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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 212

Despedidas e Confissões

O prédio da VisionLab era movimentado como sempre, mas Eloise sentiu uma pontinha de nostalgia ao atravessar a portaria.

Cada passo ecoava lembranças — os dias corridos, as risadas com a equipe, o apoio que recebeu quando tudo parecia desabar.

Quando a porta do escritório se abriu, Heitor já estava ali, encostado à mesa, com aquele sorriso irônico que disfarçava o coração bom.

— Já até sei o que traz você aqui — disse ele, fazendo biquinho. — Vai me abandonar oficialmente, né?

Eloise riu, sem conseguir negar.

— Sim, infelizmente

Ele falou teatral. — Estou magoado.

Os dois riram juntos, e o clima leve tomou conta da sala.

— Vim agradecer, de verdade — disse Eloise, com um tom mais calmo. — Você e sua equipe foram incríveis comigo. Aprendi muito aqui.

Heitor assentiu, cruzando os braços. — Você merece tudo de bom, Elô. E se um dia precisar… de qualquer coisa mesmo, é só me procurar.

Ela sorriu. — Obrigada, Heitor.

— Nada de obrigada. — respondeu ele, abrindo os braços. — Vem cá, somos amigos.

O abraço foi rápido, sincero — daqueles que carregam um pedaço de história.

Quando se afastaram, o brilho maroto nos olhos de Heitor voltou.

— Agora, se somos amigos… — começou ele, ajeitando o paletó. — Bem que você podia me ajudar com a Nathalia.

Eloise riu alto. — Eu sabia que tinha um interesse escondido aí!

— Interesse não, paixão. — confessou ele, colocando a mão no peito de forma dramática. — A mulher é difícil, mas eu tô amarradão nela.

Eloise balançou a cabeça, divertida. — Boa sorte, Heitor. Você vai precisar.

— Preciso mesmo — disse ele, sorrindo. — Mas, se for pra valer, eu encaro.

Os dois se olharam por um instante, cúmplices.

Eloise sabia que aquele adeus não era o fim — apenas o início de um novo capítulo para cada um deles.

Ao sair da empresa, o vento frio da manhã soprou contra o rosto dela.

O coração leve pela despedida… mas o instinto, mais uma vez, sussurrou algo incômodo.

Um carro preto estacionado do outro lado da rua.

O mesmo.

Eloise hesitou por um segundo, mas tentou ignorar.

— Coincidência… só coincidência — murmurou, apertando a bolsa e seguindo o caminho.

Mas o olhar por trás do para-brisa escuro continuou fixo nela — paciente, calculado.

Ela estava prestes a atravessar a rua quando a sensação voltou — aquela mesma de antes, a de estar sendo observada.

Olhou em volta. Nada além de carros, pedestres e o barulho da cidade.

— Para com isso, Eloise… — murmurou para si mesma. — É só paranoia.

Esperou o sinal abrir e deu o primeiro passo na faixa de pedestres.

Mas foi nesse instante que o som rasgou o ar.

Um ronco de motor acelerando demais.

Um carro preto surgiu, veloz, ignorando o semáforo vermelho.

O coração dela parou.

Eloise mal teve tempo de pensar. O instinto falou mais alto.

Jogou o corpo para o lado, o asfalto raspando contra a pele.

O carro passou a centímetros dela, o vento levantando o cabelo e deixando para trás o cheiro forte de borracha queimada.

O mundo pareceu girar por um instante — buzinas, gritos, passos correndo em sua direção.

— Moça! Você tá bem?! — alguém gritou, ajudando-a a se sentar.

Eloise piscou algumas vezes, tentando recuperar o fôlego.

Os joelhos ralados ardiam, o braço sangrava de leve, e o coração parecia bater fora do peito.

— Eu… eu tô bem — respondeu, ainda ofegante. — Foi só um susto.

Mas, no fundo, ela sabia que não tinha sido apenas um susto.

A gravata já solta, o semblante sério — mas havia medo por trás de toda aquela rigidez.

— Onde ela está? — perguntou, sem disfarçar a pressa.

O paramédico indicou o quarto.

Quando Augusto entrou, Eloise já estava sentada na maca, o braço enfaixado e um curativo no joelho.

— Eu tô bem, Augusto. — tentou tranquilizá-lo. — Foi só um susto.

Ele se aproximou, os olhos percorrendo cada centímetro do corpo dela como se precisasse ter certeza.

— Você tem ideia do que poderia ter acontecido? — disse, a voz firme, mas trêmula de fundo. — Me diz, Eloise, por que você não me esperou?

— Eu só fui entregar minha demissão… — respondeu, calma. — Não imaginei que alguém fosse tentar me atropelar no meio da cidade.

Augusto passou a mão pelos cabelos, frustrado.

— Isso não foi um acidente. — disse entre os dentes. — Eles estão tentando me atingir através de você.

O médico pigarreou, tentando quebrar a tensão.

— Senhor Monteiro, eu preciso que o senhor se acalme. Vamos pedir um raio-x e alguns exames, só pra garantir que está tudo em ordem.

— Faça tudo que for necessário. — respondeu Augusto, firme. — Quero os melhores exames, todos.

— Augusto, eu tô bem. — insistiu ela, tentando sorrir. — É sério.

— Eu não vou respirar em paz enquanto não tiver certeza. — disse ele, olhando-a nos olhos. — E, depois disso, você não sair sozinha mais. Entendido?

Eloise suspirou, resignada.

Sabia que não adiantava discutir quando ele estava naquele estado.

Mas, por trás da preocupação, havia algo mais no olhar dele — um medo real, um pressentimento que ela ainda não conseguia entender.

O médico saiu para preparar os exames, e Augusto segurou a mão dela.

— Eu prometo, Eloise. — disse, a voz baixa, firme. — Quem fez isso vai pagar.

Eloise apertou a mão dele de volta, tentando disfarçar o tremor.

Lá fora, o som das sirenes ecoava de novo — e ela teve a sensação de que aquela manhã estava longe de terminar.

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