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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 222

O Veneno do Poder

No escritório, Antônio, ao ouvir o pequeno som da porcelana tilintando, olhou imediatamente para a porta.

— O que faz aí parada ?— murmurou

Márcia empurrou a porta suavemente e entrou com a bandeja ainda quente nas mãos, o chá exalando vapor. Ia apenas deixar a bebida e avisar que Antônio precisava repousar — pequeno gesto cotidiano que agora parecia um risco.

Por um segundo, a expressão dele foi calma; depois algo feroz surgiu nos olhos. A palavra “morto” ainda vibrava no ar como um trovão abafado. Márcia tentou recuar, a bandeja tremendo.

— O que foi, Márcia? — a voz dele soou baixa, controlada, como a de quem prepara uma sentença.

Ela abriu a boca para dizer que só vinha com o chá. Tentou fingir naturalidade. O homem, porém, era mais perspicaz do que ela imaginara. Em vez de aceitar a xícara, Antônio agarrou a bandeja com força, fez um movimento brusco — a porcelana escapou das mãos de Márcia e se espatifou no chão, espalhando chá quente e cacos que tilintaram como pregos.

O choque queimou o rosto dela; antes que pudesse recuar, a mão dele encontrou sua face com um tapa seco. O som ecoou na sala.

Por um instante, ela não sentiu dor — só o gosto amargo do medo.

Márcia sentiu a bochecha arder, a visão turvar por um segundo. Tentou falar, explicar, mas a voz não saiu.

— Você ouviu alguma coisa? — ele perguntou, a voz um fio de gelo. — Acha que eu não admito nada? Acha que sou fraco?

Sem esperar resposta, Antônio empurrou-a. Ela caiu de joelhos, a saia amarrotada, os olhos cheios de lágrimas que não tinha tempo de entender. Ele avançou, chutando sem dó, palavras afiadas acompanhando cada golpe.

— Eu vou destruir José Monteiro até não sobrar pedra — urrava ele, cada sílaba uma sentença. — Vou acabar com o nome dele... vai pagar com a vida!

Márcia tentou levantar, proteger o rosto com as mãos, mas a força dele a mantinha no chão. Em meio aos golpes, Antônio continuava, metódico e cruel:

— E Lorenzo, seu filho inútil — cuspiu, apontando para a sala — Vou jogá-lo aos leões.

Ela sentiu a respiração falhar, o mundo reduzido ao som dos sapatos de Antônio batendo no assoalho e às viradas surdas da ansiedade. A dor física era aguda, mas o que mais a esmagava era o entendimento: aquelas palavras não eram apenas raiva; eram planos, promessas de uma máquina que começava a se mover.

Quando ele finalmente parou, ofegante, a sala estava um caos — chá pelo chão, cacos brilhando, a bandeja partida. Márcia se encolheu no canto, o rosto marcado, a alma ferida. Antônio aproximou-se devagar, como quem contempla uma coisa que já cumpriu seu papel.

— Se você contar a alguém — rosnou ele, gelado — juro que farei pior. Com você e o bastardo.

Com isso, virou-se, ajeitou o paletó como se nada tivesse acontecido.

Antônio não teve misericórdia. Chamou um dos funcionários mais próximos — um homem alto, rosto de quem seguia ordens sem questionar.

— Leva ela pro quarto e tranca. — ordenou, frio.

O empregado hesitou por um segundo, a consciência tentando sussurrar algo. Antônio não deu espaço para dúvidas: o aperto no punho foi suficiente para que ele obedecesse. Agarraram Márcia pelos braços, empurrando-a com força. Ela tentou resistir, mas as pernas bambearam; a dor e o choque roubaram-lhe a força.

Subiram a escada dois a dois. Os degraus ecoavam, e cada impacto parecia ampliar a humilhação. Márcia implorou, a voz trêmula:

— Antônio, por favor... eu só entrei pra trazer o chá...

O empregado a empurrou de novo, como se empurrasse alguém que não pertence àquele mundo. Chegaram ao corredor do segundo andar; a mão dele encontrou a maçaneta do quarto e, sem cerimônia, arrastou Márcia para dentro.

Ela caiu sobre a cama, a respiração curta, a roupa amarrotada. Antes que pudesse se recompor, sentiu a porta bater com força. O trinco foi girado. O clique da chave ecoou no pequeno quarto como um veredito.

Do corredor veio a voz do empregado, baixo, tentando justificar o ato:

— Ordem dele, senhora. Não era pra acontecer assim, mas...

Lá dentro, Márcia caiu sentada no chão, as costas encostadas na madeira fria. O quarto cheirava a pó e a solvente de móveis antigos; pela janela, as cortinas filtravam uma luz pálida, indiferente ao que acontecera.

A princípio, a vertigem vinha junto com a dor física e a humilhação. Depois, como uma faísca que teima em acender, veio a determinação. Ela passou a mão pelo rosto, sentiu o gosto metálico do sangue seco na boca, e respirou.

— Preciso avisar alguém — murmurou para si, entre soluços. — José está em perigo, por minha causa.

A cabeça girou, mas a ideia se firmou.

Eloise apoiou o cotovelo na mesa, o sorriso crescendo.

— Então ótimo. Nem precisa de resposta.

— Como assim? — perguntou Sofia, confusa, rindo.

— Porque você já está contratada — disse Eloise, firme e divertida. — Vai ser a nova recepcionista do andar da presidência.

Houve um segundo de silêncio, seguido de um grito contido do outro lado.

— O quê?! Elô, você tá falando sério?

— Completamente. — confirmou ela, rindo. — Augusto quer alguém de confiança ali, e você é perfeita pra isso.

Sofia mal conseguia conter a empolgação.

— Meu Deus, eu nem sei o que dizer! Obrigada, Elô, de verdade!

— Então diz que vai aparecer aqui ainda hoje com seus documentos. — brincou Eloise. — Porque começa amanhã cedo.

— Pode deixar! Já estou a caminho — respondeu Sofia, rindo.

— Quero ver. — disse Eloise, divertida. — Até mais tarde, então.

— Até mais tarde, chefe. — respondeu Sofia, com um sorriso que Eloise podia quase ouvir.

A ligação terminou, e por um instante, Eloise ficou olhando para a tela do celular.

Gostava da sensação de dar oportunidades — e mais ainda, de construir ao redor pessoas que acreditavam nela.

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