A Luz Vermelha
O restante da tarde transcorreu em silêncio na MonteiroCorp.
Os funcionários pareciam evitar barulho, como se pressentissem que o CEO estava em modo alerta — e que qualquer distração poderia ser perigosa.
Eloise, concentrada, mantinha o foco nos relatórios acumulados. O som suave das teclas preenchia o ambiente, junto ao leve aroma de café que vinha da copa do andar.
Estar de volta trazia uma paz ilusória — até que algo estranho apareceu na tela.
Entre os e-mails não lidos, havia uma sequência de mensagens de Laís, a funcionária de TI que trabalhava diretamente com ela no projeto de inovação da empresa.
Foram enviadas entre sábado e domingo, em horários diferentes — 22h, 1h da manhã, 5h.
E todas com o mesmo assunto em letras vermelhas:
> URGENTE — invasão detectada no sistema interno.
Eloise sentiu o estômago gelar.
Clicou na primeira mensagem.
> “Elô, estou vendo movimentações estranhas no servidor.
Alguém acessou a pasta do Projeto Vértice com uma chave não cadastrada.
Parece alguém tentando mascarar dados de transações financeiras.
Estou tentando rastrear o IP, mas o acesso é muito bem camuflado. Te aviso assim que souber mais.”
O coração de Eloise acelerou.
Abriu as outras mensagens rapidamente.
> “Elô, a coisa é séria.
Identifiquei uma invasão às 09h de quinta-feira.
Alguém alterou os logs e apagou rastros.”
> “Acesso confirmado vindo de fora da rede principal. Mas logada com a rede da empresa.
Preciso da sua autorização pra abrir a sala restrita e ver o painel de auditoria.”
> “Elô, não sei se é seguro mandar mais e-mails.
Parece que alguém está observando as conexões.”
A mão de Eloise tremia sobre o mouse.
As palavras de Laís ecoavam como um alerta tardio.
Levantou-se e foi direto à sala de Augusto, o coração disparado.
Bateu uma vez, e, antes mesmo de ele responder, entrou.
— Amor, preciso que venha comigo. — disse sem rodeios.
Augusto levantou o olhar dos relatórios, surpreso com o tom da voz dela.
Mas não questionou. Apenas levantou-se, afrouxou a gravata e a seguiu.
Desceram ao quinto andar. As portas do elevador se abriram — não as de costume, mas as traseiras. Caminharam até o fim do corredor, onde uma porta discreta, sem identificação, quase se escondia atrás de uma estante de metal.
Eloise passou um crachá diferente, reservado apenas a alguns diretores e técnicos de alto nível.
A luz vermelha piscou uma vez e a tranca se abriu com um clique seco.
— O que é essa sala? — perguntou Augusto, curioso.
— A Sala Sigma — respondeu ela, digitando uma sequência no painel. — Cláudia criou para auditorias internas, acho que só ela sabia da existência dessa sala.
Fez uma pausa breve, concentrada nas teclas.
— Eu só descobri porque ela mesma sugeriu que eu colocasse os controles do sistema aqui. Ninguém veria… ninguém desconfiaria.
A porta se abriu, revelando um ambiente pequeno, frio, com duas estações de trabalho e uma grande tela central de segurança.
Assim que Eloise ligou o sistema, o monitor acendeu — um código vermelho piscava no centro da tela:
> “Acesso não autorizado – Dados apagados: Quinta-feira, 9h02.”
“Confirmação de exclusão: pendente.”
Augusto se aproximou, a expressão tensa.
— Alguém mexeu no servidor?
Eloise digitou uma sequência de comandos rápidos.
Linhas de código começaram a correr, revelando fragmentos de informações que ainda podiam ser salvos.
— Sim. Apagaram os rastros de uma transferência. Mas deixaram uma brecha… eu posso rastrear o IP.
Os dedos dela voavam sobre o teclado, e as informações começaram a surgir: nomes de empresas, datas, valores.
Augusto leu em silêncio — e então parou.
O rosto empalideceu.
Na tela, os nomes das empresas-fantasma apareciam vinculados a dois responsáveis legais:
— Do que você tá falando agora?
— Não se faz de idiota comigo, Thamires. — a voz dele saiu firme, carregada de fúria contida. — Tentou atropelar a Eloise? Você perdeu completamente a cabeça?
Houve um suspiro audível, seguido de um tom provocador.
— Ah, então é isso… — ela disse, sarcástica. — Tá apaixonadinho por ela, é? Que bonitinho. Mas se enxerga, Lucas. Ela nunca vai te querer.
Lucas apertou o punho sobre a mesa, o sangue fervendo.
— Você passou de todos os limites.
— Limites? — ela riu, amarga. — Os limites quem sempre traçou fui eu.
E já que tocou no assunto… — a voz dela ficou mais cortante — ela tá com o Augusto Monteiro, lembra? Um homem de verdade. Um bilionário. Alguém diferente de você, um pobre coitado.
As palavras bateram como um tapa.
Mas, em vez de recuar, Lucas se endireitou na cadeira, o olhar endurecendo.
— Você esqueceu quem manda. — disse, baixo, frio. — E se continuar pisando na bola, vai aprender do pior jeito possível.
Do outro lado, o riso dela cessou.
— Tá me ameaçando, Lucas?
— Não. — respondeu ele, firme. — Tô te lembrando do seu lugar.
Por um momento, só se ouviu a respiração dos dois.
O ar parecia pesado demais, como se o fio entre eles estivesse prestes a arrebentar.
Thamires quebrou o silêncio, num tom de desprezo.
— Você nunca teve coragem de me enfrentar antes. Que pena que resolveu tentar agora.
E, antes que ele respondesse, desligou.
O bip seco do fim da ligação ecoou no escritório.
Lucas permaneceu imóvel, encarando o telefone ainda aceso na tela dela.
Então murmurou, para si mesmo, com o maxilar travado:
— Você não vai se safar dessa, Thamires.
Lentamente, apagou a luz do escritório e saiu, levando consigo uma certeza —
as máscaras estavam caindo, uma a uma.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...