A Verdades no Sistema
A batida suave na porta interrompeu o silêncio pesado da sala.
Augusto levantou o olhar e, em poucos passos, abriu.
— Entra, Thiago.
O amigo entrou, o semblante carregado.
Assim que cruzou a porta, os olhos dele foram direto para o sofá.
Eloise estava deitada, encolhida sob o paletó de Augusto, que a cobria até os ombros.
O rosto sereno contrastava com o caos refletido nas luzes vermelhas que piscavam no painel.
— O que aconteceu? — perguntou Thiago, num tom mais baixo.
— Passou mal. — respondeu Augusto, mantendo a voz controlada. — Foi tudo muito rápido. Acho que foi o estresse... ou o susto com o que descobrimos.
Thiago se aproximou, lançando um olhar breve para ela antes de focar na tela.
Os números piscavam em sequência, e o alerta vermelho ainda pulsava no centro do monitor.
— Santo Deus... — murmurou ele. — Isso é o que eu tô pensando que é?
— É pior. — respondeu Augusto, cruzando os braços. — Invasão no sistema. Transferências ligadas a empresas fantasmas. E o nome dos responsáveis registrados são o meu e o seu.
Thiago arregalou os olhos, absorvendo a gravidade daquilo.
— Isso é impossível...
— É o que parece — disse Augusto, seco. — Mas eu sei que não somos nós. E quem fez isso vai pagar caro.
Thiago passou a mão no cabelo, respirando fundo. — Isso tem que ser coisa de alguém de dentro.
— Também acho. — respondeu Augusto. — Eloise acredita que o acesso foi mascarado usando uma chave interna.
— Ela descobriu isso sozinha?
Augusto assentiu, lançando um olhar de orgulho e preocupação para o sofá. — Ela percebeu as anomalias antes de qualquer um. Mas agora... precisa descansar.
Thiago aproximou-se do painel, examinando os códigos. — E quanto aos rastros?
— Laís já está a caminho. — disse Augusto. — É a técnica que a Cláudia e a Eloise mais confiam. Se alguém pode recuperar o que apagaram, é ela.
Thiago cruzou os braços, o olhar fixo na tela. — Então agora a gente espera.
— É. — respondeu Augusto, a voz grave. — Mas não por muito tempo.
O som dos ventiladores da máquina se misturava ao zumbido contínuo dos servidores, preenchendo o ambiente com um ruído constante e quase hipnótico.
Do sofá, Eloise respirava tranquila, sem saber que, do lado de fora de seus sonhos, o império Monteiro começava a balançar.
A luz vermelha piscou de novo.
E, a cada pulso, o perigo parecia mais perto.
O relógio marcava quase seis da noite quando a porta da Sala Sigma se abriu novamente.
A tranca eletrônica piscou em verde, e duas figuras entraram apressadas.
Cláudia vinha à frente, com a expressão firme de quem sabia que algo grande estava prestes a acontecer.
Atrás dela, Laís — moletom cinza, cabelo preso, laptop nas mãos e olhar atento.
— Augusto. — cumprimentou Cláudia, sem rodeios. — Onde ela está?
— Ali. — respondeu ele, apontando para o sofá. Eloise ainda dormia, o paletó sobre os ombros. — Teve um mal-estar. Precisa descansar.
Cláudia assentiu, o olhar suavizando por um instante. — Ela sempre tenta carregar o mundo nas costas.
Ela digitou mais rápido, a luz do monitor refletindo nos olhos concentrados.
Cláudia observava em silêncio, os braços cruzados.
— Essa não é uma invasão comum. — disse por fim. — É um ataque coordenado. E alguém quer destruir vocês de dentro pra fora.
Augusto assentiu lentamente. — Então vamos descobrir quem é.
A tela piscou de novo.
Um novo código surgiu, junto de uma identificação incompleta: USR-49—MONTEIROCORP/TI.
— Setor de tecnologia. — murmurou Laís. — O acesso partiu daqui de dentro.
Thiago e Augusto se entreolharam, o ar ficando denso.
— Do nosso próprio prédio. — concluiu Thiago, a voz grave.
Laís continuou trabalhando, concentrada.
— Me deem uma hora. Eu vou rastrear quem estava logado nesse terminal. E quando eu souber, vocês também vão saber.
Cláudia assentiu. — E enquanto isso, quero que reforcem a segurança do sistema. Nenhum dado entra ou sai sem minha autorização.
Augusto passou a mão pelo rosto, exausto, mas determinado.
— Faça o que for preciso. Eu quero nomes.
A luz da tela voltou a piscar — e o som do teclado preencheu a sala mais uma vez.
Do sofá, Eloise se mexeu levemente, sem acordar, alheia à tensão que fervia a poucos metros de distância.
Lá fora, a noite começava a cair sobre a cidade.
Mas dentro da Sala Sigma, o jogo estava no segundo tempo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...