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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 219

Silêncio e Promessas

O relógio já passava das oito da noite.

O ar da Sala Sigma estava pesado — uma mistura de cansaço, tensão e o zumbido constante das máquinas.

Augusto olhou para o sofá.

Eloise continuava dormindo, o corpo encolhido sob o paletó dele.

Os traços do rosto estavam serenos, mas o leve tremor nos dedos denunciava o quanto aquele dia a tinha esgotado.

Ele se aproximou devagar, ajeitou uma mecha do cabelo dela e suspirou.

— Eu vou levá-la pra casa. — disse, firme. — Ela precisa descansar, comer alguma coisa. Esse dia foi pesado demais.

Cláudia assentiu, compreensiva.

— É o melhor a fazer. Deixa que a Laís e eu damos conta daqui.

Laís, ainda diante do monitor, não desviou os olhos da tela.

Digitava rápido, em total concentração.

— Na verdade, se não se importarem... — disse ela, sem levantar o olhar — prefiro continuar sozinha. Trabalho melhor em silêncio.

Thiago olhou para Augusto, depois para Cláudia, e deu de ombros.

— Justo. Esse tipo de análise exige foco.

Laís continuou:

— Assim que eu tiver qualquer avanço, aviso vocês em primeira mão. Prometo que ninguém vai saber antes.

Augusto deu um passo à frente, o olhar firme sobre ela.

— Laís, não importa a hora — madrugada, manhã, tanto faz.

Assim que descobrir algo, me liga. Diretamente pra mim.

Ela assentiu, sem hesitar. — Pode deixar.

Cláudia recolheu alguns papéis e os guardou na pasta.

— Vão com calma. Eu fico por aqui pra garantir que ninguém entre.

Augusto agradeceu com um breve aceno.

Então se abaixou ao lado do sofá e chamou baixinho:

— Elô… amor… vamos pra casa.

Eloise abriu os olhos devagar, sonolenta.

— A gente terminou?

— Por hoje, sim. — respondeu ele, com um sorriso leve. — Agora é hora de cuidar de você.

Ela tentou protestar, mas Augusto foi mais rápido:

— Nem discute. Você já fez mais do que o suficiente hoje.

Ele a ajudou a se levantar, ajeitando o casaco sobre os ombros dela.

Antes de sair, lançou um último olhar para Laís, que já estava de fones, mergulhada nos códigos que corriam pela tela.

— Cuidado. — disse ele. — Quem fez isso sabe o que está fazendo.

— E eu também. — respondeu Laís, sem tirar os olhos do monitor. — Pode deixar comigo.

A luz vermelha piscou uma última vez, e o corredor mergulhou em silêncio.

Lá dentro, restava apenas o som dos teclados — e o brilho frio da tela refletindo nos olhos determinados de Laís.

A caçada aos rastros invisíveis havia começado.

O som suave da porta se fechando atrás deles pareceu afastar o peso do dia.

Eloise pousou a bolsa sobre o aparador e respirou fundo.

O corpo inteiro doía, e a cabeça ainda latejava com as lembranças da Sala Sigma — luz vermelha, códigos, ameaças.

Augusto se aproximou sem dizer nada, tirando o casaco dela com cuidado.

O gesto foi simples, mas carregado de carinho.

— Vai tomar um banho — disse ele, com a voz baixa e calma. — Eu cuido do jantar.

Eloise o olhou, meio surpresa, meio sorrindo.

— Augusto, não precisa...

— Preciso sim. — interrompeu, encostando um dedo nos lábios dela. — Hoje é minha vez de cuidar de você.

Ela riu, rendida. — Tá bem, doutor Monteiro. Mas eu quero provar se essa comida é boa mesmo.

— Vai se arrepender de duvidar. — respondeu ele, divertido, enquanto ela subia as escadas.

Na cozinha, o vapor da panela subia preguiçoso, espalhando o cheiro acolhedor de legumes e alho refogado.

Augusto mexia a sopa com atenção, o olhar concentrado e um pensamento só:

Ela precisa se recuperar.

Tocou a campainha e esperou.

Por dentro, passos leves se aproximaram.

A porta se abriu com um estalo, revelando Emma — de moletom e coque bagunçado, o olhar curioso.

Por um instante, ela congelou.

Depois, o sorriso nasceu sozinho.

— Thiago?

— Surpresa. — disse ele, levantando o buquê de lírios brancos. — Sei que adora lírios.

Emma riu, o olhar marejado.

— Às vezes, não acredito que você seja real.

Thiago sorriu de canto, dando um passo à frente. — Então toca pra ver… — disse, a voz baixa, rouca de intenção. — Ou talvez seja melhor me beijar.

Antes que ela pudesse responder, ele a puxou para um abraço — firme, quente, demorado.

Quando se afastaram, os olhos se encontraram por tempo o bastante para que o beijo simplesmente acontecesse.

Foi leve no início — hesitante, quase um pedido de permissão.

Mas, quando ela o puxou pela gola da camisa, o ar entre eles mudou: doce, denso, inevitável.

Mais tarde, estavam à mesa da pequena varanda, com taças de vinho e um jantar simples — massa com molho e risadas fáceis.

O clima era leve, íntimo, como se o tempo tivesse esquecido deles.

— Eu achei que você não fosse aparecer mais. — disse Emma, brincando com o garfo.

— Desculpa… muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. — confessou ele. — Às vezes esqueço até de mim… e da minha vida pessoal.

Emma arqueou uma sobrancelha, provocando: — Esqueceu de mim?

Thiago sorriu de canto, o olhar sincero. — Lembrar de você é o que me faz lembrar de viver.

Emma ficou em silêncio por um instante, o sorriso crescendo devagar, iluminado pelas luzes da cidade lá fora.

— Acho que eu também. — respondeu, suave.

Enquanto o mundo se preparava para dormir, dois casais encontravam abrigo em algo raro e precioso:

a sensação de pertencimento.

Por algumas horas, o caos lá fora não existia.

Só o amor — quieto, simples e inteiro.

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