O Retorno
O sol do meio-dia refletia no vidro espelhado da MonteiroCorp quando o carro preto parou diante da entrada principal.
Eloise saiu primeiro, ainda com o curativo discreto no braço. O vento leve mexia o cabelo dela, e apesar da noite anterior, havia algo firme no olhar — uma mistura de calma e decisão.
Augusto veio logo atrás, a expressão séria, mas o gesto protetor — a mão dele se estendeu naturalmente até a dela.
— Tem certeza que quer trabalhar hoje? — perguntou, a voz baixa, quase um murmúrio.
— Tenho. — respondeu Eloise, sorrindo de leve. — Quero ocupar a mente… e ver como estão os relatórios do sistema.
Augusto a observou por um instante. O instinto gritava para mantê-la em casa, longe de tudo. Mas, por outro lado, tê-la ali, sob os próprios olhos, lhe dava uma paz estranha.
— Tudo bem. — cedeu, por fim. — Mas você fica comigo o tempo todo.
— Isso é uma ordem, senhor Monteiro? — provocou ela, arqueando uma sobrancelha.
— É um pedido disfarçado. — respondeu ele, abrindo um meio sorriso.
Os dois cruzaram a porta principal.
O som dos saltos dela ecoou no piso de mármore, e imediatamente o burburinho no saguão cessou.
Secretárias, executivos e estagiários pararam por um segundo — os olhares se voltaram para o casal que acabava de entrar de mãos dadas.
Augusto Monteiro, o homem inacessível, frio e calculista.
Eloise Nogueira, a mulher que todos viam ao lado dele agora — não como assistente, mas como igual.
Um silêncio reverente se espalhou pelo hall.
Alguns cochichos começaram, sussurrados demais para serem compreendidos, mas audíveis o bastante para que Eloise percebesse.
Ela respirou fundo, mantendo a postura.
Augusto notou e apertou levemente a mão dela, sem desviar o olhar da frente.
— Deixa eles olharem. — disse, firme. — A verdade incomoda, mas não se esconde.
Entraram no elevador juntos.
As portas se fecharam lentamente, abafando o som dos murmúrios do hall.
Dentro do pequeno espaço, o reflexo dos dois se misturava no aço polido — poder e ternura, lado a lado.
Eloise soltou um suspiro, meio riso.
— Aposto que amanhã já vai ter manchete nova.
— Que venham todas. — respondeu Augusto, aproximando-se dela. — Desde que digam a verdade.
Ela ergueu o olhar. — E qual seria essa verdade?
Ele inclinou o rosto, sem hesitar:
— Que você é a mulher da minha vida.
O elevador subiu, e o silêncio entre eles foi mais eloquente que qualquer manchete.
O império Monteiro acabava de ganhar um novo significado — e, dessa vez, não era apenas sobre poder.
O elevador parou no andar da presidência com um som suave.
As portas se abriram e, antes que Eloise pudesse dar o primeiro passo, uma voz familiar cortou o silêncio do corredor.
— Eloise?
Era Lucas.
Ele vinha em direção a eles com uma pasta na mão e o semblante visivelmente surpreso.
Os olhos dele desceram até o curativo no braço de Eloise, e a preocupação foi imediata.
— O que aconteceu com você? — perguntou, dando um passo à frente. — Tá machucada?
Eloise tentou responder, mas Augusto foi mais rápido.
O rosto dele endureceu — e, por trás dos olhos, algo mais escuro começou a se formar.
Um misto de ciúme e raiva, um sentimento que ele mesmo não queria admitir.
Mas que crescia, silencioso, a cada passo que Eloise dava ao lado de Augusto.
O clima de tensão parecia ter se dissipado — mas apenas por alguns minutos.
Augusto acompanhou Eloise até sua mesa — a mesma de antes, logo do lado de fora da sala dele.
Tudo ali parecia igual, mas para Eloise havia algo diferente: a sensação de estar de volta ao lugar certo.
Ele ficou parado por um instante, observando-a se sentar, o crachá pendendo no pescoço e o sorriso discreto no rosto.
— É bom te ver de volta aqui — disse ele, com a voz baixa e sincera. — Achei que fosse demorar pra te ver nessa mesa de novo.
Eloise sorriu, ajeitando alguns papéis. — Eu também.
Augusto se inclinou levemente sobre o tampo, os olhos ainda fixos nela.
— Sabe que eu ainda penso em trazer sua mesa pra dentro da minha sala, né? Assim eu te admiro o dia inteiro.
Eloise riu, balançando a cabeça.
— Deixa de ser besta, amor. Vamos voltar ao trabalho, tem relatório acumulado pra semana inteira.
Ele deixou um beijo rápido na testa dela antes de se afastar.
— Tá bom, senhora eficiência. Mas não reclama se eu passar aqui toda hora.
Augusto entrou em sua sala, e Eloise respirou fundo, tentando conter o sorriso.
Mal dois minutos se passaram e o som dos saltos apressados ecoou pelo corredor.
A porta se abriu de repente, e Nathalia surgiu, com o sorriso mais largo do andar.
— Aí está ela! — exclamou, abrindo os braços. — Ai, que felicidade, minha amiga voltou!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...