram, Eloise encostou a cabeça no ombro dele, o coração em paz.
Augusto passou o braço por trás dela e olhou o horizonte, o mar e o céu se confundindo em um só tom.
— Sabe o que eu mais quero agora? — perguntou ele.
— Que o tempo pare. — respondeu ela, adivinhando.
Augusto sorriu, beijando-lhe o topo da cabeça.
— Exatamente.
E ali ficaram — dois corações diferentes batendo no mesmo compasso, sob o azul do céu e a promessa silenciosa de um amor que, finalmente, encontrava descanso.
___
O pneu do carro preto já estava quase destruído, deixando um rastro de faíscas no asfalto.
Thomas mantinha o A6 colado atrás, o motor rugindo, os olhos fixos na estrada.
— Vamos, vamos... — murmurou, o sangue pulsando nas têmporas.
Os suspeitos fizeram uma curva brusca, saindo da avenida principal e entrando numa estrada de terra batida. Poeira subiu alto, encobrindo a visão por alguns segundos.
— Droga! — Thomas praguejou, girando o volante com firmeza.
Pelas laterais, as luzes vermelhas das viaturas começaram a surgir — reforço.
As sirenes cortavam o silêncio da manhã, ecoando pela mata rala da zona rural.
Os suspeitos continuavam em fuga, mas o carro já balançava descontrolado.
Um dos homens se inclinou pela janela e abriu fogo.
Os tiros zuniram, atingindo o chão e a lateral do carro de Thomas.
Ele respondeu com precisão — dois disparos certeiros.
O vidro traseiro do carro inimigo se estilhaçou.
— Aqui é o inspetor Thomas Alves! — gritou no rádio — Os alvos estão armados! Recuem pelas laterais e cerquem pela estrada sul!
O som dos motores aumentou.
Três viaturas da Força Tática surgiram pela retaguarda, bloqueando a rota de fuga.
O motorista dos criminosos tentou desviar, mas perdeu o controle.
O carro deslizou na terra, rodou duas vezes e bateu violentamente contra uma árvore.
O impacto lançou o homem que atirava pela janela para fora do veículo.
Ele rolou no chão, gemendo, o braço coberto de sangue.
Thomas freou bruscamente, saiu do carro com a arma em punho.
A poeira ainda pairava no ar.
— Perdeu! — gritou, mirando o suspeito que tentava se arrastar. — Solta a arma!
O homem obedeceu, jogando o revólver longe.
As viaturas chegaram segundos depois. Policiais desceram em movimento, armas erguidas, cercando o perímetro.
Do outro lado da estrada, um dos colegas de Thomas, o sargento Lopes, aproximou-se do suspeito caído.
Sem muita paciência, chutou o homem no ombro.
— Então você gosta de atirar em policial, hein? — disse, furioso, antes de dar outro chute.
Thomas interveio rapidamente. — Lopes, chega! Precisamos dele vivo.
Lopes recuou, respirando pesado, enquanto dois agentes algemavam o ferido.
O segundo suspeito, o motorista, estava desacordado dentro do carro, o rosto coberto de sangue.
Precisava de café e de alguns minutos pra colocar as peças em ordem.
Mas não teve tempo.
Menos de vinte minutos depois, o rádio do policial em sua cintura chiou alto:
— Alves! Quarto 203! Precisamos de apoio imediato!
Thomas deixou o copo cair e correu.
O som dos passos ressoava pelos corredores, junto ao grito dos enfermeiros.
Quando abriu a porta do quarto 203, a cena congelou o sangue.
A maca estava vazia.
O lençol ainda quente.
E a janela aberta, as cortinas balançando com o vento.
— Não, porra — murmurou, avançando até a janela. Lá fora, apenas o pátio do hospital e as marcas frescas de pneus no asfalto.
Um dos agentes estava caído perto da porta, atordoado, com sangue escorrendo pela testa.
— O que aconteceu?! — Thomas se agachou, tentando conter a raiva.
— Dois homens… — murmurou o policial, ofegante. — Fardas… da corporação. Disseram que vieram pra transferência. Mostraram identificação… e eu…
Thomas se levantou, o rosto fechado.
Os olhos queimavam em fúria e incredulidade.
— Fardas da corporação… — repetiu em voz baixa.
No rádio, a voz do delegado tentava contato, mas Thomas nem ouviu.
O raciocínio já estava a mil, as peças se encaixando de forma cruel.
Algo na batida, na perseguição, nas ordens dadas… tudo cheirava a armadilha.
E a resposta era clara.
Havia um infiltrado.
E o inimigo... estava dentro da casa.
Thomas olhou pela janela novamente, as mãos cerradas.
A adrenalina voltava com força, mas agora vinha misturada com algo ainda mais perigoso: desconfiança.
Desligou o rádio, respirou fundo e falou consigo mesmo, em voz baixa:
— Tá na hora de descobrir quem, dentro da minha equipe, tá jogando pros dois lados.
Lá fora, o som das sirenes se espalhava pela rua, mas Thomas não se moveu.
Sabia que, a partir dali, a caçada seria diferente.
Não era mais contra desconhecidos.
Era contra traidores.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...