Entre Risos e Perigo
O elevador se abriu no andar da presidência, e Augusto e Eloise saíram lado a lado na recepção.
Augusto parou diante do balcão vazio e soltou um breve suspiro.
— Preciso resolver isso logo — disse, ajeitando a gravata. — Prometi ao RH que contrataria alguém pra cá, mas com tanta coisa acontecendo, esse cargo ficou de escanteio.
Ele se virou para ela, o olhar malicioso.
— Faz isso pra mim, amor?
Eloise arqueou uma sobrancelha, fingindo indignação.
— Amor, Augusto? Isso não é nada profissional. — respondeu com um tom teatral, cruzando os braços.
Ele se aproximou lentamente, inclinando-se até o pescoço dela, deixando o perfume e o calor da voz tocarem sua pele.
— Com você… eu não quero ser profissional, meu amor.
Ela tentou manter a postura séria, mas o riso escapou antes mesmo que conseguisse evitar.
Augusto riu junto, a abraçando de leve — os dois presos entre o carinho e a provocação.
Foi quando uma voz soou atrás deles:
— Ai, que nojo! — disse Nathalia, rindo alto enquanto atravessava o corredor. — Dá pra avisar quando o romance for em horário comercial?
Augusto virou para ela, ainda rindo. — Inveja é feio, Nathalia.
— Feio nada! — retrucou ela, divertida. — Só tô tentando entender se preciso trazer vela ou vinho pra próxima reunião.
O riso dos três ecoou pela recepção, quebrando o peso que pairava sobre a MonteiroCorp desde o dia anterior.
Augusto se inclinou, deixou um beijo rápido nos lábios de Eloise e caminhou em direção à sua sala, com aquele olhar que dizia mais do que qualquer palavra.
Ela o acompanhou com os olhos até a porta se fechar, ainda sorrindo.
Nathalia se aproximou, apoiando os cotovelos no balcão da recepção.
— Nós precisamos de uma noite das meninas, Elô. — disse, animada. — Um jantar, umas taças de vinho, colocar os papos em dia… o básico pra sanidade mental.
Eloise riu, ajeitando os papéis sobre a mesa.
— Sabe que eu tava pensando nisso — respondeu, distraída.
— Hum… pode dar atenção às suas amigas um pouco? — provocou Nathalia, cruzando os braços.
Eloise ergueu o olhar, os olhos acendendo com o pensamento.
— Sofia. Ela é perfeita.
Nathalia piscou, sem entender de imediato. — Sim, Sofia é maravilhosa, tô adorando dividir apartamento com ela.
Eloise balançou a cabeça, sorrindo. — Não, Nathalia… Sofia pra recepcionista. — disse, olhando fixamente para a mesa à frente, já montando o plano na cabeça.
Nathalia abriu um sorriso. — Sim! Ela seria ótima pra isso.
— Vou falar com ela ainda hoje. — afirmou Eloise, decidida.
O elevador soou um ding suave. Nathalia se inclinou e beijou o rosto da amiga.
— Você tá diferente hoje, sabia? — disse com um sorriso enigmático. — Mas ainda não sei o que é.
Antes que Eloise pudesse responder, Nathalia entrou no elevador e acenou com a mão.
Eloise ficou ali, observando as portas se fecharem, sem entender direito o que ela quis dizer.
Suspirou, ajeitou o crachá e foi em direção à própria mesa.
Mas a sensação ficou ali — sutil, intrigante, como se algo dentro dela realmente tivesse mudado.
___
Augusto fechou a porta da sala, recostando-se por um instante na mesa.
Pegou o celular e discou o número de Thomas.
A chamada não demorou a ser atendida.
— Monteiro? — a voz de Thomas veio firme, mas cansada. — Me diz que tem boas notícias.
— Gostaria que fossem. — respondeu Augusto, passando a mão pelos cabelos. — Mas a situação é mais séria do que parece.
Houve um breve silêncio do outro lado.
— Fala.
— A invasão ao sistema foi confirmada. — disse Augusto, o tom grave. — E, pelo que descobrimos, o acesso partiu de dentro da MonteiroCorp.
— De dentro? — Thomas soou incrédulo.
— Sim. — Confirmou Augusto. — O sistema que a Eloise desenvolveu pra rastreamento de dados estava em fase de teste, e foi justamente ele que detectou a invasão. Se não fosse por isso, jamais teríamos percebido o ataque.
Thomas soltou um assobio baixo. — Então foi o sistema dela que entregou o invasor?
— Exatamente. — respondeu Augusto. — E agora sabemos que o acesso foi feito com o codinome Louvre.
O silêncio que se seguiu foi pesado, como se a palavra tivesse um peso próprio.
— Então o Louvre… é alguém de dentro mas não é um peixe pequeno. — concluiu Thomas, por fim.
— Sim. Um funcionário. — confirmou Augusto. — Alguém que sabe como o sistema funciona, que tem acesso privilegiado e sabe onde atacar sem deixar rastros.
— E já tem suspeitos?
Antônio se recostou na cadeira, o tom carregado de irritação contida.
— Estou perdendo a paciência. — disse pausadamente. — Já se passaram dias e nada. Nenhum movimento, nenhuma queda.
Do outro lado da linha, o interlocutor pareceu sorrir — a voz arrastada, controlada.
— Eu sei exatamente o que estou fazendo, senhor Mello. E ainda não é o momento.
Antônio franziu o cenho e bateu o punho sobre a mesa.
— Você me prometeu resultados, não filosofia! — rugiu. — Eu quero o nome Monteiro destruído… Augusto arruinado. E o velho José… morto.
O silêncio do outro lado foi denso.
Quando o Louvre respondeu, a calma dele era quase provocante.
— Cada peça precisa estar no lugar antes do xeque-mate.
Se eu agir agora, perdemos a vantagem.
Confie em mim, senhor Mello — a queda dos Monteiro será inevitável… e pública.
Antônio apertou o telefone com força, respirando fundo.
— Quero isso logo. Não me faça esperar mais.
— E você terá o que quer. — respondeu o Louvre, frio. — Mas lembre-se: quanto maior o império, maior o estrondo da queda.
A linha foi encerrada.
Antônio ficou parado, o olhar vidrado no vazio.
As palavras do Louvre ecoavam como um veneno lento — promessa e ameaça em doses iguais.
Ele se levantou, ajeitando o paletó, e foi até o bar no canto da sala. Serviu-se de um copo de uísque; a mão tremia, tomada por raiva e expectativa.
Do lado de fora, uma presença silenciosa observava tudo.
Márcia Mello, ainda com a bandeja nas mãos, permanecia imóvel junto à porta entreaberta.
Tinha ido levar o chá do marido — mas a voz dele, fria e carregada de ódio, a fez parar no meio do caminho.
Seu coração acelerou ao ouvir o nome José Monteiro e a palavra morto na mesma frase.
A bandeja tremeu em suas mãos.
O som da porcelana tilintou, e Márcia soube — o inferno acabava de começar.
Ela recuou um passo, o rosto pálido.
Sabia que, se o marido descobrisse que ela ouvira aquela conversa, não haveria perdão.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...