Silêncio e Promessas
O relógio já passava das oito da noite.
O ar da Sala Sigma estava pesado — uma mistura de cansaço, tensão e o zumbido constante das máquinas.
Augusto olhou para o sofá.
Eloise continuava dormindo, o corpo encolhido sob o paletó dele.
Os traços do rosto estavam serenos, mas o leve tremor nos dedos denunciava o quanto aquele dia a tinha esgotado.
Ele se aproximou devagar, ajeitou uma mecha do cabelo dela e suspirou.
— Eu vou levá-la pra casa. — disse, firme. — Ela precisa descansar, comer alguma coisa. Esse dia foi pesado demais.
Cláudia assentiu, compreensiva.
— É o melhor a fazer. Deixa que a Laís e eu damos conta daqui.
Laís, ainda diante do monitor, não desviou os olhos da tela.
Digitava rápido, em total concentração.
— Na verdade, se não se importarem... — disse ela, sem levantar o olhar — prefiro continuar sozinha. Trabalho melhor em silêncio.
Thiago olhou para Augusto, depois para Cláudia, e deu de ombros.
— Justo. Esse tipo de análise exige foco.
Laís continuou:
— Assim que eu tiver qualquer avanço, aviso vocês em primeira mão. Prometo que ninguém vai saber antes.
Augusto deu um passo à frente, o olhar firme sobre ela.
— Laís, não importa a hora — madrugada, manhã, tanto faz.
Assim que descobrir algo, me liga. Diretamente pra mim.
Ela assentiu, sem hesitar. — Pode deixar.
Cláudia recolheu alguns papéis e os guardou na pasta.
— Vão com calma. Eu fico por aqui pra garantir que ninguém entre.
Augusto agradeceu com um breve aceno.
Então se abaixou ao lado do sofá e chamou baixinho:
— Elô… amor… vamos pra casa.
Eloise abriu os olhos devagar, sonolenta.
— A gente terminou?
— Por hoje, sim. — respondeu ele, com um sorriso leve. — Agora é hora de cuidar de você.
Ela tentou protestar, mas Augusto foi mais rápido:
— Nem discute. Você já fez mais do que o suficiente hoje.
Ele a ajudou a se levantar, ajeitando o casaco sobre os ombros dela.
Antes de sair, lançou um último olhar para Laís, que já estava de fones, mergulhada nos códigos que corriam pela tela.
— Cuidado. — disse ele. — Quem fez isso sabe o que está fazendo.
— E eu também. — respondeu Laís, sem tirar os olhos do monitor. — Pode deixar comigo.
A luz vermelha piscou uma última vez, e o corredor mergulhou em silêncio.
Lá dentro, restava apenas o som dos teclados — e o brilho frio da tela refletindo nos olhos determinados de Laís.
A caçada aos rastros invisíveis havia começado.
O som suave da porta se fechando atrás deles pareceu afastar o peso do dia.
Eloise pousou a bolsa sobre o aparador e respirou fundo.
O corpo inteiro doía, e a cabeça ainda latejava com as lembranças da Sala Sigma — luz vermelha, códigos, ameaças.
Augusto se aproximou sem dizer nada, tirando o casaco dela com cuidado.
O gesto foi simples, mas carregado de carinho.
— Vai tomar um banho — disse ele, com a voz baixa e calma. — Eu cuido do jantar.
Eloise o olhou, meio surpresa, meio sorrindo.
— Augusto, não precisa...
— Preciso sim. — interrompeu, encostando um dedo nos lábios dela. — Hoje é minha vez de cuidar de você.
Ela riu, rendida. — Tá bem, doutor Monteiro. Mas eu quero provar se essa comida é boa mesmo.
— Vai se arrepender de duvidar. — respondeu ele, divertido, enquanto ela subia as escadas.
Na cozinha, o vapor da panela subia preguiçoso, espalhando o cheiro acolhedor de legumes e alho refogado.
Augusto mexia a sopa com atenção, o olhar concentrado e um pensamento só:
Ela precisa se recuperar.
Tocou a campainha e esperou.
Por dentro, passos leves se aproximaram.
A porta se abriu com um estalo, revelando Emma — de moletom e coque bagunçado, o olhar curioso.
Por um instante, ela congelou.
Depois, o sorriso nasceu sozinho.
— Thiago?
— Surpresa. — disse ele, levantando o buquê de lírios brancos. — Sei que adora lírios.
Emma riu, o olhar marejado.
— Às vezes, não acredito que você seja real.
Thiago sorriu de canto, dando um passo à frente. — Então toca pra ver… — disse, a voz baixa, rouca de intenção. — Ou talvez seja melhor me beijar.
Antes que ela pudesse responder, ele a puxou para um abraço — firme, quente, demorado.
Quando se afastaram, os olhos se encontraram por tempo o bastante para que o beijo simplesmente acontecesse.
Foi leve no início — hesitante, quase um pedido de permissão.
Mas, quando ela o puxou pela gola da camisa, o ar entre eles mudou: doce, denso, inevitável.
Mais tarde, estavam à mesa da pequena varanda, com taças de vinho e um jantar simples — massa com molho e risadas fáceis.
O clima era leve, íntimo, como se o tempo tivesse esquecido deles.
— Eu achei que você não fosse aparecer mais. — disse Emma, brincando com o garfo.
— Desculpa… muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. — confessou ele. — Às vezes esqueço até de mim… e da minha vida pessoal.
Emma arqueou uma sobrancelha, provocando: — Esqueceu de mim?
Thiago sorriu de canto, o olhar sincero. — Lembrar de você é o que me faz lembrar de viver.
Emma ficou em silêncio por um instante, o sorriso crescendo devagar, iluminado pelas luzes da cidade lá fora.
— Acho que eu também. — respondeu, suave.
Enquanto o mundo se preparava para dormir, dois casais encontravam abrigo em algo raro e precioso:
a sensação de pertencimento.
Por algumas horas, o caos lá fora não existia.
Só o amor — quieto, simples e inteiro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...