Entre o Caos e o Refúgio
Enquanto o caos reinava em Cidade Norte, longe dali o mundo parecia suspenso — e o casal vivia o próprio refúgio, escondido até dos próprios medos.
O fim de semana passou rápido demais.
Entre risos, mergulhos e promessas, o tempo pareceu correr — como se o universo tivesse pressa de lembrá-los de que a realidade os esperava.
Na segunda-feira, às oito da manhã, o jatinho particular pousou discretamente no aeroporto.
Mas bastou o carro da MonteiroCorp se aproximar do portão para o sossego acabar.
Augusto avistou os flashes antes mesmo de descer.
— Paparazzi, eles não se cansam. — murmurou, passando a mão pelo rosto.
Eles entraram rapidamente no carro.
Mas, na saída, a multidão de repórteres já cercava a entrada.
Augusto Monteiro — o homem que nunca dava entrevistas — respirou fundo, abaixou o vidro e encarou as câmeras.
Os flashes o cegaram por um segundo.
— Senhor Monteiro, é verdade que o senhor está namorando?
— Fontes afirmam que é com sua secretária! Isso procede?
Ele olhou para Eloise ao lado — o olhar firme, orgulhoso.
E então respondeu, sem hesitar:
— Sim. — disse com a voz calma e firme. — É verdade.
Na verdade… eu estou noivo.
Um burburinho tomou conta do grupo de repórteres.
Augusto continuou, o tom agora mais suave, mas ainda seguro:
— E sim, minha noiva é minha secretária. Eloise Nogueira... é a mulher da minha vida.
A frase ecoou entre os flashes.
Ele então acenou para o motorista seguir, e o vidro subiu lentamente, bloqueando o caos do lado de fora.
No interior silencioso do carro, Eloise olhou pra ele, ainda surpresa.
Augusto apenas sorriu, a expressão leve e decidida.
Puxou-a para os braços e beijou-lhe a testa.
— Agora o mundo sabe, meu amor. — disse baixinho. — E eu não quero esconder mais nada.
Eloise riu, o coração acelerado, o rosto escondido no peito dele.
Lá fora, a cidade fervia.
Mas ali dentro — no abraço dele — ainda existia paz.
___
O dia estava nublado. Thamires sentou-se à mesa, xícara quente na mão, olhando a cidade cinzenta através da imensa janela da sua sala. O vapor do café subia em pequenos anéis e, por um instante, ela deixou-se envolver pela rotina — até que deslizou o dedo pela tela do celular.
No aplicativo de fofocas, uma chamada abriu a página: “O grande empresário Augusto Monteiro afirma: ‘Ela é a mulher da minha vida’”.
Havia uma foto do casal descendo do jatinho, de mãos dadas, sorrindo como quem não teme olhares. Mais abaixo, um vídeo curto: a cena dos flashes e a voz de Augusto, clara e firme:
— E sim, minha noiva é minha secretária. Eloise Nogueira é a mulher da minha vida.
O corpo de Thamires reagiu antes da razão. A xícara tremeu na mão e, num impulso que vinha de um lugar frio e antigo, ela atirou o objeto contra a janela. O vidro não quebrou, mas o estrondo cortou o ar e o café espalhou-se em gotas que escorreram pela mesa.
— Vagabunda! — explodiu ela, a voz saindo áspera, cheia de ódio. Pegou o celular de novo, ampliou a foto, como se pudesse arrancar a imagem da realidade.
Olhou para a tela, com os olhos ardendo. — Eu te odeio, Eloise. — sussurrou, depois gritou, como se a cidade fosse um ouvido.
Respirou profundo, controlando o tremor, e a raiva virou decisão. Abriu a agenda, procurou um número e discou. Do outro lado, a voz que conhecia respondeu com a calma de quem não se assusta com ordens.
— Preciso de um trabalho sujo — falou ela, curta, direta.
A ligação terminou e Thamires sorriu — um sorriso estreito, cruel.
Pegou o telefone e digitou uma mensagem rápida para Lorenzo:
> A plano começa hoje. Quero agilidade.
Enviou, guardou o celular e, por um segundo, ficou ali, olhando a rua molhada. Uma vontade antiga de vingança se alinhava com um plano: não seria um ataque às cegas, seria cirúrgico.
— Você vai ter uma surpresinha sua, vagabunda — murmurou, baixinho, como se desvelasse um segredo só dela.
Do lado de fora, o céu continuou cinza. Dentro, a tempestade de Thamires começava a se formar.
___
Augusto estacionou o carro diante da casa de Eloise. O fim de semana tinha sido um sonho, mas a realidade os esperava de braços abertos — e, naquele dia, o mundo parecia decidido a lembrá-los disso.
Ele desceu primeiro, pegou as malas no porta-malas e abriu a porta para ela.
— Deixa comigo — disse, sorrindo, enquanto a ajudava a entrar. — Passo mais tarde pra te buscar.
Eloise riu, balançando a cabeça. — Augusto, você é impossível.
Emma:
> “MEU DEUSSSSSS, ELOISEEEEEEEE!!! VOCÊ VIU ISSO???”
Sofia:
> “MENINA DO CÉU, TÁ NO PORTAL DA CIDADE NORTE NEWS! O HOMEM TE ASSUMIU PRA TODO MUNDO!”
Nathalia:
> “ATÉ QUE ENFIM ESSE OGRO ENTENDEU QUEM MANDA NELE."
Emma:
> “TEM VÍDEO! ELE DIZ ‘ELA É A MULHER DA MINHA VIDA’! EU TOU GRITANDOOOO”
Sofia:
> “Ai, eu achei tão romântico, tipo final de filme!”
Nathalia:
> “Romântico nada, isso é o poder feminino em ação, meus amores!”
Emma:
> “As redes tão uma loucura, Elô! Todo mundo falando de vocês, tem até tag no Top 5: #AugustoMonteiroNoivo ”
Eloise ficou olhando para a tela, meio sem acreditar.
As mensagens, os prints, os vídeos — tudo se multiplicava.
A voz de Augusto ecoava no fundo de sua mente:
> “Eloise Nogueira é a mulher da minha vida.”
Um sorriso involuntário escapou.
O coração batia mais rápido — mistura de orgulho, amor e um frio leve na barriga.
Mas a sensação de estar sendo seguida não desapareceu.
Ao atravessar a rua, jurou ter visto o mesmo carro preto passando devagar pela rua lateral.
Balançou a cabeça, tentando disfarçar o nervosismo.
— Calma, Eloise. Deve ser um carro parecido...
O dia que começara com amor e manchetes… estava prestes a se transformar em algo muito mais perigoso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...