Sinais no Sistema
Augusto observava a tela vermelha piscando, o reflexo do código projetando sombras duras no rosto dele.
O silêncio da Sala Sigma era quebrado apenas pelo som dos comandos de Eloise — rápidos, precisos, quase sem respirar.
— Não dá pra recuperar tudo sozinha. — disse ela, sem desviar o olhar da tela. — Preciso da Laís.
Ela é a melhor nisso, ninguém entende de rastreio e criptografia como ela.
Augusto já pegava o celular. — E eu vou chamar o Thiago. Quero ele aqui agora.
Digitou o número, andou alguns passos para longe da mesa; o tom da voz veio firme e direto:
— Thiago, preciso que corra aqui. — disse Augusto, cortante. — Desce pro quinto andar agora. É urgente.
Do outro lado da linha, o tom de Thiago veio confuso, mas atento:
— O que aconteceu?
— Invasão no sistema. — respondeu Augusto, já caminhando em direção ao painel da sala. — Transferências ligadas a empresas fantasmas... e usaram meu nome e o seu.
Houve um silêncio pesado antes que Thiago respirasse fundo.
— Onde exatamente você tá?
— Sala Sigma. — disse Augusto, sem rodeios. — Quando o elevador parar no quinto andar, aperta o botão com o número cinco. A porta vai destravar; anda até o fim do corredor.
Do outro lado, o som de passos apressados.
— Tô indo agora. — respondeu Thiago, a voz já mais grave.
Augusto encerrou a ligação e voltou-se para Eloise.
Ela já digitava uma nova sequência, o rosto iluminado pela tela.
— Vou acionar a Cláudia. — disse ela, pegando o telefone fixo ao lado.
Do outro lado da linha, a voz de Cláudia soou preocupada:
— Eloise, o que aconteceu?
— Acesso não autorizado no sistema. Alguém mascarou dados de transferência com o nome do Augusto e do Thiago. Tô tentando rastrear, mas apagaram os registros.
— Eu vou praí. — respondeu Cláudia, sem hesitar. — E chama a Laís. Ela é nossa melhor chance de recuperar o que foi deletado.
— Já tô ligando. — disse Eloise.
Digitou o número da amiga e esperou.
A ligação atendeu com a respiração ofegante do outro lado.
— Elô? — a voz de Laís soava nervosa. — Eu imaginei que você ia me ligar. Vi movimentação estranha no servidor agora há pouco; o rastro é recente.
— Foi isso mesmo. Preciso de você aqui. — disse Eloise, firme. — Quero saber quem fez as transferências e qual ID apagou os dados.
— Me dá trinta minutos. — respondeu Laís. — E, Elô… não mexe em nada até eu chegar. Se o invasor ainda estiver online, qualquer comando errado pode apagar tudo de vez.
— Entendido. — respondeu Eloise, encerrando a ligação.
Augusto se aproximou, observando o brilho tenso nos olhos dela.
— Então vamos ter respostas.
— Vamos. — disse ela, sem desviar o olhar da tela. — E quando tivermos, eu quero olhar na cara de quem tentou destruir o que a gente construiu.
A luz vermelha piscava, refletindo nos dois.
Cada pulso parecia marcar a contagem regressiva de algo maior — a verdade prestes a emergir.
O tempo, a partir dali, começou a correr diferente.
Por um instante, o silêncio da Sala Sigma pareceu se alongar, pesado.
O painel pulsava em vermelho, como se respirasse junto com o silêncio da sala.
Eloise piscou, tentando focar na tela, mas o estômago revirou de repente.
O calor subiu pelo corpo — uma onda súbita, vertiginosa.
— Amor? — a voz de Augusto veio confusa. — Tá tudo bem?
— Tá tudo bem agora? — perguntou, a voz baixa.
Ela respirou fundo. — Acho que sim… foi algo que comi ou a medicação.
— Ou os dois. — respondeu ele, com um sorriso leve, mas os olhos ainda atentos a cada gesto dela.
O silêncio entre eles foi interrompido apenas pelo som suave dos ventiladores da sala.
A tela do sistema ainda piscava com a luz vermelha, refletindo nas paredes como um alerta mudo — mas, naquele instante, Augusto só conseguia pensar nela.
— Vamos pra casa. — disse, por fim. — Você precisa descansar, Eloise.
— Não, amor… — murmurou ela, abrindo os olhos. — Eu quero ficar. Quero esperar a Cláudia e a Laís chegarem.
— Elas sabem o que fazer. — insistiu ele. — E eu não vou te deixar aqui se não estiver bem.
Eloise tentou sorrir. — Você é pior que médico.
— Eu sou um homem preocupado. — corrigiu ele, passando o polegar de leve sobre a mão dela. — E com bons motivos.
Ela suspirou, vencida, mas ainda teimosa. — Tá bom… só cinco minutos.
Augusto assentiu, mas sabia que ela não duraria tanto.
Em poucos instantes, o cansaço venceu o corpo dela — e Eloise adormeceu ali, serena, sob a luz vermelha do painel.
Ele ficou observando, o rosto dela relaxado, a respiração lenta.
Uma mistura de medo e ternura apertava o peito dele.
Pegou o celular e mandou uma mensagem rápida para Cláudia:
> “Eloise passou mal. Laís já está a caminho. Preciso marcar um médico pra ela.”
Guardou o aparelho e olhou de novo para ela.
No reflexo da tela, a luz vermelha continuava piscando —
mas, pela primeira vez, Augusto percebeu que talvez a vida estivesse tentando mandar outro tipo de sinal.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...