Capítulo 22
Augusto acordou antes do sol nascer. Ficou um tempo em silêncio, deitado, observando o teto escuro, ouvindo a respiração tranquila de Eloise ao seu lado. Ainda sentia o cheiro do corpo dela misturado aos lençóis. Aquilo deveria ser só mais uma noite — mas não foi.
A pele ainda ardia da lembrança. O toque dela, os olhos dela, o jeito como ela se encaixou... tudo ficou gravado como uma tatuagem invisível.
Mas confiar de novo?
Seria burrice. Ele sabia disso. E, acima de tudo, Augusto Monteiro não era burro.
Levantou sem fazer barulho. Pegou as chaves, vestiu-se rapidamente e deixou um último olhar demorado sobre ela antes de sair. Aquela imagem — Eloise dormindo em sua cama, usando sua camisa — grudou como um espinho no peito.
Ele dirigiu por horas, sem rumo certo, até que os prédios desapareceram no retrovisor e deram lugar à estrada deserta — e, por fim, aos primeiros traços do litoral. Era para lá que sempre voltava quando precisava se esconder do mundo.
A antiga casa de praia dos avós, uma grande casa, cercada por pinheiros, com a fachada clara marcada pelo tempo e uma vista silenciosa para o mar cinzento daquela manhã. Era o único lugar onde podia respirar com calma.
Lá, cada parede carregava memórias da infância. Era onde passava os verões com os avós. Um refúgio perdido no tempo. A brisa salgada, o cheiro do mar, o silêncio... Ali ele não precisava fingir ser forte. Podia apenas... existir.
Sentou-se na varanda de madeira com uma caneca de café quente entre as mãos, observando as ondas quebrarem na areia como se quisessem apagar os pensamentos que ferviam em sua cabeça.
"Foi bom demais. E é exatamente por isso que me assusta."
Augusto sentia a lembrança da noite anterior queimando sob a pele. O gosto do beijo dela. O corpo de Eloise encaixado no seu. Mas, junto com o desejo, vinha o medo. Medo de repetir os erros do passado. Medo de confiar. Medo de ser traído de novo. Ele não podia se permitir sentir a dor da traição de novo. Foi com esse pensamento que ele tomou uma decisão.
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Eloise acordou algumas horas depois. Ainda havia calor no outro lado da cama, mas ele não estava mais lá.
— Augusto? — chamou, levantando o tronco e olhando ao redor.
Nada.
Ela se sentou, os cabelos despenteados, a pele ainda com marcas do toque dele.
“Ele foi embora?”
Ela caminhou até o banheiro. Vazio.
Passou pela sala. Nenhum sinal dele. O apartamento parecia maior sem sua presença. Mais frio. Mais... vazio.
Um aperto no peito começou a crescer.
"Ele não deixou nada? Nenhuma palavra?”
“Ele foi embora. Fugiu. Depois de tudo.”
“Eu não esperava um café da manhã romântico... mas também não esperava ser abandonada como se nada tivesse acontecido.”
Ela correu para o quarto de hóspedes, onde havia deixado o vestido da noite anterior. Tirou a camisa dele com cuidado, dobrando-a e a colocando sobre a cama arrumada. Vestiu o vestido como quem veste uma dúvida.
Prendeu o cabelo em um coque rápido, pegou a sandália, a bolsa, e saiu. Desceu pelo elevador sem olhar para os espelhos — não queria ver seu reflexo. Estava nítido demais o que sentia.
Na calçada, o vento da manhã bateu no rosto.
Acenou para o primeiro táxi que passou.
Só quando entrou no carro, respirou fundo.
“E agora...? O que eu sou pra ele? E o meu emprego...? Eu preciso daquele trabalho...”
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Quando chegou em casa, já passava das nove. O pai estava na cozinha, sentado com uma caneca de café na mão e o olhar atento no jornal velho.
O corpo dele entre o dela.
Os olhos dele cravados nos seus.
A maneira direta com que a puxou para si, sem hesitar, como se ela fosse dele
Ela pressionou os olhos com força, tentando expulsar a lembrança.
“Por que ele foi embora...?”
“Será que foi só uma noite pra ele?”
“Será que eu perdi meu emprego...?”
Eloise deslizou pela parede até sentar no chão do box, abraçando as pernas.
O desejo ainda ardia, mas o vazio deixado pela ausência dele... queimava mais.
Saiu do banho, enrolou-se na toalha e se olhou no espelho.
E ali, no reflexo, não era só a Eloise secretária.
Não era só a mulher traída.
Era uma mulher que, por uma noite, tinha sido desejada, sentida, escolhida — mas que agora não sabia o que fazer com tudo isso.
Se secou devagar e se jogou na cama, com o corpo ainda úmido e o coração pesado.
O peito apertava.
Ela precisava daquele emprego. Precisava mais ainda de respostas, mas por ora, tudo que tinha era um vazio maior que antes.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...