Rastros da Verdade
O dia amanheceu calmo sobre a Cidade Norte, mas o sossego não durou.
Eloise acordou com o estômago revirando. Correu até o banheiro, o enjoo subindo sem aviso.
Depois de vomitar, respirou fundo e decidiu tomar um banho rápido — não queria preocupar Augusto logo cedo.
A água quente escorria pelo corpo quando sentiu as mãos dele em sua cintura.
— Achei que tinha fugido de mim. — murmurou Augusto, encostando o queixo no ombro dela.
Eloise sorriu de leve, virando-se para encará-lo. — Só tentando me recompor.
O olhar dele desceu, intenso, silencioso. O resto veio sem palavras — o toque, o calor, o encontro inevitável sob o vapor do chuveiro.
Quando o silêncio finalmente voltou, eles riram juntos, o som leve ecoando pelo banheiro.
Pouco depois, tomaram café da manhã na varanda.
O sol iluminava os dois, e por um breve instante, a vida parecia simples outra vez.
Mas não por muito tempo.
Augusto largou a xícara, o semblante já sério. — Vamos pra empresa.
Eloise apenas assentiu.
Na MonteiroCorp, subiram direto para o quinto andar.
A porta da Sala Sigma se abriu com o habitual som do destrave eletrônico.
Laís ainda estava lá — olheiras profundas, o cabelo preso de qualquer jeito, cercada por telas piscando.
Ela não parecia sequer ter notado que o dia havia amanhecido.
— Você passou a noite aqui? — perguntou Augusto, incrédulo.
Ela apenas deu de ombros, sem tirar os olhos do monitor. — Tive que garantir que ninguém mexesse em nada.
— E então? — ele perguntou, aproximando-se. — Temos respostas?
Laís respirou fundo antes de responder.
— Às vinte e três horas, houve uma nova movimentação. — disse, o tom controlado. — A transferência foi feita por Lorenzo Mello.
O nome caiu como um peso no ar.
Eloise e Augusto trocaram um olhar silencioso — ambos sabiam exatamente quem era o homem por trás daquele nome.
— Tudo indica que foi ele quem executou as transferências iniciais. — continuou Laís. — E agora vem a parte interessante.
Augusto se inclinou para frente, a tensão marcando o maxilar. — Fala.
— A fraude está toda clara agora — disse Laís, concentrada. — Sabemos quem enviou o dinheiro e pra onde ele foi. O próximo passo seria alguém entrar no sistema e alterar os registros… pra incriminar você e o Thiago.
O silêncio tomou conta da sala.
Laís rolou mais algumas linhas de código e apontou para a tela.
— O dono do IP codinome “Louvre” deveria acessar o sistema novamente pra concluir a limpeza dos rastros. — explicou, o olhar fixo no monitor. — Ao que tudo indica, esse Louvre é um disfarce usado por alguém de dentro da própria empresa. Ele apagaria tudo durante a madrugada.
Fez uma pausa.
— Mas aí está a questão: ninguém entrou.
Eloise franziu o cenho. — Ninguém?
— Nenhum sinal de login. — confirmou Laís. — Fiquei esperando a noite toda, porque se ele tentasse de novo, eu rastrearia o IP em tempo real.
Ela se encostou na cadeira, exausta, mas com um brilho satisfeito no olhar.
— Isso significa que o invasor sabe que estamos de olho.
Augusto cruzou os braços, pensativo. — Ou alguém avisou ele.
Laís assentiu lentamente, o olhar fixo nos dados na tela.
— Ou talvez o Louvre queira jogar sozinho. — disse, pensativa. — Assim, nós acabamos fazendo o trabalho por ele… e entregamos o Lorenzo Mello de bandeja.
Abriu algumas pastas, digitando rápido.
— Eu fiz meu trabalho, senhor Augusto. — continuou, firme. — Com tudo o que encontrei aqui, o Lorenzo responde por pelo menos quatro tipos de crimes diferentes.
O celular vibrou de novo, mas era apenas o sistema bancário informando confirmação na execução da transferência. Mas o problema morava aí.
- Merda, está em meu nome.
Ele jogou o aparelho no sofá, a paciência se esgotando.
O suor frio descia pela nuca. A cada minuto, a sensação de estar sendo enganado crescia.
Por fim, pegou as chaves e respirou fundo.
— Se ele não me procura, eu vou até ele.
Abriu o laptop rapidamente e consultou o histórico.
Ali estava a pista que procurava — um endereço antigo, discreto, um prédio quase escondido.
Semanas antes, por coincidência viu Thamires entrando.
Lorenzo apertou o punho.
— Você me deve respostas, Thamires… e se o Louvre estiver lá, vai me ouvir também.
Saiu do apartamento apressado, o coração batendo forte, misto de medo e fúria.
A cidade começava a despertar, mas para Lorenzo Mello, o amanhecer trazia apenas uma certeza:
O jogo tinha mudado. E, dessa vez, Lorenzo Mello não controlava mais as peças.
___
O sol começava a surgir entre os prédios altos da Cidade Norte quando Lorenzo Mello estacionou em frente ao edifício de luxo.
A claridade dourada da manhã refletia nos vidros do carro, mas ele parecia alheio à beleza do dia.
As horas haviam passado, e nenhuma confirmação das transferências chegara.
Nenhuma mensagem. Nenhum e-mail. Nenhum sinal.
Lorenzo ficou ali, dentro do carro, os dedos tamborilando no volante. O nervosismo o corroía por dentro. Ele apertou o maxilar, olhando o visor do celular pela décima vez. Nenhuma mensagem. Nenhum e-mail. Nenhum retorno.
— Vamos, maldito… aparece. — murmurou, o olhar fixo na portaria.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...