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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 217

Sinais no Sistema

Augusto observava a tela vermelha piscando, o reflexo do código projetando sombras duras no rosto dele.

O silêncio da Sala Sigma era quebrado apenas pelo som dos comandos de Eloise — rápidos, precisos, quase sem respirar.

— Não dá pra recuperar tudo sozinha. — disse ela, sem desviar o olhar da tela. — Preciso da Laís.

Ela é a melhor nisso, ninguém entende de rastreio e criptografia como ela.

Augusto já pegava o celular. — E eu vou chamar o Thiago. Quero ele aqui agora.

Digitou o número, andou alguns passos para longe da mesa; o tom da voz veio firme e direto:

— Thiago, preciso que corra aqui. — disse Augusto, cortante. — Desce pro quinto andar agora. É urgente.

Do outro lado da linha, o tom de Thiago veio confuso, mas atento:

— O que aconteceu?

— Invasão no sistema. — respondeu Augusto, já caminhando em direção ao painel da sala. — Transferências ligadas a empresas fantasmas... e usaram meu nome e o seu.

Houve um silêncio pesado antes que Thiago respirasse fundo.

— Onde exatamente você tá?

— Sala Sigma. — disse Augusto, sem rodeios. — Quando o elevador parar no quinto andar, aperta o botão com o número cinco. A porta vai destravar; anda até o fim do corredor.

Do outro lado, o som de passos apressados.

— Tô indo agora. — respondeu Thiago, a voz já mais grave.

Augusto encerrou a ligação e voltou-se para Eloise.

Ela já digitava uma nova sequência, o rosto iluminado pela tela.

— Vou acionar a Cláudia. — disse ela, pegando o telefone fixo ao lado.

Do outro lado da linha, a voz de Cláudia soou preocupada:

— Eloise, o que aconteceu?

— Acesso não autorizado no sistema. Alguém mascarou dados de transferência com o nome do Augusto e do Thiago. Tô tentando rastrear, mas apagaram os registros.

— Eu vou praí. — respondeu Cláudia, sem hesitar. — E chama a Laís. Ela é nossa melhor chance de recuperar o que foi deletado.

— Já tô ligando. — disse Eloise.

Digitou o número da amiga e esperou.

A ligação atendeu com a respiração ofegante do outro lado.

— Elô? — a voz de Laís soava nervosa. — Eu imaginei que você ia me ligar. Vi movimentação estranha no servidor agora há pouco; o rastro é recente.

— Foi isso mesmo. Preciso de você aqui. — disse Eloise, firme. — Quero saber quem fez as transferências e qual ID apagou os dados.

— Me dá trinta minutos. — respondeu Laís. — E, Elô… não mexe em nada até eu chegar. Se o invasor ainda estiver online, qualquer comando errado pode apagar tudo de vez.

— Entendido. — respondeu Eloise, encerrando a ligação.

Augusto se aproximou, observando o brilho tenso nos olhos dela.

— Então vamos ter respostas.

— Vamos. — disse ela, sem desviar o olhar da tela. — E quando tivermos, eu quero olhar na cara de quem tentou destruir o que a gente construiu.

A luz vermelha piscava, refletindo nos dois.

Cada pulso parecia marcar a contagem regressiva de algo maior — a verdade prestes a emergir.

O tempo, a partir dali, começou a correr diferente.

Por um instante, o silêncio da Sala Sigma pareceu se alongar, pesado.

O painel pulsava em vermelho, como se respirasse junto com o silêncio da sala.

Eloise piscou, tentando focar na tela, mas o estômago revirou de repente.

O calor subiu pelo corpo — uma onda súbita, vertiginosa.

— Amor? — a voz de Augusto veio confusa. — Tá tudo bem?

— Tá tudo bem agora? — perguntou, a voz baixa.

Ela respirou fundo. — Acho que sim… foi algo que comi ou a medicação.

— Ou os dois. — respondeu ele, com um sorriso leve, mas os olhos ainda atentos a cada gesto dela.

O silêncio entre eles foi interrompido apenas pelo som suave dos ventiladores da sala.

A tela do sistema ainda piscava com a luz vermelha, refletindo nas paredes como um alerta mudo — mas, naquele instante, Augusto só conseguia pensar nela.

— Vamos pra casa. — disse, por fim. — Você precisa descansar, Eloise.

— Não, amor… — murmurou ela, abrindo os olhos. — Eu quero ficar. Quero esperar a Cláudia e a Laís chegarem.

— Elas sabem o que fazer. — insistiu ele. — E eu não vou te deixar aqui se não estiver bem.

Eloise tentou sorrir. — Você é pior que médico.

— Eu sou um homem preocupado. — corrigiu ele, passando o polegar de leve sobre a mão dela. — E com bons motivos.

Ela suspirou, vencida, mas ainda teimosa. — Tá bom… só cinco minutos.

Augusto assentiu, mas sabia que ela não duraria tanto.

Em poucos instantes, o cansaço venceu o corpo dela — e Eloise adormeceu ali, serena, sob a luz vermelha do painel.

Ele ficou observando, o rosto dela relaxado, a respiração lenta.

Uma mistura de medo e ternura apertava o peito dele.

Pegou o celular e mandou uma mensagem rápida para Cláudia:

> “Eloise passou mal. Laís já está a caminho. Preciso marcar um médico pra ela.”

Guardou o aparelho e olhou de novo para ela.

No reflexo da tela, a luz vermelha continuava piscando —

mas, pela primeira vez, Augusto percebeu que talvez a vida estivesse tentando mandar outro tipo de sinal.

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