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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 213

Rastros de um Inimigo

O relógio marcava pouco mais de uma da tarde quando Augusto se afastou do quarto de Eloise.

Ela já estava descansando, monitorada pelos enfermeiros, e o médico garantira que os exames não mostravam nada grave.

Mas ele não conseguia relaxar.

O celular vibrou em sua mão.

Era Thomas.

Augusto atendeu de imediato, a voz baixa e controlada:

— Precisamos conversar.

— Eu imaginei. — respondeu Thomas, do outro lado da linha, com o tom tenso. — Acabei de saber do atropelamento. Ela tá bem?

— Tá — disse Augusto, respirando fundo. — Só alguns arranhões. Mas eu sei que isso não foi acaso, Thomas.

Foi em frente à VisionLab. Eles sabiam que ela estaria lá.

Houve um breve silêncio do outro lado.

O som de papéis sendo virados, teclas pressionadas.

— Certo. — disse Thomas enfim. — Eu vou puxar as câmeras da rua e da empresa. Alguém viu alguma coisa. Nem que eu tenha que varrer cada segundo de gravação.

Augusto apoiou o braço na janela do corredor, o olhar distante.

— E se for o mesmo pessoal do Daniel? Se estiver tudo ligado, eles podem ter queimado provas…

Thomas suspirou, pesado.

— É sobre isso que eu queria te falar.

Fiz o levantamento da perícia da cadeia. E, adivinha? Coincidência do destino — as câmeras “não estavam funcionando” no momento da morte dele.

Augusto fechou os olhos, sentindo a raiva subir.

— Isso é absurdo, Thomas. Sempre o mesmo padrão. Eles matam, apagam os registros e a história fica pela metade.

— Eu sei. — respondeu Thomas, firme. — E os guardas juram que foi uma briga generalizada.

Mas eu conheço o cheiro da mentira.

Alguém mandou matar o Daniel, e esse alguém ainda tá solto.

— Então o que a gente faz agora? — perguntou Augusto, a voz mais baixa, controlada pela fúria. — Porque se for o mesmo grupo, o verdadeiro Louvre pode já ter destruído tudo que compromete ele.

Thomas fez uma pausa. O som da caneta batendo na mesa atravessou a ligação.

— Calma, Augusto. Eu também tô furioso, mas a gente tá mais perto do que imagina.

Eles tão começando a errar — e é aí que a gente pega.

Augusto respirou fundo, o maxilar travado.

— Só me promete uma coisa, Thomas.

— Diz.

— Que se algo acontecer comigo, você protege a Eloise.

O silêncio que se seguiu foi pesado, mas cheio de significado.

Do outro lado da cidade, Thamires desligou o celular e permaneceu alguns segundos olhando para a janela. A raiva ardia como um fogo contido. Não era apenas a falha; era a humilhação pública, a certeza de que algo, em algum lugar, havia começado a falhar no próprio plano.

___

Lorenzo sentou-se à mesa como quem se prepara para um mergulho: respiração controlada, olhos fixos no monitor. A sala do seu escritório, normalmente impessoal, parecia comprimida pelas paredes — a pressão do momento se concentrava ali, nas teclas que ele deslizava com mãos que tremiam só um pouco.

Abriu as janelas dos bancos, conferiu o código da conta, revisou os nomes das empresas-fantasma. Eram caixas postais, CNPJs frios que existiam apenas em papéis impressos e servidores distantes. Uma rede de passos planejados para desaparecer no labirinto financeiro.

— Vamos lá — murmurou, quase para si. — Só mais uma vez e acabou.

Digitou valores, validou remetentes, apertou confirmações. As transferências foram saindo uma a uma, números escorrendo como água por um ralo digital. Ele verificava, checava, respirava. A cada "transferência enviada" no rodapé do sistema, um pedaço do plano tomava forma.

No canto da tela, o b**e-papo aberto com o contato anônimo do Louvre. A interferência que faria as remessas parecerem parte de um fluxo cultural, um fluxo legítimo, capaz de ocultar a trilha até a sua empresa.

— Pronto, agora só falta a parte do Louvre — falou em voz baixa, enviando o último arquivo de remessa.

Fechou as abas, mas teve a prudência de não relaxar. Havia sempre a sensação de que aquilo podia ruir num segundo — um registro que escapasse, um fiscal curioso, uma senha exposta. E, além disso, havia o homem que esperava do outro lado: paciente, calculista, pronto para punir qualquer deslize.

Ele desceu o olhar até o pequeno relógio de mesa. Era tarde. A cidade lá fora seguia indiferente. Ali dentro, porém, acontecia o empurrão final.

— Quem rir por último ri melhor, Augusto Monteiro. — sussurrou Lorenzo, sem saber se a frase era uma ameaça, um consolo ou uma promessa.

No monitor, a confirmação final apareceu: transferência aceita. Lorenzo fechou os olhos por um instante, sentindo tanto alívio quanto temor. Uma peça essencial estava no lugar — agora só faltava o Louvre entrar no sistema e concluir o apagamento do rastro.

Ele se recostou na cadeira, a respiração pesada. A primeira parte do plano havia sido executada. O resto dependia de mãos distantes, de teclas em um servidor estrangeiro, de alinhamentos frios e precisos.

Lorenzo respirou fundo, e repetiu baixo, como um mantra:

— Quem rir por último ri melhor.

Do lado de fora, a cidade seguia, iluminada e alheia. Dentro daquela sala, a conspiração avançava — lenta, segura e implacável.

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